Quando começou a definir o plantel do Benfica para a próxima temporada, num hiato de quase duas semanas entre a chegada a Tires num jato privado ao lado de Luís Filipe Vieira e a apresentação oficial no centro de estágios do Seixal, Jorge Jesus colocou como uma das prioridades a contratação de um central que pudesse jogar pelo lado esquerdo, tal como foi tendo nas últimas temporadas com Mathieu, Pablo Marí e Léo Pereira. Lucas Veríssimo, brasileiro do Santos, foi sondado (não sendo um esquerdino mas podendo jogar naquele lado). Leandro Cabreba, uruguaio do Espanyol, também. No entanto, a solução acabou por ser europeia, com todas as características que o treinador pretendia e um currículo que dispensa apresentações: Vertonghen está muito perto de assinar.

O internacional belga de 33 anos terminou contrato com o Tottenham de José Mourinho, não prolongou o vínculo e chegou a ser dado certo na Roma de Paulo Fonseca sem que isso fosse um dado certo. Quando a possibilidade de contratar o defesa chegou à Luz, o Benfica fez uma proposta avultada para garantir o jogador (entre salário num vínculo de dois a três anos e prémio de assinatura), apresentou um projeto desportivo que agradou e passou à frente da concorrência que se perfilava da Serie A, com Nápoles e Inter a associarem-se a Roma e Fiorentina. Após oito anos no conjunto londrino, onde chegou a ir a uma final da Champions, a Luz será o próximo destino.

Nascido em Sint-Niklaas, Vertonghen, que tem dois irmãos que também jogam mas a um nível mais secundário, começou no VK Tielrode, passou pelo Germinal Beerschot e foi mais um dos jovens talentos detetados na Europa pela rede de olheiros do Ajax, mudando-se com apenas 16 anos para a Holanda onde completou a formação e se estreou como sénior. Com um ano de cedência por empréstimo pelo meio ao RKC Waalwijk, tornou-se titular indiscutível da equipa de Amesterdão ao longo de cinco temporadas, tendo ganho dois Campeonatos e duas Taças. Em 2012, prova também da estabilidade que gosta de conferir à sua carreira, mudou-se para o Tottenham por 12 milhões de euros, recusando uma abordagem do Arsenal por querer ser central e não médio defensivo.

Em 2007, depois do ano de empréstimo, Vertonghen foi chamado pela primeira vez ao conjunto principal num jogo a contar para a qualificação para o Europeu de seniores de 2008 frente a Portugal (triunfo da Seleção comandada por Luiz Felipe Scolari por 2-1), seguindo depois para o estágio da equipa Sub-21 que participou no Campeonato da Europa da categoria que começou com um empate sem golos também diante de Portugal. A ida às meias-finais (derrota com a Sérvia por 2-0) valeria também uma presença nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, onde a Bélgica falhou a medalha de bronze com uma derrota diante do Brasil. Entre Europeus e Mundiais, o defesa teve na Rússia, em 2018, o melhor resultado, chegando a um terceiro lugar, perdendo com a campeã França nas meias mas ganhando depois à Inglaterra naquela que é ainda hoje uma das maiores gerações do país.