O Festival Verão Clássico e a sua academia dão início, no domingo, aos concertos e às mais de 500 aulas abertas, sobre técnica e interpretação musical, que vão decorrer até 4 de agosto, em Lisboa, orientadas por músicos profissionais e professores.

Esta 6.ª edição do Verão Clássico, como anunciou esta segunda-feira a sua organização, acontece em diferentes espaços da capital: no Teatro Thalia e no vizinho Palácio das Laranjeiras, no Conservatório Nacional, Palácio Fronteira e, como habitualmente, no Centro Cultural de Belém e no edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

A academia conta com a participação de 200 jovens músicos, metade dos quais portugueses e, os restantes, oriundos de 30 países, além dos 15 mestres, músicos profissionais e pedagogos, na sua maioria distinguidos a nível internacional, que vão orientar as aulas abertas.

Este é um projeto absoluto a nível internacional que se realiza em Lisboa”, disse à agência Lusa o pianista Filipe Pinto-Ribeiro, do DSCH-Schostakovich Ensemble, que organiza o certame, tendo realçado a “excecionalidade” do evento, numa altura em que encontros congéneres não se realizam ou limitam-se aos músicos nacionais.

“Conseguimos trazer a Lisboa músicos de topo”, reforçou Pinto-Ribeiro, enumerando as estreias em Portugal do pianista finlandês Henri Sigfridsson, vencedor do Concurso Internacional de Piano Beethoven, em 2005, do violinista albanês Tedi Papavrami, “um dos maiores virtuosos da atualidade”, da flautista britânica Emily Beynon, da Real Orquestra do Concertgebow de Amesterdão, do violetista Miguel da Silva, mestre em Residência na Capela Musical Rainha Isabel da Bélgica, e o violoncelista sueco Frans Helmerson, “um dos músicos e professores mais respeitados da atualidade”.

Outros nomes maiores participaram em edições anteriores e regressam este ano, entre os quais os violinistas Mihaela Martin e Jack Liebeck, o contrabaixista Janne Saksala, o oboísta Ramón Ortega Quero, da Orquestra da Rádio Baviera, o pianista Eldar Nebolsin, os violoncelistas Gary Hoffman e Kyril Zlotnikov, a cantora lírica Anna Samuil e o clarinetista Pascal Moraguès.

O músico reconheceu as “dificuldades e incertezas causadas pela pandemia” para organização do certame.

O festival tem previsto sete concertos com repertório musical dos séculos XVIII ao atual, três pelos músicos orientadores, “os mestres”, no dia da abertura, outro a 31 de julho e no dia do encerramento, assim como quatro concertos “TalentFest”, dos jovens talentos participantes na academia.

Os concertos apresentam “um repertório muito variado e apelativo, destacando-se a interpretação de obras para piano de Beethoven (de quem se celebram, este ano, os 250 anos do nascimento em Bona, na Alemanha), por Henri Sigfridsson e Eldar Nebolsin, e de um conjunto de canções do génio de Bona, em várias línguas, como é o caso de “Seus lindos olhos”, a única canção em português, e que será interpretada por Anna Samuil”, disse Pinto-Ribeiro.

Várias obras-primas farão parte dos programas, como é o caso de Quartetos de Schumann e Dvorák, Trios de Haydn e Bartók, e do divertido ‘Carnaval dos Animais’, de Saint-Saëns, que encerrará [o festival], numa nota de otimismo”, referiu.

Os concertos do dia de abertura poderão ser acompanhados a partir do site do pianista (em https://www.filipepinto-ribeiro.com/pt/not%C3%ADcias/lista-de-noticias/concertos-masterfest-ver%C3%A3o-cl%C3%A1ssico-2020/), assim como os dos jovens talentos (que podem ser consultados em https://www.filipepinto-ribeiro.com/pt/not%C3%ADcias/lista-de-noticias/concertos-talentfest-ver%C3%A3o-cl%C3%A1ssico-2020/).