Os hotéis, restaurantes e cafés nas imediações das Termas de Chaves aguardam a reabertura deste equipamento para voltarem a receber os clientes termalistas habituais e recuperarem da quebra económica causada pela pandemia de covid-19.

As Termas de Chaves, no distrito de Vila Real, ainda não foram autorizadas a reabrir e os vários comércios nas imediações, apesar de alguns já estarem abertos, estão a sofrer com a falta de clientes que frequentam habitualmente o balneário flaviense e que até têm ligado a perguntar a data da reabertura.

“Trabalhamos muito quer com os termalistas quer com os trabalhadores das termas. Tínhamos muitos clientes, mas este ano está a ser um caos”, conta à agência Lusa a proprietária de um restaurante mesmo ao lado do edifício das termas.

Para Paula Rodrigues, a zona envolvente das Termas de Chaves é muito turística e, além dos termalistas, também depende muito dos ‘vizinhos’ espanhóis, que ainda não podem atravessar a fronteira.

“Estou ansiosa, quer pela abertura das termas quer pela abertura das fronteiras”, realça a proprietária do restaurante Dubai que tem também uma esplanada virada para as termas.

Do outro lado da estrada, o Petrus Hotel ainda não reabriu desde que foi forçado a encerrar devido à pandemia e também aguarda a reabertura das termas.

O gerente da unidade hoteleira que emprega habitualmente cerca de 12 trabalhadores, e que está atualmente em ‘lay-off’, explica que sem turismo e sem as termas a funcionarem não compensa estar aberto neste momento.

“O ano passado foi um bom ano e este ano iria ser ainda melhor, pelas indicações dos primeiros meses, mas a pandemia vai fazer com que seja o pior de sempre”, atira Pedro Teixeira.

O Petrus Hotel, que abriu em 2008, tem recebido telefonemas de clientes habituais que esperam a reabertura das termas para se deslocarem a Chaves.

“A maioria dos termalistas vem todos os anos e, quando não vêm, queixam-se de que não se sentem tão bem sem os tratamentos”, lembra.

Pedro Teixeira alerta que não são apenas os estabelecimentos comerciais nas imediações das termas que estão a ser afetados, mas um pouco por toda a cidade, pois os termalistas, ao passarem “diversos dias consecutivos” em Chaves, exploram todo o concelho e levam “para as suas terras” vários produtos locais, como agrícolas ou fumeiro.

A Rua do Sol, perto também das Termas de Chaves, tem diversas pensões e restaurantes habituados a trabalhar com termalistas.

Apesar de já ter reaberto, a Ester Guest House ainda espera a chegada de clientes.

“Temos habitualmente muitos termalistas de vários pontos do país e até do estrangeiro. Este ano muitos já cancelaram as suas reservas”, contou Ester Rei.

A proprietária da Ester Guest House, há já 22 anos, acredita que a cidade de Chaves irá ser um destino de preferência no verão pela “pouca incidência da covid-19, a gastronomia e o saber acolher dos flavienses”.

Após ter feito uma remodelação das instalações há três anos, Ester Rei tinha “boas expectativas” para o negócio em 2020 que para já estão em suspenso.

Na mesma rua, após três meses encerrados, o Hotel Kátia, que tem também um restaurante, também já está de portas abertas mas ainda à espera dos clientes.

“Não vamos ter muitos clientes enquanto as termas não reabrirem, pois trabalhamos com muitos, que vêm há muitos anos. Ainda hoje telefonaram a perguntar quando reabrem”, explica Ana Lampaça.

As Termas de Chaves aguardam “com ansiedade” por indicações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para a retoma da atividade, após terem encerrado devido à pandemia de covid-19 e queixam-se de “falta de informação”.

“Não se compreende esta falta de informação, pois para além de dificultar os preparativos para a reabertura, atrasa o agendamento dos tratamentos por parte dos termalistas que, na maioria dos casos, necessitam também de reservar o respetivo alojamento”, explicou a administradora das Termas de Chaves, Fátima Pinto, citada em comunicado divulgado em 04 de junho.

Para a responsável, “ignorou-se por completo o facto de que as Termas cumprem todos os requisitos de segurança e higiene que são exigidos a qualquer atividade prestadora de cuidados de saúde tutelada pela DGS”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 406 mil mortos e infetou mais de 7,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.485 pessoas das 34.885 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.