Os “Amigos da Ponte de Arame” apelaram esta segunda-feira à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para “salvar” a pequena passagem pedonal, entre Boticas e Vila Pouca de Aguiar, que vão perder com a construção da barragem do Alto Tâmega.

Entre as aldeias de Veral (Boticas) e Monteiros (Vila Pouca de Aguiar) o atravessamento do rio Tâmega é feito por uma ponte pedonal de arame.

Com a construção da barragem do Alto Tâmega, uma das três que constitui o Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), concessionado à espanhola Iberdrola, esta passagem pode deixar de existir.

Os habitantes, que se uniram no movimento “Os Amigos da Ponte de Arame”, não aceitam ficar sem a passagem pelo Tâmega e reclamam a sua recolocação, justificando que, sem a estrutura, as aldeias ficam separadas por quase “100 quilómetros” (ir e vir).

A ponte de arame entre Veral e Monteiros está contemplada na Declaração de Impacte Ambiental (DIA), mas apenas como um “elemento patrimonial”, pelo que, a concessionária Iberdrola teria apenas de a recolocar num outro local.

A decisão final sobre a substituição da ponte de arame “cabe à APA” e os populares apelaram publicamente à Agência Portuguesa do Ambiente para que “preserve o património histórico e popular da ponte de arame, não deixando, simultaneamente, morrer as duas aldeias que a ponte liga”.

Os “Amigos da Ponte de Arame” informaram ainda, em comunicado remetido à Agência Lusa, que se colocaram à disposição para “aquilo que possa ser útil para a recolocação da travessia no local atual só que a uma cota superior”.

Na última reunião online da Comissão de Acompanhamento Ambiental (CAA) do SET, que decorreu em junho, os presidentes das câmaras de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, e de Boticas, Fernando Queiroga, defenderam novamente as reposições das ligações entre Monteiros e Veral (ponte pedonal de arame) e entre Capeludos e Sobradelo, onde existe um pontão de cimento para passagem de carros e peões.

O autarca de Vila Pouca de Aguiar salientou que “não é possível mais prolongar estas situações de indefinição”, defendeu a “necessidade de haver uma clarificação sobre as dúvidas existentes” e que, “no limite, até ao final do ano 2020 têm de estar formalizadas as decisões e soluções preconizadas para o restabelecimento das travessias” entre os dois concelhos do distrito de Vila Real.

Para esta quarta-feira está agendada uma reunião do grupo de trabalho de acompanhamento do Plano de Ação Socioeconómico do SET, que deverá juntar a Iberdrola, municípios, APA e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, contemplando a construção de três barragens (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega), 1.500 milhões de euros de investimento.

O complexo, que deverá estar concluído em 2023, contará com uma potência instalada de 1.158 megawatts (MW), alcançando uma produção anual de 1.760 gigawatts hora (GWh), ou seja, 6% do consumo elétrico do país.