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O Fábio de Mafamude, com a braçadeira em riste, foi a Barcelos marcar outra vez (a crónica do Gil Vicente-Famalicão) /premium

O Famalicão foi a Barcelos vencer o Gil Vicente (1-3) e igualou o Sporting no quarto lugar, ainda que à condição. Fábio Martins voltou a marcar, Vítor Oliveira foi o primeiro a fazer cinco alterações.

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O jogador português foi capitão na ausência do guarda-redes Defendi

LUSA

O jogador português foi capitão na ausência do guarda-redes Defendi

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Só esta segunda-feira, na Assembleia-Geral da Liga, é que ficou decidido de forma definitiva que, a partir da segunda jornada da retoma da Primeira Liga, seria possível realizar cinco substituições ao invés das habituais três e ter nove suplentes no banco e não sete, como é normal. O que quer dizer que Gil Vicente e Famalicão, as duas equipas que esta terça-feira começavam a 26.ª jornada, só souberam que deviam convocar 20 jogadores, e não 18, a menos de 24 horas do apito inicial.

E Vítor Oliveira, treinador do Gil Vicente, foi um dos primeiros a lembrar isso mesmo. “Há muitos condicionalismos. Estamos a menos de 24 horas do jogo e não sabemos se vamos fazer três ou cinco substituições. Isto é absolutamente errado e não faz sentido nenhum. Não é uma situação normal. Não sabemos se vamos convocar 18 ou 20 jogadores (…) Isto é brincar ao futebol. É uma brincadeira”, disse o técnico da equipa de Barcelos na conferência de imprensa de antevisão da partida. Certo é que, esta terça-feira, Gil Vicente e Famalicão eram as primeiras equipas portuguesas a beneficiar da exceção que permite realizar cinco substituições ao longo de três paragens durante os 90 minutos regulamentares.

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Duas equipas que, aliás, se cruzavam vindas de experiências muito diferentes na jornada de regresso. Se o Gil Vicente perdeu em Portimão, contra o penúltimo e num jogo onde foi claramente superior mas não soube ser eficaz, o Famalicão ganhou em casa ao FC Porto e aproveitou os deslizes de V. Guimarães, Rio Ave, Sporting e Sp. Braga para saltar para um quinto lugar europeu e aproximar-se da quarta posição. O que significava que, esta terça-feira, a equipa de Vítor Oliveira precisava de pontuar para não se afundar na segunda metade da tabela e o conjunto de João Pedro Sousa podia igualar o Sporting em caso de vitória, já que os leões só jogam na sexta-feira.

Pouco antes do apito inicial, o Famalicão ficou a saber que não poderia contar com o guarda-redes habitualmente titular, Defendi. O brasileiro teve um resultado inconclusivo na ronda de testes a que o plantel foi submetido e a DGS, que numa primeira fase chegou a dar luz verde ao guarda-redes, acabou por recomendar que este ficasse fora da partida, por já ter testado positivo anteriormente. Na baliza do Famalicão, por isto mesmo, estava esta terça-feira Vaná.

De forma natural, e até por aquilo que está visível na classificação, a equipa de João Pedro Sousa tomou o controlo da partida desde os instantes iniciais, tentando desde logo chegar perto da baliza de Denis. Com os setores muito estendidos e com a habitual largura, com os dois laterais muito adiantados no terreno e a oferecer soluções, não demorou muito tempo até que o Famalicão criasse oportunidades de golo — e foi num desses momentos, numa aproximação à baliza adversária, que Toni Martínez acabou por sofrer a grande penalidade que originaria o inaugurar do marcador. O avançado espanhol entrou na grande área pela esquerda, tentou puxar para dentro e foi derrubado em falta por Edwin. Na conversão, Fábio Martins — que na ausência de Defendi era o capitão do Famalicão — bateu Denis e fez o primeiro golo da partida (12′).

A partir do golo, até porque o Famalicão recuou no terreno e concentrou mais atenções no setor defensivo do que no mais adiantado, o Gil Vicente foi conquistando metros e criando perigo, principalmente a partir da ala direita e da mobilidade de Kraev. O jogador búlgaro é o grande foco de criatividade da equipa de Vítor Oliveira e ia sendo a principal dor de cabeça dos defesas do Famalicão. Nesta altura, dividiu-se uma grande oportunidade para cada lado: Fábio Martins viu Denis, com uma enorme defesa, roubar-lhe o segundo golo no jogo depois de um bom remate de fora de área (24′) e Sandro Lima, ao falhar o remate, não conseguiu encostar para a baliza deserta depois de um bom movimento ofensivo do Gil Vicente (34′). Mas acabou por ser o Famalicão, com maior eficácia e discernimento nas zonas de finalização, a aumentar a vantagem. Diogo Gonçalves, com um grande remate cruzado de primeira depois de uma assistência de Toni Martínez a partir da esquerda, voltou a bater Denis e colocou o Famalicão a ganhar confortavelmente ao intervalo (42′).

Na segunda parte, Vítor Oliveira tirou Arthur Henry, que tinha estado a jogar no lado direito do meio-campo, para colocar o avançado Samuel Lino. O Gil Vicente procurou tomar a iniciativa do jogo, a colocar a primeira linha de construção mais adiantada e tentar exercer uma pressão mais eficaz ao portador da bola, mas pouco ia conseguindo fazer. A ganhar por dois golos de diferença — e graças àquilo que são dois meses de paragem –, o Famalicão não quis acelerar muito, não investiu em grandes arrancadas e não lutou para chegar ao terceiro mas raramente descurou nas tarefas defensivas e foi controlando as ocorrências. Defendeu sempre de forma compacta, atacou sobretudo através de transições rápidas ou bolas paradas e só falhou mesmo no lance do único golo do Gil Vicente: o lateral Henrique Gomes cruzou da esquerda e Hugo Vieira, que entretanto tinha entrado, cabeceou praticamente sem oposição (77′). A equipa de Barcelos relançou a partida mas já não conseguiu chegar ao empate, ainda que tenha passado os últimos dez minutos em cima da baliza de Vaná, acabando até por sofrer o terceiro golo, por intermédio de Edwin na própria baliza (90+1′).

No final do jogo, em que Vítor Oliveira se tornou o primeiro treinador da história da Liga a fazer cinco substituições, o Famalicão venceu, igualou o Sporting no quarto lugar à condição e conquistou uma histórica 12.ª vitória na Liga, já que nunca o clube tinha vencido tantos jogos no principal escalão do futebol português. E por isso, esta terça-feira e não só, muito tem de agradecer a Fábio Martins.

Na semana passada, o jogador português recorreu ao Twitter para condenar o apedrejamento do autocarro do Benfica — sem nunca nomear os encarnados e referindo até que estava a falar do “estado do futebol português” e da “mentalidade de todos” e não de “nenhum clube em específico”. “É suposto um jogador sentir-se mais motivado para ajudar o clube a chegar a vitórias depois de ver a casa vandalizada, ter cabeças partidas, vidros nos olhos ou ser alvo constante de ameaças e assobios? Comentem, sem aquela conversa do eles ganham milhares, têm de se sujeitar”, escreveu Fábio Martins. E esta terça-feira, quase como resposta a si mesmo, marcou pelo segundo jogo consecutivo, voltou a ser um dos melhores do Famalicão e tornou-se mesmo o melhor marcador da equipa esta temporada, com nove golos. O rapaz de Mafamude foi a Barcelos, com a braçadeira de capitão em riste, mostrar que tem talento para voar mais alto.

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