O novo coronavírus transmite-se principalmente através de gotículas que ficam no ar quando uma pessoa infetada fala, tosse ou espirra e a contaminação é facilitada pelo contacto próximo e prolongado. Posto isto, o risco aumenta em espaços fechados, com pouca ventilação e muitas pessoas. Um estudo japonês concluiu que o risco de infeção num espaço fechado é 19 vezes superior ao risco no exterior. A conclusão é sustentada por um outro estudo, com origem na China, que analisou 318 grupos de três ou mais casos, concluindo que apenas um foco de contágio teve origem ao ar livre.

Segundo o estudo japonês, que analisou 110 casos em 11 focos de infeção, conclui-se que ambientes fechados contribuem para a transmissão secundária de Covid-19 e promovem eventos de superspread. Para esta conclusão contribuiu o facto de todos os clusters analisados terem tido origem em espaços fechados, como ginásios, restaurantes, hospitais e um festival com tendas sem ventilação.

As nossas conclusões também são consistentes com o declínio dos casos de Covid-19 na China, uma vez que os ajuntamentos em espaços fechados foram proibidos na sequência da rápida disseminação da doença”, conclui o estudo.

Um outro estudo, que identificou 318 surtos de três ou mais casos fora da província de Hubei, no espaço de um mês, descobriu que o risco de transmissão na rua é raro. Em todos os focos analisados menos um, que envolvia apenas duas pessoas, o vírus foi transmitido em espaços fechados.

“O princípio geral devia ser: fora é melhor do que dentro; aberto é melhor do que fechado; menos pessoas são melhores do que mais; e mantenham-se longe de pessoas doentes”, afirmou um neurocirurgião, Erich Anderer, numa entrevista ao Insider.

Já William Schaffner, um professor de medicina preventiva na Universidade Vanderbilt, em entrevista ao Business Insider, explica que “este vírus gosta mesmo que as pessoas estejam em espaços fechados e em contacto com outros durante períodos prolongados”. Segundo o especialista, as raras infeções no exterior podem ser explicadas pela maior facilidade em manter a distância social e pelo facto de o vírus precisar de “navegar” pelo vento para passar de uma pessoa para outra.

Isto não significa, no entanto, que as pessoas possam estar juntas sem restrições desde que estejam ao ar livre, frisa. “Não há maneiras seguras de fazer as coisas; ‘seguro’ implica algo absoluto. Em vez disso, tudo se resume à redução de riscos”, acrescentou Schaffner.

Existe, no entanto, uma outra explicação considerada plausível pelo professor para explicar a conclusão registada na China: a maioria dos casos analisados ocorreu quando grande parte da China estava em lockdown. Isto poderá justificar o reduzido número de casos em espaços abertos. Essa quarentena limitou as oportunidades dos residentes saírem à rua. “É claro que todos os surtos ocorreram em ambientes fechados, entre as famílias”, sustentou.