A diretora-geral da Saúde afirmou na conferência de imprensa desta sexta-feira que mesmo com centros comerciais fechados “não se está a conseguir evitar o risco de as pessoas se concentrarem noutros espaços, como cafés e ao ar livre”.

Questionada sobre a importância dessa medida de contenção para a saúde pública na região de Lisboa e Vale do Tejo, Graça Freitas indicou que “o risco depende do comportamento”. Por isso, faz um apelo à população: “Pedimos que as pessoas se autorregulem para não pôr em risco a sua saúde nem de terceiros, mas tem-se assistido em Lisboa a uma maior concentração de pessoas, para lá do que era desejável”.

A líder da Direção-Geral da Saúde (DGS) voltou a adjetivar a situação em Lisboa de “complexa” por ter “várias causas”. “Temos de facto aglomerados ou surtos de pequena ou grande dimensão que se concentraram em várias circunstâncias: temos doentes com relação a obras, temos cerca de 340 casos identificados em empresas, surtos e casos relacionados com lares, com diversos bairros”, descreveu.

Em Lisboa e Vale do Tejo, onde neste momento há 4.400 doentes ativos. Para fazer frente ao surto, 580 profissionais de saúde foram contratados para os diversos hospitais e centros de saúde da região. No país inteiro, foram três mil.

“Não se podem tolerar comportamentos que não contribuam para a saúde pública”

A diretora-geral da Saúde lançou um apelo aos jovens com entre 20 e 29 anos, que têm sido a faixa etária com mais novos casos de infeção pelo novo coronavírus. É “um assunto muito sério”, insiste Graça Freitas, porque “há uma tendência para aliviar o comportamento”. “Mas a única forma de este vírus não se transmitir é evitarmos o contacto físico próximo e as máscaras complementam esta proteção. Os aglomerados estão contra-indicados”, reforçou.

“As pessoas jovens têm tendência a ter doença pouco grave, mas isto não é uma constipação. Os jovens que não se esqueçam que, mesmo tendo uma doença ligeira, eles podem transmitir a grupos de risco, a pessoas mais idosos — tios, pais e avós — e vão perpetuar a transmissão”, alertou a diretora da DGS. “Não podemos aceitar comportamentos que não levem à proteção dos outros. Não se podem tolerar comportamentos que não contribuam para a saúde pública”, sublinhou.

“Não adiem a vacinação”, pede Graça Freitas aos pais de crianças

Questionado sobre que procedimentos devem seguir os pais de crianças pequenas infetadas pelo novo coronavírus em relação à vacinação, Graça Freitas explica que “o  médico, quando a criança estiver recuperada, deve recuperar esse calendário vacinal para ficar protegida contra outras doenças”. “Uma criança destas, se não tem o seu sistema vacinal completo, terá de a completar”, concluiu. A diretora-geral da saúde apela ainda aos cuidadores de crianças pequenas que “não adiem a vacinação”.

Mais tarde, sobre a abertura do pré-escolar agendada para segunda-feira, Graça Freitas explicou porque é que não foi implementado um plano de testes aos professores e educadores, à semelhança do que aconteceu nos jardins de infância: “Considerou-se que estas crianças do pré-escolar já sabem observar as regras e não era necessidade um plano de testes. Não há um plano de testes sistemáticos para os cuidadores do pré-escolar. Em situações pontuais de risco para a saúde, pode considerar-se”.

Lacerda Sales agradece à comunicação social

Logo na abertura da conferência de imprensa, António Lacerda Sales, secretário de Estado da saúde, deixou uma palavra à comunicação social: “Há quase três meses que nos encontramos aqui, no Ministério da Saúde, para dar conta da evolução da Covid-19 no nosso país”, recordou.

“Tem sido um caminho em que tentamos dar as melhores respostas possíveis com base na melhor evidência científica em cada o momento, num cenário de incerteza em que temos aprendido muito uns com os outros. Muito obrigada aos senhores jornalistas pelo papel que têm desempenhado”, disse Lacerda Sales.

O secretário de Estado da Saúde reiterou o apelo à população para que procure assistência médica sempre que necessário, mesmo que em causa não estejam sintomas da Covid-19. “De acordo com aquilo que é o nossos sistema de capilaridade entre espaços de saúde, estamos a fazer recuperação” dos serviços de assistência.

“Temos feito a promoção da realização de consultas hospitalar de forma descentralizada. Isto sem prejuízo dos planos locais da retoma da atividade”, diz o secretário de Estado quando questionado sobre queixas nestes serviços. Além disso, fez outro pedido: que os cidadãos não descartem as máscaras no chão, mas sim nos caixotes de lixo reservados para esse efeito.