As eleições deste domingo nas regiões espanholas da Galiza e País Basco não trouxeram grandes surpresas ao panorama político do lado de lá da fronteira. Segundo o El Pais, Alberto Núñez Feijóo, presidente da Galiza e candidato do PP, conseguiu a sua quarta maioria absoluta ao eleger 41 deputados (acima dos 38 necessários) para o parlamento regional. À esquerda, o Bloco Nacionalista Galego (BNG) viu o número de deputados subir para 19.

No País Basco, o Partido Nacionalista Basco (PNV, centro-direita) conseguiu eleger 31 deputados (mais dois do que em 2016), com 40% dos votos, mas ainda precisa do PSE (braço basco do PSOE) para governar — a maioria absoluta só se alcança com 38 deputados. O partido de extrema-direita Vox entra pela primeira vez para o parlamento regional basco, elegendo um deputado. Já o EH Bildu elege 21 e o Podemos seis, bem como a coligação entre o PP e o Ciudadanos.

Na Galiza, o Partido Socialista da Galiza (PSdG) e o Bloco Nacionalista Galego (BNG) conseguem representação parlamentar: o PSdG (19%) sobe de 14 para 15 lugares e o BNG (24%) de 9 para 19. O Podemos fica fora do parlamento galego, além de ter perdido metade da sua representação no País Basco.

As atuais maiorias foram assim confirmadas em ambos os parlamentos regionais — o Partido Popular (direita) na Galiza e o Partido Nacionalista Basco (centro-direita) no País Basco.

As últimas sondagens publicadas indicavam que o presidente da Junta da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, do PP, deveria obter a sua quarta maioria absoluta consecutiva, com cerca de 48% dos votos e eleger 42 dos 75 deputados no parlamento regional (nas eleições de 2016 obteve 47,6% e 41 lugares).

As sondagens também diziam que o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), com cerca de 20% e 15 deputados regionais, deveria recuperar a segunda posição, à custa da queda do Podemos (extrema-esquerda), que deveria passar dos 14 para três deputados regionais.

Já em relação ao Bloco Nacionalista Galego (BNG), que há quatro anos parecia ter tendência para desaparecer, previa-se que voltasse a subir, dos atuais seis deputados para uma posição próxima do PSOE — enquanto o Cidadãos (direita liberal) e o Vox (extrema-direita) continuariam a ter uma expressão mínima nesta comunidade autónoma espanhola, que faz fronteira com o norte de Portugal.

A participação eleitoral foi mais baixa do que há quatro anos, embora os níveis de abstenção tenham sido muito diferentes daqueles registados há duas semanas nas eleições municipais francesas, em que 60% dos eleitores não votaram — no País Basco a abstenção ficou nos 47% e na Galiza no 37%.

PNV e PSOE governam a comunidade autónoma com uma coligação minoritária

Em relação ao País Basco (norte de Espanha), as sondagens apontavam para que o atual ‘lendakari’ (presidente do Governo regional basco) desde 2012, Iñigo Urkullu, conseguisse manter a liderança do PNV.

No entanto, mais uma vez, não se acreditava que obtivesse a maioria absoluta, podendo reeditar a atual coligação com o PSOE ou preferir o EH Bildu (coligação de vários partidos regionais de esquerda). PNV e PSOE governam a comunidade autónoma com uma coligação minoritária (menos da metade dos 75 deputados parlamentares) que agora poderia passar a maioritária.

De acordo com as sondagens, o PNV deveria aumentar os seus deputados regionais, dos atuais 28 (37,6% nas eleições de 2016) para cerca de 32 num total de 75, seguido do EH Bildu, com uma tendência de ligeira descida dos atuais 28 (21,3%), do PSOE, que deveria subir dos atuais nove membros (11,9%) para 11 e do Podemos, que desce de 11 (14,9) para cerca de oito.

PP e Cidadãos apresentam-se coligados nas eleições bascas e os estudos de opinião dão-lhes cerca de seis deputados, uma diminuição em relação aos nove (10,1%) que os populares tiveram em 2016.

As eleições nas duas comunidades autónomas tinham sido inicialmente marcadas para 05 de abril, mas foram adiadas devido à pandemia de covid-19.

Os últimos dias da campanha eleitoral foram marcados por pressões da oposição nas duas regiões para que fossem adotadas medidas para assegurar que as eleições decorram com garantias sanitárias, numa altura em que sobe o número de surtos provocados pela pandemia.

Várias queixas apresentadas por pequenos partidos nacionalistas e de esquerda levaram mesmo a Junta Eleitoral Central a considerar que as medidas extraordinárias adotadas pelas autoridades sanitárias para controlar os surtos de coronavírus em A Mariña (Lugo, Galiza) e Ordizia (Gipuzkoa, País Basco) são suficientes para garantir o direito ao voto no domingo.

A Galiza está situada no noroeste da Península Ibérica, a norte de Portugal e tem cerca de 2,7 milhões de habitantes e um território que corresponde a cerca de um terço do de Portugal.

No norte da Península Ibérica, o País Basco, com perto de 2,2 milhões de habitantes e um território que é quase 13 vezes mais pequeno do que o português, é outra das 17 comunidades em que a Espanha está dividida.

Esta comunidade faz parte da região historicamente denominada País Basco, que inclui outra comunidade autónoma em Espanha, Navarra, e a região adjacente em França, que os nacionalistas bascos consideram como território cultural e linguístico do povo basco.