O presidente da Câmara de Gaia quer que vários serviços de metrobus usem as futuras vias estruturantes do concelho para ligar todo o concelho às estações de metro da atual linha Amarela e futura linha Rubi, disse esta terça-feira aos jornalistas.

“As vias que temos desenhadas são vias que têm uma lógica. Por exemplo, todas as que vêm do litoral têm uma lógica de transversalidade, de virem de pontos diferentes do litoral para o interior da cidade e virem ligar a estações do metro”, disse esta terça-feira após uma sessão de apresentação da 2.ª revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Gaia, que decorreu nas Caves Ferreira.

O autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse que a futura Via de Ligação (VL) 1 “virá de Canidelo ligar à estação de metro da rotunda Edgar Cardoso” e a VL3 “virá, entre Madalena e Valadares, ligar à estação de metro de Santo Ovídio”.

“Estes tipos de ligações permitem que depois também as carreiras de autocarros de todo o litoral, que vão de Espinho até Canidelo, possam, parte delas, ser coordenadas para vir encontrar os metrobuses e através do metrobus vir ligar às estações de metro”, referiu.

Luís Filipe Menezes disse ainda que, para o interior do concelho, há “projetos semelhantes, mas a lógica é esta de tentar ligar transversalmente o interior ao litoral ao centro através de metrobus, ligando-os às estações de metro”.

O autarca gaiense disse ainda que conversou “muito vagamente” com o homólogo do Porto, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) sobre “um projeto verdadeiramente revolucionário e estrutural” para a Via de Cintura Interna (VCI).

“É um projeto que alteraria muito da qualidade da mobilidade, da qualidade de vida ambiental, eventualmente atrairia investimento, mas seria feio eu estar a abrir o jogo mais do que isso”, declarou aos jornalistas.

Questionado sobre se estaria em causa enterrar troços (como está previsto no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Porto) ou arborizar a VCI tornando-a uma avenida urbana, Menezes disse que o projeto teria “de tudo um pouco”.

Sobre o PDM de Gaia, o presidente da Câmara de Gaia disse estar “ao corrente” de uma possível penalização, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), quanto a uma revisão tardia do plano.

“Eu penso que agora [a penalização] foi deferida para o fim do próximo verão. Se [a revisão] dos PDM não estivesse concluída, tudo o que era território não urbano, para poder passar a urbano, passaria por tramitações muito mais lentas e muito mais complexas. Mas nós, pela nossa parte, estamos perfeitamente prevenidos”, garantiu.

De acordo com a apresentação feita esta terça-feira pela diretora de Planeamento da Câmara de Gaia, Liliana Cunha, a revisão do PDM prevê um aumento de mais de 14 mil fogos de tipologias familiares no concelho, 5.600 dos quais no interior, segundo “cálculos preliminares” feitos “por baixo”.

É também objetivo do PDM “requalificar o sistema de transportes e o padrão de mobilidade, desenvolvendo infraestruturas de transporte numa perspetiva de oferta multimodal e de qualificação ambiental”, visando a “transferência modal para o transporte coletivo e modos suaves”.

“Pretende-se também construir-se um conjunto de parques de estacionamento a implantar em zonas estratégicas”, nomeadamente “de interfaces”, para “rebatimento do transporte individual motorizado para outros modos”.

Está ainda prevista “a concretização da rede de ciclovias intermunicipais preconizadas no Portugal Ciclável 2030, instrumento de financiamento para o efeito” e planeada “a concretização de um terminal rodoviário” para autocarros turísticos, em face da “pressão que o transporte turístico coloca, sobretudo na zona do centro histórico”.

“Também prevemos localizar uma interface que poderá garantir a articulação com as redes de transporte para serviço interurbano, metropolitano e inter-regional, complementando a oferta do Terminal Intermodal de Campanhã”, no Porto.