Não vai haver crise política. Não vai haver dissolução da Assembleia da República. E os partidos vão ter de se entender sobre o Orçamento do Estado. É este o recado, bem direto, que Marcelo Rebelo de Sousa deixou ao Governo e à oposição. “O Presidente da República não vai alinhar em crises políticas”, disse o chefe de Estado, falando aos jornalistas durante uma visita à Feira do Livro de Lisboa, que se inaugurou esta quinta-feira. As declarações surgem na véspera do recomeço das negociações do Orçamento do Estado para 2021.

“Desenganem-se os que pensam que se não houver um esforço de entendimento vai haver dissolução do Parlamento no curto espaço de tempo que o Presidente tem para isso que é até ao dia 8 de setembro.” Marcelo Rebelo de Sousa referia-se a um eventual impasse nas negociações orçamentais que venham a abrir uma crise política. Para evitá-lo, deixou claro, é preciso que todos façam concessões.

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“Ninguém é obrigado a violentar a sua consciência, mas todos são obrigados a pensar no interesse nacional. Não contem com o Presidente para crises políticas”, voltou a frisar. “Em cima da crise da saúde e da crise económica, uma crise política era a aventura total”, sublinhou o Presidente da República, acrescentando que isso seria “uma bizantinice” que os portugueses não entenderiam.

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A solução é clara. “Negociar o que é preciso e fazer as concessões” para chegar a um orçamento que mesmo não sendo ideal nem ótimo, “seja o possível para o maior número”, argumentou o chefe de Estado.

“O que os partidos têm de fazer é dialogarem, falarem” e ver como é possível viabilizar um orçamento fundamental para os fundos estruturais que Portugal vai receber de Bruxelas. “A ameaça de crise política e ficção, é para romances”, defendeu Marcelo, quando “a realidade é que não nos podemos dar ao luxo dessas ameaças”.