Alberto Araújo, fundador da Associação Timorense em Portugal e que chegou a ser apontado como possível primeiro bispo timorense, morreu no domingo em Lisboa, dois dias depois de cumprir 82 anos, informou a família.

“É com grande tristeza que comunico o falecimento do meu pai, Alberto Araújo, ontem à tarde”, informou hoje a sua filha, Joana Araújo.

Natural de Aileu, a sul de Díli, Araújo estudou no Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Dare, em Díli, entre 1955 e 1961 e, posteriormente, no Seminário de S. José em Macau, tendo entre 1967 e 1977 sido bolseiro do então Governo da Província de Timor e da então Diocese de Díli em Roma onde concluiu o doutoramento em Filosofia.

José Nóbrega Ascenso, vice-presidente da Liga dos Amigos de Timor explicou à Lusa que Alberto Araújo chegou a ser “escolhido pelo Estado do Vaticano para primeiro bispo timorense de Díli”, mas, “por veto da representação diplomática da Indonésia junto da Santa Sé não veio a ser sagrado prelado”.

“Desgostoso, deixou Roma, veio para Portugal” onde foi professor de Filosofia do ensino secundário, tendo terminado a sua carreira docente na Escola Secundária Stuart de Carvalhais, em Massamá, Queluz.

Araújo, tio do atual bispo de Baucau, Basílio do Nascimento, criou em 1983 com alguns amigos a Associação Timorense, apostada na formação de quadros timorenses tendo militado ativamente na causa pela libertação de Timor-Leste durante a ocupação indonésia. Entre outras funções, foi membro da direção da Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona (Piscdil).

Mais recentemente e no âmbito da Academia das Ciências de Lisboa e da Piscdil promovia congressos, conferências e debates visando os quadros timorenses na diáspora, o regresso destes ao país e o seu contributo para o desenvolvimento de Timor-Leste.