Em Lisboa, tudo correu dentro do que é previsto na evolução do surto do novo coronavírus, embora se tenha feito uma “leitura desajustada daquilo que é a evolução de uma epidemia”. Quem o diz é Jorge Torgal, membro do Conselho Nacional de Saúde Pública, que defende que foi “uma loucura mansa” de alguns políticos falar num cerco sanitário à capital do país. “Os números deram-me razão. A epidemia em Lisboa estava a fazer o seu caminho”, defende.

Há um mês, a 28 de junho, o especialista em Saúde Pública considerava que o aumento de casos que então se vivia em Lisboa era “banal”, havendo um “empolamento” mediático à volta desses valores. As declarações, feitas à Rádio Observador, foram muito criticadas, relembra o professor, que considera que o tempo lhe deu razão.

“Os números atuais mostram que a situação de Lisboa era uma situação banal, nada de extemporâneo. Fez-se uma leitura desajustada daquilo que é a evolução de uma epidemia. O que se está a viver no país não é nada de inesperado”, acrescenta.

“Número de casos em Lisboa é empolamento artificial”, avança porta-voz do Conselho de Saúde Pública

Para sustentar as suas afirmações, aponta os números. “Naquela altura tínhamos 458 doentes internados, 73 deles em cuidados intensivos. Agora descemos para 402, dos quais 41 estão em cuidados intensivos. Estamos nos números mais baixos de sempre.”

Apesar disso, deixa o alerta de que os números irão certamente aumentar, criticando aqueles que consideram que o novo coronavírus vai desaparecer. “No outono e no inverno vamos ter Covid-19, gripe e constipações. A epidemia irá aumentar seguramente na altura própria, mas haver muitos casos não é preocupante. O que é importante é proteger os que podem ter doença grave”, sustenta.

Jorge Torgal diz encarar com tranquilidade o outono e o inverno, já que acredita que o país saberá proteger os mais idosos. “Aprendemos a fazê-lo durante os primeiros meses da pandemia e vamos conseguir fazê-lo ainda melhor no futuro.”

Porta-voz do Conselho de Saúde Pública diz que aumento de casos em Lisboa é “banal” e fala em “empolamento”