Fascinante será um dos adjectivos que melhor descreve o mítico Citroën DS, popularizado entre nós como “boca de sapo”. Lançado em 1955, este carro catapultou a imagem da Citroën para os píncaros do luxo, rompendo por completo com os códigos estéticos da época, fruto de um estilo arrojado que conquistou a realeza por esse mundo fora.

À época, era difícil ficar indiferente ao produto nascido da colaboração entre o designer italiano Flaminio Bertoni e o engenheiro francês André Lefèbvre que, à imagem ousada, aliava algumas das melhores soluções técnicas à época. Recorde-se, a propósito, a vanguardista suspensão hidráulica com sistema de auto-nivelamento, que permitia enfrentar com o máximo conforto as mais variadas condições da estrada, pois o condutor podia baixar ou subir a distância do carro ao solo a seu bel-prazer. Mas o Citroën DS tinha outros detalhes impressionantes, atendendo a que é preciso recuar seis décadas. Era o caso, por exemplo, dos faróis com orientação em função da direcção ou a buzina com dois sons, para civilizar o apito em ambiente urbano.

Detalhes como os referidos e a inconfundível imagem do “boca de sapo” – que era tão avant-gard que, ainda hoje, parece actual – levam a que o Citroën DS, passados 65 anos, se mantenha como um objecto de inspiração. O designer automóvel Sang Won Lee não (lhe) resistiu e ousou apresentar uma reinterpretação moderna desse ícone do passado.

Olhando para a proposta de Won Lee, não há como não imaginar que se o “boca de sapo” regressasse nestes moldes, seria novamente uma lufada de ar fresco por entre os SUV que por aí pululam. Isto porque, exteriormente, se mantêm as linhas estruturais do carro antigo, com as alterações introduzidas a realçarem o carácter de um modelo que soube, como poucos, transcender no tempo. Acrescente-se a possibilidade de capitalizar esta imagem numa proposta 100% eléctrica e talvez valesse a pena a DS debruçar-se sobre a hipótese de resgatar o “boca de sapo”. Seria o rétro o novo chic?