Com o crescimento de casos de infeção na região de Lisboa e Vale do Tejo, os profissionais de saúde pedem que a resposta ao surto seja mais coordenada, escreve o jornal Público. Segundo a mesma fonte, os hospitais Amadora-Sintra e o de Loures acusam pressão há várias semanas, 

A diretora do serviço de infecciologia do Hospital  Amadora-Sintra alertou que “não pode existir uma resposta centrada em hospitais que não eram de primeira linha, que não têm recursos humanos nem espaço para assumir mais do que estão a fazer”. Patrícia Pacheco lamenta ainda a falta de “um comando estratégico” e “estruturado” para responder a esta pandemia.

Artur Vaz, administrador do Hospital de Loures, pede que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) “pensasse num plano de resposta para a região e desse indicações para o trabalho em rede”, lamentando que o Hospital de Loures seja “o que tem a carga maior de doentes Covid em relação à lotação total” uma vez que “não funciona em rede”.

Em contrapartida, noutros hospitais a realidade é diferente. Fernando Maltez, diretor do serviço de infecciologia do Hospital Curry Cabral, admite não foi confrontado “com a situação de ficar sem vagas”. É neste sentido que Alexandre Valentim Lourenço, presidente da secção Sul da Ordem dos Médicos, pede que haja um “planeamento dos vários hospitais”.

A região de Lisboa tem muitos hospitais e temos a necessidade de articular a ação entre as unidades. Falta uma coordenação centralizada diferente da que existiu até agora”, disse ao Público.

Ao jornal, a ARSLVT garantiu que “ocorreram reuniões/teleconferências periódicas com os conselhos de administração” das várias unidades hospitalares e que “tem acompanhado de forma sistemática e permanente (numa base diária) a situação de todos os hospitais da região”.

Bastonário acusa Governo de não ouvir os médicos: “Ouvem-se os peritos do Infarmed, mas não as pessoas que estão no terreno”

Já este sábado, o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, defendeu em comunicado a urgência em “ouvir os profissionais de saúde agora, como foi feito no início”. À rádio Observador acusou o Governo de não fazer: “Ouvem-se os peritos do Infarmed, mas não as pessoas que estão no terreno”.