Em outubro de 2024, pouco depois de deixar o Liverpool e na altura em que assumiu um cargo importante na Red Bull, Jürgen Klopp garantiu que precisava de uma espécie de pausa sabática. Não queria voltar a treinar tão cedo, nem sequer sabia se queria voltar a treinar no futuro, só sabia que queria parar. Repetiu a ideia durante mais de um ano, em entrevistas e conferências de imprensa, mas acabou contrariado pelo destino.
Na sequência do Mundial 2026 e da demissão de Julian Nagelsmann, já que a Alemanha caiu logo nos 16 avos de final com o Paraguai, Jürgen Klopp não soube dizer que não à chamada mais do que previsível que acabou por receber. Despediu-se da Red Bull, tornou-se selecionador alemão e já carrega às costas as expectativas e esperanças de um país que passou de tudo conquistar a tudo desperdiçar.
New Germany head coach Jürgen Klopp has called up more than 40 players in two separate squads ahead of four Nations League games ???????????? pic.twitter.com/tWYQabwnXY
— Sky Sports Football (@SkyFootball) September 17, 2026
E o novo capítulo começou oficialmente esta quinta-feira. Na antecâmara de quatro jogos a contar para a Liga das Nações, entre o fim de setembro e o início de outubro, Jürgen Klopp anunciou a primeira convocatória enquanto selecionador — e apressou-se a surpreender, deixando bem claro que acabou de começar uma nova era no futebol alemão. Ao invés de apenas uma lista e de apenas 23 jogadores, desenhou duas listas inteiras e chamou 44 jogadores, entre nomes com lugar cativo e novidades absolutas.
Em resumo, Klopp fez uma convocatória para os dois primeiros jogos, contra Países Baixos e Grécia a 24 e 27 de setembro, e outra convocatória para os outros dois jogos, contra Sérvia e novamente a Grécia, a 1 e 4 de outubro. Em comum entre as duas listas só existe mesmo um nome: Finn Dahmen, guarda-redes de 28 anos do Augsburgo. E aí, no capítulo dos guarda-redes, também deixou bem claro que Marc-André ter Stegen, atualmente emprestado pelo Barcelona ao Ajax, é o herdeiro natural da titularidade que Manuel Neuer deixou vaga após deixar a seleção depois do Campeonato do Mundo.
A longa lista inclui 16 jogadores que nunca tinham sido convocados, como Said El Mala (Colónia), Max Rosenfelder (Friburgo), Philipp Treu (Friburgo), Derry Scherhant (Friburgo) e Mika Baur (Celtic), mas também crónicos internacionais como o próprio Ter Stegen, Joshua Kimmich, Serge Gnabry ou Kai Havertz. No capítulo das ausências, nota-se a falta de Deniz Undav, avançado do Estugarda que esteve em bom plano no Mundial 2026, Leroy Sané, que está no Galatasaray, Leon Goretzka, atualmente no Aston Villa, ou até Pascal Gross, do Brighton.
Jürgen Klopp oficializado como selecionador de futebol da Alemanha
Nenhum nome, porém, tem a história de Felix Keidel. Aos 23 anos, o lateral acabou de subir com o Elversberg à Bundesliga e tem apenas três jogos no principal escalão da Alemanha, sendo que há apenas dois anos estava na terceira divisão com o Ingolstadt. A convocatória de Keidel já era um dado adquirido pela comunicação social alemã há vários dias, algo que Jürgen Klopp até comentou na conferência de imprensa e apelidou de “patético”, e é a personalização da revolução que o novo selecionador pretende fazer.
“Não fizemos uma equipa A e uma equipa B, queremos ganhar os quatro jogos. Chamou-nos muito a atenção o talento que existe, tanto que nem sequer puderam entrar todos. Desfrutei muito de desenhar este plantel, encontrámos muito talento. Quero conhecer o máximo de jogadores que seja possível. Nas últimas quatro semanas viajei muito e vi muitos jogadores. Estive 11 anos longe da Bundesliga e há uma grande diferença em ver jogadores ao vivo”, explicou o treinador, que ainda detalhou que irá usar Joshua Kimmich no meio-campo e não na direita da defesa, como acontecia com Julian Nagelsmann, um pormenor que foi debate nacional durante os últimos anos.
Para além da longa convocatória, Jürgen Klopp deu nas vistas durante a conferência de imprensa devido ao boné que usou, onde juntava o símbolo da Adidas às cores da bandeira alemã e à frase “um de 83 milhões”. Numa altura em que a Alemanha atravessa uma complexa fase a nível político, poucos dias depois de a AfD, partido de extrema-direita, vencer as eleições regionais na Saxónia-Anhalt, o selecionador reconheceu que a escolha do boné não foi inocente, mas não quis posicionar-se ou alongar-se muito mais.
“Temos de redescobrir a diversão em tudo isto. Espero não ter de falar muito sobre política no futuro. Mas quero reclamar a bandeira para nós, para que as pessoas se sintam felizes e afortunadas por viverem neste país maravilhoso. Não quero deixar a bandeira nacional para as pessoas erradas. Enche-me de orgulho ter este cargo. Quando trabalhamos em futebol é suposto alimentar um sentimento de comunidade que nos faça sentir melhor e temos de criar essa atmosfera. Mas também precisamos de pessoas que a abracem”, explicou.