“Claro que andam todos a fazer bluff. Ninguém quer abrir uma crise”. Luís Marques Mendes resume assim as últimas semanas, com os avisos do Presidente da República a multiplicarem-se sobre a eventualidade de uma crise política saída da negociação do Orçamento do Estado para 2021. O comentador político e ex-líder do PSD considera que este cenário não é uma hipótese neste momento “porque todos os partido perdiam”.

No seu comentário habitual na SIC, Marques Mendes disse que apenas o Chega não perderia. “O PCP e o BE seriam os mais penalizados se houvesse eleições antecipadas. Seriam vistos como os parceiros da geringonça que falharam à chamada”. E para o “PSD e o CDS uma crise seria um susto. Era o adeus à liderança por parte de Rio e de Francisco Rodrigues dos Santos. Basta ver a sondagem do Expresso”. E, finalmente, o PS, que “sairia derrotado” porque voltaria a não ter a maioria absoluta, mesmo vencendo as eleições, ficando na mesma sem condições para governar.

Sondagem. Marcelo ganha à primeira volta. Chega seria o único beneficiado com crise política

A convicção de Mendes vem também de uma “reviravolta” de última hora, argumenta, apontando para o PCP que já tinha considerado estar fora das negociações mas que “entrou” outra vez. O comentador diz que os comunistas já “acertaram tudo o que é essencial” e que se “preparam para se abster no Orçamento do Estado”. “É o que está combinado”, diz o antigo líder do PSD. Um sentido de voto que não chega para a viabilização da proposta do Governo, mas que Mendes entende que vem tirar pressão da negociação.

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“Até agora o Bloco era o único interlocutor. Como era único, exigiu um preço muito alto. Agora, só tem duas opções: ou sai fora e vota contra; ou continua a negociar a abstenção mas vai ter de ceder nalgumas condições”, defendeu Marques Mendes no seu espaço de comentário televisivo.