Foi em setembro de 2012, no arranque da Premier League e com Arsène Wenger aos comandos. O Arsenal venceu o Liverpool em Anfield, com golos de Lukas Podolski e Santi Cazorla e Mikel Arteta a titular no meio-campo, mas o que o Arsenal não sabia é que nos 14 anos seguintes não voltaria a vencer o Liverpool em Anfield. Este domingo, porém, o mesmo Mikel Arteta que foi titular no meio-campo nesse dia queria voltar a mudar a história.

Vindo de uma semana difícil em que foi eliminado pelo modesto Fleetwood Town na quarta ronda da Taça da Liga, o Arsenal visitava o Liverpool e tinha um incentivo extra para além do facto de estar a disputar um clássico onde não sorria há 14 anos: o Manchester City tinha perdido com o Brighton, uma semana depois de também perder com o Aston Villa, o que significava que um triunfo contra os reds era também a garantia da liderança isolada dos gunners na Premier League.

“Todos os clubes de topo são candidatos ao título e estamos numa fase muito embrionária da temporada. Se olharmos para a equipa deles, para o treinador, para a história… Claro que são candidatos ao título. Estamos à espera de um grande jogo e estamos ansiosos, claro. São 14 anos sem ganhar lá, claro que está na hora de o fazer. É uma oportunidade. Quando cheguei aqui existiam muitos estádios onde não ganhávamos há 20, 22 anos, 18 anos. Temos conseguido acabar com isso e no domingo temos mais uma oportunidade”, atirou Mikel Arteta na antevisão da partida.

Assim e sem Bukayo Saka, que continua lesionado, o treinador espanhol lançava Christos Tzolis, Martin Odegaard e Noni Madueke no apoio a Kai Havertz, com Bruno Guimarães e Declan Rice no meio-campo e Viktor Gyökeres, Zubimendi e Eberechi Eze a começarem no banco. Do outro lado, num Liverpool que tinha a possibilidade de se colocar no terceiro lugar e aproximar-se de Manchester City e Arsenal depois de eliminar o Chelsea na Taça da Liga a meio da semana, Andoni Iraola tinha Alexander Isak como referência ofensiva, com Bradley Barcola, Florian Wirtz e Cody Gakpo nas costas, enquanto que Dominik Szoboszlai era suplente.

Num jogo que começou com muita intensidade, mas sem grandes oportunidades de golo, o Arsenal começou melhor e foi obrigando o Liverpool a recuar, forçando vários passes errados e construindo a primeira situação de perigo, com um remate de Declan Rice de fora de área que passou ao lado (15′). Logo a seguir, marcou mesmo: Madueke desequilibrou na direita, abriu em Rice e o inglês cruzou para o poste mais distante, onde Kai Havertz apareceu a desviar (16′).

Os reds reagiram bastante bem ao golo sofrido e subiram no terreno, empurrando os gunners para trás e criando fases de autêntico sufoco. Alexander Isak ficou muito perto de empatar já depois da meia-hora (36′), Florian Wirtz acertou na trave com um livre direto brutal (39′) e Mac Allister, já em cima dos descontos, falhou o alvo na cara de David Raya (43′). Ao intervalo, porém, o Arsenal estava a vencer o Liverpool em Anfield.

Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e a lógica manteve-se, com os reds a terem mais bola e os gunners sem grande capacidade para responder à superioridade adversária, jogando claramente com o resultado — ainda que, apesar disso, a equipa de Andoni Iraola continuasse sem remates enquadrados e a permitir algum conforto ao conjunto de Mikel Arteta. Iraola foi o primeiro a fazer substituições, lançando Szoboszlai à passagem da hora de jogo, e não demorou até colocar também Rio Ngumoha, com Arteta a trocar Bruno Guimarães por Lewis Myles-Skelly na mesma altura.

A partida foi ficando progressivamente mais simpática para os gunners, que nos últimos 25 minutos já respiravam com bola no meio-campo contrário e não tinham propriamente grandes sobressaltos defensivos. Christos Tzolis ficou muito perto de aumentar a vantagem com um remate rasteiro na área que Alisson defendeu (73′), Andoni Iraola ainda lançou Lewis Koumas, Víctor Muñoz e Tsimikas de uma vez e Mikel Arteta colocou Piero Hincapié, Gyökeres e Mikel Merino, mas já nada mudou.

O Arsenal venceu o Liverpool em Anfield 14 anos depois, recuperando um triunfo que não acontecia desde 2012, chegou à quarta vitória consecutiva na Premier League e assumiu a liderança isolada com mais três pontos do que o Manchester City, sendo que os reds estão agora a nove pontos dos gunners.