As duas berlinas de luxo da Maserati, o Ghibli, com 4,97 metros de comprimento e o Quattroporte, com 5,26 metros, passam a exibir uma versão topo de gama equipada com um motor capaz de fazer tremer a concorrência, sobretudo a alemã. Na essência, passam a montar um motor Ferrari, que já estava disponível no SUV Levante, procurando atrair os clientes que tradicionalmente compram os modelos RS da Audi, M da BMW e AMG da Mercedes.

O motor em causa é uma peça de ourivesaria, ou não fosse ele concebido e produzido em Maranello pela Ferrari, de onde é depois enviado para a fábrica da Maserati em Grugliasco, próximo de Turim. Aí o V8 é acoplado a uma caixa automática convencional de oito velocidades, com conversor de binário e instalado nas duas berlinas, com a potência a ser distribuída exclusivamente às rodas posteriores, sendo as quatro rodas motrizes, associadas a esta mecânica, específicas do Levante.

O V8 biturbo que equipa as versões Trofeo tem 3,8 litros e é fabricado na Ferrari

O motor V8 Ferrari é um 3.8 biturbo, com uma arquitectura muito similar ao utilizado no 488 Pista, mantendo o diâmetro dos cilindros (86,5 mm), mas reduzindo o curso de 83 para 80,8 mm, o que faz baixar a cilindrada de 3902 cc para 3799 cc. Não há mais pormenores sobre as diferenças entre as especificações deste V8 utilizadas pela Ferrari e Maserati, mas os dados apontam para uma menor pressão de sobrealimentação, bem como para uma gestão do motor mais calma, não só para garantir maior longevidade como também para assegurar uma condução mais suave, caso o condutor opte por um ritmo de passeio. Daí que o V8 montado em Turim debite um pouco menos de força (730 em vez de 770 Nm), mas a um regime mais favorável, pois se no 488 atingia um pico às 3000 rpm, nas berlinas Maserati mantém-se constante entre as 2500 e as 5000 rpm.

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Com a potência de 580 cv a ser atingida às 6250 rpm, contra os 720 cv/8000 rpm do 488, o Quattroporte e o Ghibli passam a alcançar 326 km/h, depois de passarem pelos 100 km/h ao fim de 4,5 e 4,3 segundos, respectivamente. Além da capacidade de aceleração, também o comportamento foi apurado, sobretudo quando o condutor opta pelo modo de condução Corsa, que reduz a intervenção das ajudas electrónicas e permite ritmos mais rápidos e divertidos.

É mais fácil distinguir as versões Trofeo das restantes pela sonoridade inebriante do V8 Ferrari, mas um olhar mais atento vai reparar nas barras verticais na grelha, nos elementos em fibra de carbono em alguns pontos da carroçaria e nos acabamentos em vermelho que surgem nas saídas de ar atrás das rodas anteriores.