A sete meses das eleições presidenciais, o Iniciativa Liberal (IL) já tem uma estratégia política definida e não vai apoiar a eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. “Não é o nosso candidato porque não é liberal. E apesar da sua eleição ter tido o mérito apaziguar alguns setores, Marcelo Rebelo de Sousa introduziu um estilo na presidência que devia ter sido usado em doses homeopáticas no primeiro ano. Depois disso, devia ter havido maior recato”, confirmou o deputado e presidente do IL, João Cotrim de Figueiredo ao Observador, dando, também, como certa a sua não candidatura às eleições de 2021.

Para o IL, não há dúvidas quanto ao “candidato liberal” a apoiar – uma decisão que Cotrim de Figueiredo admite ter sido “fácil” – e que, agora, só está dependente da “vontade do próprio” candidato. “Nós podemos facilitar a tomada de decisão, dizendo que, em determinadas circunstâncias, vamos ajudar na preparação da campanha, mas essa é uma decisão pessoal. Não vamos pressionar”, explica.

Um dos nomes em cima da mesa, apesar de não ter sido confirmado pelo presidente do IL, é o de Adolfo Mesquita Nunes, ex-vice-presidente de Assunção Cristas no CDS, e atual administrador não-executivo da Galp – com quem Cotrim de Figueiredo trabalhou, de perto, enquanto presidente do Turismo de Portugal, durante o primeiro Governo de Pedro Passos Coelho. Nessa altura, Adolfo Mesquita Nunes era o secretário de Estado com a tutela do setor.

Entre o liberais, o nome de Mesquita Nunes é consensual, antecipando-se já o regresso de uma “dupla” que trabalhou em conjunto numa altura de “potenciação do turismo e de liberalização do setor português”, segundo fonte próxima do Iniciativa Liberal. O ex-presidente do partido, Carlos Guimarães Pinto, tinha já feito ao Expresso uma declaração pública de apoio, ao dizer que o democrata-cristão “representa o liberalismo”, acrescentando que “pessoalmente” considera que “seria um excelente candidato”.

Além disso, o ex-vice do CDS corresponde ao perfil que o IL traçou na moção de estratégia global, apresentada por Cotrim de Figueiredo a 8 de dezembro, quando foi eleito presidente do partido. Segundo o documento, o IL “deverá apoiar um candidato que seja reconhecido pelas suas tendências liberais, e por uma “atitude mais incisiva quando necessária”. Acrescentando ainda que importará mais o desempenho em campanha do candidato do que os seus “resultados eleitorais”. “Interessa-nos mais que o candidato seja bom campeão de ideias liberais, do que apostar no cavalo ganhador”, conclui.
Apesar das notícias que davam conta do interesse de determinados setores da direita em tê-lo como candidato presidencial contra Marcelo e André Ventura, até agora Adolfo Mesquita Nunes não fez qualquer declaração sobre uma eventual candidatura a Belém.

Presidenciais. Mesquita Nunes encorajado a concorrer contra Marcelo e Ventura