Parte da direita em Portugal está em dessintonia com Marcelo Rebelo de Sousa e já procura uma alternativa para as eleições presidenciais que ocupe um espaço político entre o antigo líder do PSD e André Ventura. Entre os nomes em cima da mesa está o de Adolfo Mesquita Nunes, de acordo com o semanário Expresso, que avança que o antigo vice-presidente de Assunção Cristas no CDS já foi “desafiado a avançar” e que este “ganha força no CDS” e “colhe apoios do PSD à Iniciativa Liberal”.

Miguel Morgado (antigo deputado do PSD) e Carlos Guimarães Pinto (antigo líder da Iniciativa Liberal) são duas das vozes que anunciam no Expresso o seu apoio a uma candidatura de Adolfo Mesquita Nunes, uma das principais caras da ala liberal do CDS. O primeiro considerou, em declarações proferidas ao Expresso, que Adolfo Mesquita Nunes “seria um bom candidato, não tenho dúvidas” e o segundo vincou que o democrata-cristão “representa o liberalismo”, acrescentando que “pessoalmente” considera que “seria um excelente candidato”.

O semanário refere ainda que há mais apoios nos diversos partidos na direita moderada do PSD, CDS e Iniciativa Liberal e também na área económica — onde o trabalho de Mesquita Nunes como secretário de Estado do Turismo do primeiro Governo de Passos Coelho foi muito apreciado.

O líder do Chega e assumido candidato presidencial André Ventura já reagiu à notícia, tendo afirmado em declarações ao Expresso que nas presidenciais “a luta será entre o sistema”, onde coloca todos os outros candidatos, e “os que o querem derrubar”, isto é, ele próprio. “Sinceramente não sei para que se multiplicam, representam todos este sistema morto e caduco que nos enche há anos de corrupção e impunidade”, disse ainda.

A maior dúvida: quem vão o CDS e IL apoiar?

Numa semana em que António Costa avançou com a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, ficou claro que uma recandidatura do atual Presidente da República poderá contar com o apoio do PS (mais ou menos assumido) e do PSD, que ainda assim poderá não conseguir convencer todos os militantes a votar em Marcelo Rebelo de Sousa. O que poderá abrir um espaço para que surja uma candidatura da direita liberal que ocupe um espaço entre Marcelo mais posicionado ao centro e André Ventura, líder do Chega, posicionado na direita radical, capaz de congregar os votos de parte do eleitorado centrista e do eleitorado do IL.

Mais incerta é a posição do CDS, que em 2015 apoiou Marcelo Rebelo de Sousa na sua candidatura a Belém. No último Congresso eletivo do partido, onde Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito sucessor de Assunção Cristas, o novo líder defendeu que ainda não era tempo de discutir o tema das presidenciais, sendo preciso “fazer um balanço” do primeiro mandato do atual PR. O novo líder deixou então, no entanto, críticas à antecessora por ter anunciado que o CDS ia apoiar Marcelo sem consultar antes os órgãos internos dos centristas. Rodrigues dos Santos tem assumido nas últimas semanas posições mais críticas face a Marcelo Rebelo de Sousa.

Francisco Rodrigues dos Santos. Não cabe a Marcelo “coordenar o Governo”