A inspiração, nestes casos, é sempre a mesma. “Imaginando que o resultado é menos positivo… Teríamos oportunidade de retificar em casa, assim não. Como dizia o Scolari, é o ‘mata-mata’. Favoritismo? Temos que respeitar o adversário, sabemos que é uma equipa aguerrida, com jogadores lutadores”, disse António Silva Campos, presidente do Rio Ave, à partida para a Bósnia. Esta quinta-feira, contra o Borac, os vilacondenses discutiam a passagem à terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa — assim como o primeiro desafio de uma nova temporada.

Carlos Carvalhal saiu e chegou Mário Silva, treinador que conquistou a Youth League com o FC Porto, mas não foi a mudança técnica que mais se fez sentir na equipa — Nuno Santos rumou ao Sporting, Taremi mudou-se para o FC Porto, Al Musrati reforçou o Sp. Braga e o Rio Ave perdeu três das grandes referências do grupo que na época passada conseguiu superar o Famalicão e agarrar o quinto lugar da classificação. Como pontapé de saída da temporada, os vilacondenses deslocavam-se à Bósnia para disputar com o Borac uma segunda pré-eliminatória de acesso à Liga Europa a apenas uma mão: e sabendo desde logo que, em cenário de passagem, o adversário da próxima fase seria o Besiktas da Turquia.

“A nossa esperança é muito forte, será um jogo difícil contra uma equipa já habituada às competições europeias, mas nós também já temos experiência. Não podemos desvalorizar o adversário. É verdade, temos esse objetivo [de chegar à fase de grupos], o sorteio não foi muito favorável, além de jogarmos fora mais uma vez temos depois o Besiktas, com um orçamento que nem se compara ao nosso. Temos de acreditar. Estamos focados neste jogo, depois poderemos demonstrar o que valemos no próximo”, completou o presidente do Rio Ave, em pleno Aeroporto Sá Carneiro, no Porto.

Com Francisco Geraldes e Ivo Pinto, ambos reforços, e Carlos Mané e Lucas Piazon no onze inicial, o Rio Ave entrava em campo depois de uma noite atribulada — hospedados num hotel em Banja Luka, a cidade do Borac, os jogadores vilacondenses foram acordados de madrugada pelos sinos da igreja que ficava mesmo ao lado da unidade hoteleira. A primeira parte terminou sem grandes oportunidades: os bósnios aproximaram-se mais da baliza portuguesa durante o primeiro quarto de hora e o Rio Ave equilibrou a partida a partir daí, passando a construir com as linhas muito subidas. O conjunto de Mário Silva teve praticamente a totalidade da posse de bola na segunda metade do primeiro tempo mas não conseguiu transformar isso em ocasiões de golo e acabou por ir para o intervalo com o nulo no marcador.

Na segunda parte, o Rio Ave continuou a assumir a dianteira da partida mas continuava com o mesmo problema, que passava pela estagnação na faixa central. Os vilacondenses não estavam a conseguir lateralizar o jogo e exploravam pouco a profundidade nos corredores, circulando a bola de um lado pelo outro de forma previsível sem encontrar rasgos de criatividade. Mário Silva só mexeu quando faltavam cerca de 20 minutos para o final do tempo regulamentar, ao trocar Francisco Geraldes por Gelson Dala, e o impacto do jogador de 24 anos formado no Sporting foi quase imediato. Naquela que foi a melhor oportunidade do jogo até então, Dala cruzou a partir da esquerda e encontrou Piazon na grande área, que rematou de primeira para obrigar Pavlovic a uma grande defesa (76′). Logo depois, foi a vez de Tarantini forçar o guarda-redes a uma boa defesa, na sequência de um cabeceamento (79′). Em dois lances consecutivos, através da qualidade de Dala de um lado e Ivo Pinto do outro, o Rio Ave percebia que a exploração das alas era o segredo para abrir o marcador e desbloquear a defesa bósnia.

A equipa portuguesa aproveitou o desgaste do Borac para passar os últimos dez minutos totalmente dentro do meio-campo adversário e criar, finalmente, várias ocasiões de perigo consecutivas. O golo decisivo, que despoletou a alegria vilacondense na Bósnia, apareceu já nos instantes finais: Bruno Moreira desmarcou Gelson Dala, Pavlovic evitou o primeiro remate do jovem avançado mas Tarantini, na recarga, conseguiu empurrar para dentro da baliza (90′).

O Rio Ave segurou a vantagem durante os quatro minutos de descontos e ainda aumentou os números no marcador, graças a um golo de Jambor, que tinha entrado já no tempo adicional (90+6′). A equipa de Mário Silva ultrapassou um jogo duro na Bósnia contra o Borac e vai agora disputar a terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa contra o Besiktas, com o jogo a realizar-se na Turquia.