De acordo com a imprensa chinesa, os responsáveis da Maserati chegaram a acordo com duas empresas chinesas para conseguir produzir dois veículos eléctricos de que a marca necessita para a sua gama, para que sejam simultaneamente mais sofisticados e competitivos. Referimo-nos a um SUV que substituirá o Maserati Grecale Folgore (a versão eléctrica), o qual disputará o mercado em simultâneo com o actual Grecale, cabendo a este último a defesa dos modelos com motores a combustão e híbridos.
Outra das criações que a Maserati quer lançar em breve no mercado é um sucessor do GranTurismo Folgore, um coupé de dimensões generosas, sendo simultaneamente eléctrico e potente. Não que faltem características de deixar boquiabertos os actuais clientes do GranTurismo Folgore, desde o facto de usufruir de 761 cv (fruto de montar três motores eléctricos com 408 cv cada, dois atrás e um à frente), passando pelo “pormenor” de possuir um sistema a 800V que torna possível recarregar rapidamente a bateria de 92,5 kWh de capacidade total (83 kWh úteis) a uma potência de 270 kW.
Todos estes argumentos tecnológicos permitem que o GranTurismo Folgore actualmente à venda nos stands da Maserati atinja 325 km/h e voe para lá dos 100 km/h em apenas 2,8 segundos, além de conseguir percorrer 542 km entre visitas ao posto de carga. Posto isto, será curioso ver até que ponto o próximo GT da Maserati conseguirá elevar de forma palpável este nível de prestações, mantendo, ainda assim, o preço na casa dos 200 mil euros.
As colaborações que a Maserati procurou na China foram-lhe garantidas pela Huawei e pela JAC, sendo a segunda uma empresa 100% controlada pelo Estado e a primeira uma companhia privada chinesa. A Huawei fornece a sua plataforma, denominada Harmony Intelligent Mobility Alliance (HIMA), que, por sua vez, é capaz de integrar o Qiankun, o sistema de condução autónoma da marca, bem como a tecnologia para motores eléctricos mais potentes e o cockpit inteligente, para melhorar a experiência de condução.
Na JAC, a Maserati procurou exclusivamente a capacidade de produção dos modelos de forma mais rápida e barata, ou seja, o chassis e a carroçaria. Mas para não ferir susceptibilidades, pois é altamente improvável que os clientes da Maserati quisessem pagar uma verba avultada por um eléctrico (ou não eléctrico) produzido na China, mesmo que com emblema do Tridente, a marca italiana teve que introduzir uma reviravolta. Daí que a JAC fabrique somente o carro, que depois viaja para Itália onde acaba de ser montado, recebendo tudo o resto, mesmo as peças e sistemas vindos da Huawei, que também são fabricados na China.
Escusado será dizer que tudo o que é design continua a ser assegurado pela Maserati, com o construtor a avançar que os novos modelos vão ser comercializados um pouco por todo o lado, mas os mercados onde pensa vender maior volume dos novos modelos são essencialmente o Médio Oriente, Alemanha, França e, claro está, o país da casa, a Itália. E os números provam que este recurso aos chineses faz sentido, pois em 2025 a Maserati vendeu apenas 7.900 unidades, bem abaixo (43%) das 11.300 comercializadas em 2024, além de ser o pior resultado nos últimos 15 anos.