À semelhança do que já acontece em outras cidades europeias, onde estão a ser aplicadas, de forma gradual, várias medidas de desconfinamento, também Paris se prepara para usufruir do espaço público e reabrir, esta terça-feira, as esplanadas dos cafés, restaurantes e bares – verdadeiros símbolos do joie de vivre da cidade. Segundo a autarca parisiense, Anne Hidalgo – para quem os negócios relacionados com a restauração são “a alma da cidade” – as mesas e cadeiras das esplanadas podem ocupar, temporariamente, os passeios largos e os parques de estacionamentos, que se mantém quase vazios desde o início da pandemia.

Desta forma, acrescentou Anne Hidalgo durante o fim de semana, é possível “conciliar o arranque da economia com as regras do distanciamento social”, permitindo reabrir alguns negócios, como sejam os restaurantes e cafés, que se encontravam encerrados desde 14 de março, “sem comprometer a saúde pública”.

Apesar do país se estar a preparar para a segunda fase do desconfinamento já a partir de 2 de junho – o que significa não só a reabertura da restauração mas também dos museus e de mais escolas – a cidade de Paris permanece “laranja” no mapa Covid-19 de França, o que significa que “o vírus ainda está a circular”, como explicou o primeiro-ministro Edouard Philippe. Por isso, terá de esperar até ao dia 22 de junho para passar à segunda fase.

Dessa forma, os proprietários dos estabelecimentos de comida e bebida da capital terão de obedecer a um conjunto de medidas para poderem reabrir as portas, como seja atender clientes ao ar livre, em esplanadas, e com rigorosas medidas de distanciamento e proteção.

“Outra dessas medidas é a livre ocupação de uma parte do espaço em Paris. Como por exemplo, passeios com largura suficiente para colocar uma esplanada ou lugares de estacionamento. Também estamos a estudar a hipótese de fechar algumas estradas ao trânsito, durante os fins de semana, para permitir mais espaço para as pessoas conviverem em cafés e restaurantes”, realçou Anne Hidalgo, em conferência de imprensa.

Juntamente com as medidas de distanciamento e proteção, os cafés e restaurantes terão de fechar às 23h, reduzir o ruído e evitar o bloqueio dos passeios a pessoas com mobilidade reduzida. Também não vão ter autorização para instalar equipamentos de som ou utilizar copos de plástico. Devem, também, garantir que os passeios se mantém limpos. Para Hidalgo, essas regras são “princípios de confiança” – e alertou para o risco dos estabelecimentos não as respeitarem: “Serão multados e as licenças revogadas”.

Na capital francesa há também novas medidas relacionadas com a mobilidade. Algumas das artérias mais movimentadas estão reservadas apenas para ciclistas e peões, numa tentativa de limitar as aglomerações nos transportes públicos.

“No total, 50 quilómetros de faixas normalmente usadas por carros serão reservadas para bicicletas”, disse, ainda, Anne Hidalgo ao jornal Le Parisien. O objetivo é, além de reduzir a poluição, privilegiar os meios de transporte individuais, seja de bicicleta ou a pé, já que os transportes públicos são um “risco para o contágio”.

Ruas fechadas ao trânsito, ciclovias e passeios mais largos. Como a Covid pode moldar as cidades modernas

O número de mortes diárias por coronavírus nos hospitais franceses caiu este domingo para 31, o mais baixo desde 17 de março, quando foram registados 27 óbitos por Covid-19, segundo dados oficiais.

No total, desde o início da epidemia, registaram-se 28.802 mortes por Covid-19 em França, das quais 18.475 ocorreram em hospitais. A Direção-Geral da saúde francesa não atualizou os números relativos a mortes em lares de idosos. Na sexta-feira, último dia para o qual foram disponibilizados dados destas instituições, 10.327 pessoas tinham morrido. França regista também 14.322 pessoas hospitalizadas por Covid-10 e 1.319 estão em unidades de cuidados intensivos, onde o saldo entre admissões e altas permanece negativo, com menos seis doentes.