Depois de um fim de semana que teve duas quedas, uma qualificação na cauda da grelha de partida e uma corrida que acabou por culminar no segundo melhor resultado da carreira, Miguel Oliveira partiu para o Grande Prémio da Catalunha com expectativas. Voltou a cair nas sessões de treinos mas fez o terceiro melhor tempo e qualificou-se diretamente para a Q2, onde uma nova queda o atirou para 12.º do grid. No final de uma qualificação complexa, o piloto português estava “desapontado”.

“Foi uma qualificação difícil. Esta manhã [sábado], terminámos com uma boa sensação. Na qualificação, as condições mudaram um pouco e não estive confortável ao rodar com o pneu médio na roda da frente. Caí na minha volta mais rápida na qualificação e perdi um pouco de confiança”, começou por dizer o piloto da Tech3. “Estou um pouco desapontado mas domingo teremos uma longa corrida, que será muito difícil, pelo que espero fazer uma prova inteligente e chegar o mais próximo possível dos lugares da frente”, explicou Miguel Oliveira.

Miguel Oliveira chegou à última ronda de qualificação, voltou a cair e vai sair de 12.º no GP da Catalunha

Na Catalunha, com o português em 12.º, a pole-position era de Franco Morbidelli, da Yamaha, seguido de Fabio Quartararo e Valentino Rossi. Iker Lecuona, o colega de equipa de Miguel Oliveira na Tech3, era apenas 19.º. No arranque, Morbidelli segurou a liderança, Rossi ultrapassou Quartararo e o piloto português perdeu uma posição durante alguns segundos com uma largada sofrível — recuperando depois a 12.ª posição ainda antes do final da primeira volta. Dovizioso, o líder da classificação geral, foi abalroado por Zarco e ambos abandonaram a corrida logo nas curvas iniciais, num incidente que aconteceu muito perto de Oliveira.

O piloto português libertou-se de Aleix Espargaró, Nakagama e Brad Binder e agarrou o 10.º lugar, procurando em seguida aproximar-se de Bagnaia e Petrucci. Mais à frente, Quartararo ultrapassou Rossi e chegou à liderança da corrida na volta 9, deixando Morbidelli para trás — para o piloto francês da Yamaha, a vitória na Catalunha era não só uma vitória num Grande Prémio como também um salto para a liderança da classificação geral, beneficiando do abandono precoce de Dovizioso.

Já depois da queda de Pol Espargaró, Miguel Oliveira e Bagnaia envolveram-se numa luta acesa pelo décimo lugar e nesta altura já era possível depreender que o piloto português não conseguiria escalar muito mais do que isso. Na cabeça da corrida, Valentino Rossi caiu na curva 2 e falhou novamente o pódio 200 da carreira, com Joan Mir a aproveitar desde logo para ultrapassar Jack Miller e saltar para a terceira posição.

E foi precisamente na mesma curva 2 e numa altura em que seguia já na nona posição que Miguel Oliveira acabou por cair, abandonando desde logo o Grande Prémio da Catalunha sem conseguir terminar a corrida. Lá à frente, Álex Rins, da Suzuki, tirou Morbidelli do pódio e agarrou o terceiro lugar, Joan Mir, a outra Suzuki, já não deixou fugir o segundo e Fabio Quartararo, que já tinha sido o mais rápido na volta de aquecimento, confirmou o favoritismo e ganhou a etapa. O piloto francês de 21 anos salta assim para a liderança da classificação geral e torna ainda mais complexas as contas que vão culminar no campeão de Moto GP em 2020.