Daniela Braga afirma que a gigante Amazon (que investiu na empresa) lançou um produto que faz praticamente o mesmo que o da DefinedCrowd, avança o The Wall Street Journal. Em causa está o A21, uma nova aposta da Amazon Web Services, que “compete diretamente com um dos nossos produtos essenciais” que recolhe e categoriza dados, explicou a líder da startup especializada em análise de dados com recurso a inteligência artificial.

Em 2016, a gigante liderada por Jeff Bezos investiu na startup com ADN português através do fundo Amazon Alexa Fund (nascido em 2015 para investir em projetos ligados à tecnologia de voz), o que lhe permitiu aceder aos resultados financeiros da startup e a outro tipo de informação confidencial. Quatro anos depois, lança um produto de inteligência artificial que é muito semelhante ao da DefinedCrowd, refere a líder da startup.

[ouça a entrevista feita a Daniela Braga durante a última Web Summit]

A portuguesa que quer chegar à Bolsa de Nova Iorque

Segundo a publicação norte-americana, depois de ver o anúncio do novo produto da Amazon, Daniela Braga limitou o acesso do fundo da Amazon aos dados da empresa e dilui a sua participação no capital social da startup em 90%, com uma injeção de capital. Um porta-voz da empresa liderada por Jeff Bezos diz que a Amazon não usa a informação confidencial que é partilhada pelas startups.

“Em 26 anos, fomos pioneiros em muitos recursos, produtos e até em categorias totalmente novas. Do próprio amazon.com ao Kindle, do Echo à AWS, poucas empresas podem reivindicar um recorde de inovação que rivaliza com o da Amazon. Infelizmente, haverá sempre partes interessadas que se queixam em vez de construir. Quaisquer disputas legítimas sobre propriedade de propriedade intelectual são resolvidas corretamente nos tribunais”, afirmou Drew Herdener, porta-voz da Amazon spokesman, citado pelo WSJ.

A empreendedora portuguesa que saiu da Microsoft, nos EUA, para fundar a sua própria empresa e que em maio recebeu um investimento de 50 milhões de dólares é apenas uma das dezenas de empreendedores e investidores que foram entrevistados pelo The Wall Street Journal e que acusam a Amazon de usar o investimento que faz nestas empresas (ou os acordos negociais) para desenvolver produtos concorrentes.

“Perguntam-me como é possível fazer uma empresa tendo uma filha. Mas ninguém pergunta isso a um homem”

A publicação norte-americana refere ainda que há ex-funcionários a afirmar que a Amazon é tão orientada para um crescimento acelerado que não resiste em tentar criar novas tecnologias, mesmo que estas compitam com as das startups nas quais investiram.

A Amazon é uma das cinco grandes empresas que tem de prestar contas ao regulador do comércio norte-americano, o Federal Trade Commission. Em fevereiro, este ordenou que as empresas dessem mais detalhes sobre os investimentos e aquisições (de outras empresas) que fizeram entre 2010 e 2019. Objetivo: perceber se alguma destas operações desrespeitava as regras da concorrência.

Na segunda-feira, Jeff Bezos deveria juntar-se a outros líderes de empresas tecnológicas, como Mark Zuckerberg ou Tim Cook, para testemunhar sobre as práticas da sua empresa no congresso norte-americano, mas o Politico está a avançar que essa sessão deverá ser adiada.

Em cinco anos, a startup liderada por Daniela Braga angariou cerca de 12,5 milhões de euros através de investidores como a Portugal Ventures ou a empresa MasterCard. Este montante juntou-se em maio aos cerca de 46 milhões de euros que arrecadaram na ronda série B. A empreendedora, que já foi destacada em meios como Forbes ou revista a Wired britânica, foi a primeira vencedora do prémio João Vasconcelos “Empreendedor do ano” em 2019.

DefinedCrowd. Startup liderada por Daniela Braga recebe investimento de 50 milhões