São fracas as certezas quanto ao rumo que a indústria da moda vai tomar no pós-pandemia, sobretudo no que toca ao formato convencional de desfile e à organização das semanas da moda. Foi neste cenário que a Dolce & Gabbana anunciou, na última segunda-feira, que irá retomar o calendário de apresentações e no formato a que sempre habituou clientes e seguidores.

O desfile está marcado para 15 de julho e faz parte da programação da Camera Nazionale Della Moda Italiana. O momento é histórico, já que a dupla de designers e a entidade responsável pela Semana da Moda de Milão não colaboravam há mais de duas décadas.

A decisão não deixa de ser ousada. Itália, em particular o norte do país, foi uma das zonas mais fustigadas pelo novo coronavírus na Europa e a cautela levou mesmo a organização da semana da moda a adotar um novo modelo de apresentações em formato digital para a próxima etapa do calendário, ou seja, para a temporada dedicada à moda masculina, entre os dias 14 e 17 de julho. E não foi a única. Também em Paris, a semana da moda de homem decorrerá com apresentações virtuais, de 9 a 13 de julho, à semelhança da alta-costura, que ocupará os dias entre 6 e 8 do mesmo mês.

A Dolce & Gabbana torna-se assim a primeira grande marca a anunciar um desfile convencional. Segundo a Vogue Hommes, a dupla vai apresentar a sua coleção primavera-verão 2021 com um casting de cerca de uma centena de modelos. No local, cerca de 200 pessoas, entre convidados, fotógrafos e operadores de imagem, vão assistir ao desfile.

O primeiro desfile de uma era ou o dia em que a Chanel trocou Capri por um estúdio em Paris

A mesma publicação fala no cumprimentos de todos os protocolos de segurança ditados pelas autoridades de saúde. O uso de máscara será, muito provavelmente, obrigatório, bem como o distanciamento entre convidados e a medição de temperatura à chegada. O desfile já tem um palco — curiosamente, é o jardim de uma universidade de medicina, em Milão, com a qual Domenico Dolce e Stefano Gabbana têm colaborado no apoio a bolsas de estudo e à pesquisa no âmbito da atual pandemia de Covid-19.

O anúncio chegou no mesmo dia em que a Chanel foi a primeira maison a apresentar uma coleção em suporte virtual. O vídeo, assinado por Julien Pujol, deu o mote para um futuro onde tudo leva a crer que serão as ferramentas digitais a encurtar a distância entre a moda e o seu público. Ao que parece a Dolce & Gabbana não pensa da mesma maneira e destaca-se ao programar aquele que, para já, é o único evento presencial da indústria até setembro.