Fabio Quartararo, Franco Morbidelli, Miguel Oliveira. A segunda sessão de treinos livres, na passada sexta-feira, voltou a colocar o português entre os pilotos mais rápidos em pista, dando continuidade a outras marcas que já tinham dado nas vistas esta temporada como o oitavo lugar no Grande Prémio de Espanha ou a quinta posição na qualificação para o Grande Prémio da Andaluzia. O Falcão surgia com outra capacidade de voar e, mesmo longe do que fizera na véspera em termos de posição, o 13.º posto em que ia sair do Grande Prémio da Rep. Checa igualou aquela que foi a sua segunda melhor qualificação, apenas superado por esse registo na Andaluzia.

Miguel Oliveira parte do 13.º lugar para o GP da República Checa de MotoGP

Antes, na terceira sessão de treinos livres, onde voltou a rodar na frente com Quartararo ou Morbidelli, Oliveira tinha sofrido uma queda sem consequências a menos de dois minutos do final, o que impediu que se recolocasse entre as posições da frente. Seguiu-se o 13.º lugar na grelha. “No geral, foi um dia positivo. Começámos com altas expectativas esta manhã mas sofri uma queda na minha volta rápida, que me poderia ter dado um bom tempo e dentro dos dez mais rápidos. Dei tudo mas não foi o suficiente, está tudo muito equilibrado. No entanto, estou bastante confiante para a corrida de amanhã [domingo]. Trabalhámos bem, pelo que deveremos estar tranquilos e focados. Acredito que posso acabar numa boa posição”, comentou na véspera da corrida.

Melhor regresso era impossível: Miguel Oliveira faz terceiro melhor tempo nos treinos livres do GP da Rep. Checa

A atuação de Miguel Oliveira em termos globais voltou a entusiasmar e o próprio Pol Espargaró, um dos principais pilotos da KTM que na próxima temporada será companheiro de Marc Márquez na Honda e que irá abrir lugar para o português subir para o lado de Brad Binder, elogiou muito aquilo que o piloto de Almada tinha voltado a fazer “A moto é a mesma para todos nós, tem sido assim nos últimos três anos. Ele tem estado bem na moto, foi muito rápido, fez uma boa volta e está lá porque merece. O estilo de pilotagem dele foi bom, fez um bom tempo e no final de tudo quem está na moto é ele, não importa se com pneus novos ou velhos o tempo de volta está lá.  Preciso de ver os dados e ver o que ele fez de diferente. Não podemos ser sempre nós os mais rápidos e às vezes eles têm estas faíscas e são muito rápidos e o que tenho de aprender é o que ele fez de diferente de nós e colocá-lo em prática”, comentou o espanhol ao Motorcycle Sports, no final do primeiro dia de treinos livres.

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Miguel Oliveira com estreia de sonho: salta do 17.º para o oitavo lugar, ultrapassa Rossi e iguala melhor resultado de sempre no MotoGP

Coincidência ou não, Pol Espargaró melhorou na qualificação, subindo ao sexto lugar da grelha (Brad Binder foi sétimo), e surpreendeu ainda mais no warm up este domingo de manhã, conseguindo a volta mais rápida à frente de Maverick Viñales, quinto melhor registo na qualificação, e Fabio Quartararo, que deixou escapar nova pole para Johann Zarco mas que fez o terceiro tempo na preparação. Miguel Oliveira, também a rodar em 1.57 mas com uma distância de sete décimas para o espanhol, acabou no 14.º lugar numa manhã que provou sobretudo que o Grande Prémio da Rep. Checa, o terceiro da temporada, iria ser marcado por uma enorme competitividade e com a KTM a mostrar entre sábado e domingo de manhã argumentos para carimbar aquele que seria um dia histórico.

Um sonho de qualificação, um pesadelo de corrida: Brad Binder atira Miguel Oliveira ao chão na primeira curva

Para o português, que começou este Mundial de 2020 igualando o melhor registo no MotoGP com um oitavo lugar em Espanha antes da desistência na Andaluzia, uma entrada nos pontos e no top 10 poderia significar também um regresso ao top 10 da classificação geral e o Falcão voltou a abrir as asas com mais uma performance de luxo, chegando a dez voltas do final com um sétimo lugar que já era histórico na carreira mas que foi melhorado com a ultrapassagem a quatro voltas do final ao líder do Mundial, Fabio Quartararo, numa corrida de sonho.

A saída definiu muito do que seria a corrida: Zarco teve um início falhado e caiu para a quinta posição, Morbidelli foi o melhor e saltou para a frente, Quartararo teve também um bom arranque mas baixou para o terceiro lugar por troca com Aleix Espargaró depois de uma ligeira escorregadela na segunda curva. Mais atrás, Miguel Oliveira teve sobretudo uma primeira volta muito prudente tentando evitar um filme como o da Andaluzia, subindo de forma momentânea ao 12.º lugar antes de baixar para a 14.ª posição atrás de Joan Mir numa prova onde as KTM já davam cartas: Pol Espargaró manteve o sexto posto e começou a lutar com Aleix (que entretanto foi caindo) pelo quinto, Brad Binder saltou de forma surpreendente para a terceira posição e com a volta mais rápida.

Com Morbidelli a manter um ritmo fortíssimo na frente, Binder a pressionar Quartaro e Pol Espargaró a subir ao quinto lugar atrás de Zarco, Miguel Oliveira conseguiu subir para 13.º após ultrapassar Joan Mir e viu atrás de si as primeiras desistências, com Iker Lecuona a arriscar uma passagem por dentro a Mir, a fazer deslizar em demasia a moto e a sair levando consigo o compatriota da Suzuki. Mais uma volta, mais um lugar ganho pelo português, agora superando a Ducati de Danilo Petrucci que lhe valeu um 12.º lugar a 17 voltas do final, com um ritmo que permitia a sua KTM Tech3 aproximar-se da Ducati de vice-campeão de 2019, Andrea Dovizioso. Era uma ameaça na teoria, tornou-se uma certeza na prática: na volta seguinte, o Falcão voou para a 11.ª posição.

Miguel Oliveira brilhava a meio, as KTM brilhavam na frente: com um Zarco capaz de fazer a volta mais rápida como depois de abrandar e manter-se na quinta posição, Brad Binder aproveitou um ligeiro erro de Quartararo para subir ao segundo lugar e Pol Espargaró seguiu o companheiro de equipa, acabando depois por cair numa curva mais fechada onde Zarco já estava na trajetória que o espanhol foi à procura. A equipa da KTM colocava as mãos na cabeça ao perceber que tinha perdido uma oportunidade de sonho de colocar as duas motos da equipa principal no pódio mas tinha razões para sorrir graças ao português que ultrapassou a Honda de Nakagami, ficou em nono com a saída de Pol Espargaró e superou depois Maverick Viñales, que chegava à terceira prova da época na segunda posição da classificação geral apenas atrás do companheiro de Yamaha, Fabio Quartararo.

Aleix Espargaró era o adversário que se seguia e, depois de se ter mostrado à Aprilia do espanhol sem sucesso, saltou mesmo mais um lugar para um sétimo posto que era o melhor resultado de sempre num Grande Prémio, superando as oitavas posições na Áustria em 2019 e em Espanha na primeira prova deste ano. A Tech3 aplaudia a corrida do português, a KTM esquecera a frustração pela queda de Pol Espargaró porque Brad Binder confirmou o ritmo mais rápido, superou Morbidelli e começou a criar alguma vantagem sobre o italiano na frente, naquela que poderia ser a primeira vitória de sempre do sul-africano apenas na terceira corrida no MotoGP. Oliveira mantinha a sétima posição, com o ídolo Valentino Rossi na frente e Alex Rins a apertar e muito um Quartararo em dificuldades para segurar o quarto lugar, atrás de Binder, Morbidelli e Zarco, que entretanto foi penalizado. Passou Rins, passou Rossi, seguia-se Oliveira a tentar ultrapassar também o atual líder do Mundial, o que aconteceu a quatro voltas do final, o que dava ainda margem para tentar ir “buscar” Rossi, o que já não conseguiu.

Miguel Oliveira acabou assim na sexta posição, o melhor lugar de sempre no MotoGP, festejou mal passou a meta e a primeira coisa que fez de seguida foi dar os parabéns a Brad Binder, o mesmo piloto que o tinha atirado ao chão na Andaluzia mas que conseguiu agora a sua primeira vitória de sempre (a primeira de um rookie na categoria máxima desde Marc Márquez, em 2013) já com as coisas resolvidas entre os dois pilotos da equipa da KTM que na próxima temporada serão companheiros no conjunto principal da marca. Para o português, e depois de mais uma corrida de luxo, a hipótese de poder lutar pelo pódio está cada vez mais próxima. Para já, fica uma 12.ª posição na classificação geral do Mundial de 2020 com 18 pontos, mais de metade do que na última época (33 nas 16 provas em que participou) quando estão apenas realizadas três corridas até ao momento e somente a um de Pol Espargaró, que não somou qualquer ponto na Rep. Checa, e de Álex Rins, que foi quarto este domingo.