O concerto do tenor na Catedral de Milão, no domingo de Páscoa, bateu recordes de visualizações no YouTube com mais de 2.8 milhões de pessoas em simultâneo a assistir ao momento e desde então mais de 40 milhões de pessoas já assistiram ao momento. Depois de ter admitido que tinha também ele estado doente com a Covid-19 e que até tinha dado plasma para ajudar na recuperação de outros doentes, Andrea Bocelli viu-se agora envolvido numa polémica depois de participar numa conferência na biblioteca do Senado, em Roma.

O dia em que a voz de Andrea Bocelli encheu a catedral de Milão vazia

Na sua intervenção, Bocelli diz que durante o lockdown imposto em Itália — na pior fase da pandemia no país — questionou aquilo que lhe era transmitido e que ouviu as primeiras críticas dentro da própria casa. “Procurei analisar a realidade e vi que as coisas não eram exatamente como nos contavam. O primeiro confronto que tive foi em casa, quando comecei a exprimir as minhas dúvidas sobre a gravidade desta assim chamada pandemia, os primeiros a atacar-me foram os meus filhos”, disse.

Mas o rótulo de negacionista que os meios de comunicação italianos lhe atribuíram derivou do facto de o tenor ter dito que “conhecia muita gente, mas nenhuma nos cuidados intensivos” por causa da Covid-19. Ele que em maio afirmava em entrevista ao Corriere della Sera que tinha sido “um pesadelo” estar doente a Covid-19 e que “sentia que já não controlava nada”. Talvez de memória curta, Andrea Bocelli afirmava no senado italiano que se tinha “sentido humilhado e ofendido” quando ouviu na televisão a imposição do lockdown.

“Quando ouvi na televisão que iria ser privado da liberdade, de sair de casa, sem ter cometido qualquer crime. Senti-me um pouco humilhado e ofendido”, disse acrescentando que “em alguns casos” tinha “desobedecido voluntariamente” à proibição de sair de casa para atividades não essenciais. “Não me parecia justo ou saudável permanecer em casa. Tenho uma certa idade e preciso de sol”, apontou o tenor.

Bocelli questionou ainda o encerramento das escolas e a abertura dos bares que, diz, em nada contribuem para o desenvolvimento dos jovens, e o regresso às salas de aulas com os alunos “escondidos atrás de máscaras”.

Em reação à chuva de críticas, ainda no mesmo dia, Andrea Bocelli disse que “foi mal interpretado” e recusou o rótulo de “negacionista” que os media italianos lhe atribuíram. “Sou um otimista por natureza”, apontou acrescentando que iria “recomeçar partindo de uma oração”.