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Um ano atípico, um mercado atípico, um último dia atípico. Se os últimos anos nos habituaram a encerramentos de janelas de transferências aborrecidos, sem grandes surpresas nem revelações, o mesmo não se pode dizer deste 5 de outubro. Cavani resolveu o futuro, Partey custou 50 milhões ao Arsenal, o Benfica conseguiu encontrar um central e o FC Porto ficou sem Alex Telles e Danilo: mas algumas das grandes histórias deste verão já começaram há largas semanas. Estas são as principais, com direito a quatro menções honrosas.

A novela do verão: a despedida do PSG no último dia do mercado e a opção pela camisola vermelha (que não a do Benfica)

A estabilidade desportiva é fundamental. E todos nós benfiquistas temos de contribuir para que o Benfica seja campeão e ganhe a Liga Europa. É isso que farei enquanto presidente, criando condições para que Jorge Jesus ganhe mais. Não andarei um mês atrás de um fantasma”, João Noronha Lopes

Edinson Cavani esperou pelo último dia do mercado de transferências para fazer aquilo que há meses sabia ter de fazer: despedir-se do PSG. Num vídeo publicado no Instagram, o avançado uruguaio assumiu essa demora e explicou que não quis deixar as últimas palavras ao clube quando os franceses ainda estavam a competir na Liga dos Campeões.

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“Bom dia, Paris, bom dia a todos. Estou aqui para vos agradecer. Depois de algum tempo, sim, é verdade. Às vezes, é bom deixar passar algum tempo, deixar a cabeça descansar e assim existem menos hipóteses de criar situações negativas. Os meus companheiros ficaram em Paris e continuaram a competir, pelo que não era bom falar nessa altura. Vocês, adeptos, que deram o vosso coração gentilmente. É um amor que cresceu com o tempo, mas é algo que foi muito importante para mim. Quando há sacrifícios, mais trabalho, mais resultado, é possível criar esse amor. Isso faz com que fique feliz, porque vai ficar. Todos os momentos que passámos juntos. Os bons, mas também os menos bons. Isso também faz parte da vida. Obrigada às pessoas que trabalham no clube, que fizeram as coisas por mim e com carinho. Isso também é importante. Isso vai ficar na minha cabeça e no meu coração, mas a vida continua. É o futebol e, às vezes, a vida, é assim. Não posso dizer muito mais. Obrigado, obrigado mais uma vez. Fiquei muito orgulhoso, de vos defender durante sete anos. Obrigado aos adeptos, obrigado a todos em Paris, um grande beijo a todos vocês”, disse Cavani.

O tão aguardado adeus apareceu no dia em que o avançado uruguaio acertou os últimos detalhes com o Manchester United, realizou os testes médicos pelos red devils e foi ainda anunciado pelo clube inglês, num acordo de uma temporada com opção de renovação por mais uma. Cavani vai assim reforçar a equipa de Solskjaer e ser, finalmente, o avançado-centro de raiz que o clube de Old Trafford não tem desde que Lukaku foi para o Inter, tapando o lugar com um adaptado Martial.

Mas antes, Cavani esteve quase a ser reforço do Benfica. Numa novela que durou várias semanas, o avançado uruguaio aproximou-se e afastou-se dos encarnados, foi interpretado como um trunfo de campanha por parte dos adversários de Luís Filipe Vieira nas eleições e deu horas e horas de discussão nos programas televisivos. No final, sem que nenhuma explicação acabasse por ser dada, Cavani não veio para Portugal – provavelmente, pelos encargos salariais que exigia.

A hipótese Atl. Madrid chegou a estar em cima da mesa mas caiu por terra quando os colchoneros perceberam que a possibilidade de contratar Suárez era mesmo viável. Desta forma, a opção Manchester United ganhou força e Cavani é mesmo o último nome a entrar nas contas de Solskjaer – depois de o Benfica ter acabado por falhar a investida pelo uruguaio e ter encontrado uma alternativa num compatriota, Darwin.

Os mais de 250 milhões do Chelsea: entre o “roubo” ao Liverpool, o prodígio que todos queriam e o centralão a custo zero

Somos um clube diferente. Somos diferentes dos nossos rivais porque eles são propriedade de países ou de oligarcas. Tivemos sucesso porque somos o clube que somos. Não podemos mudar isso na noite para o dia e querer comportar-nos como o Chelsea. Nestes tempos que vivemos, para alguns clubes parece menos importante o quão incerto é o futuro porque são propriedade de países ou de oligarcas”, Jürgen Klopp

Foi assim que, há algumas semanas, Jürgen Klopp comentou a política de contratações no mercado de transferências que encerrou esta segunda-feira. Impedido de ir ao mercado no verão passado, depois de ter sido sancionado pela FIFA por infrações nas regras das transferências internacionais de jogadores menores de 18 anos, o clube londrino decidiu compensar o tempo perdido e gastou cerca de 250 milhões de euros.

Entre contratações menos sonantes, como o guarda-redes Mendy que chegou do Rennes ou o lateral Ben Chilwell que estava no Leicester, o Chelsea venceu a corrida por Timo Werner, superiorizou-se no assédio a Kai Havertz e ainda bateu a concorrência pela garantia a custo zero de Thiago Silva. Mas vamos por partes.

Não vai para o Bayern, não vai para o Liverpool, vai para o Chelsea. E Timo Werner quer abdicar da Champions para ir para Londres em julho

Werner, avançado alemão de 24 anos, esteve muito perto de assinar pelo Liverpool – até pela relação de proximidade que parecia ter com Klopp, tendo até mantido uma conversa por vídeoconferência com o treinador durante a quarentena. No fim, foi o Chelsea a dar 55 milhões de euros ao RB Leipzig por Werner, com o jogador a acrescentar que uma outra conversa com o outro técnico – Lampard, claro – foi a chave para escolher Stamford Bridge em vez de Anfield Road. Opção regular desde que está disponível, o alemão até abdicou de disputar a final eight da Liga dos Campeões com o RB Leipzig para se juntar ao Chelsea logo em julho e parece ser a escolha primordial de Lampard para o ataque. Já se estreou a marcar, contra o Tottenham e na Taça da Liga, e é a aposta dos blues para os próximos anos.

Havertz, outro alemão mas de apenas 21 anos, foi um dos protagonistas desta janela de mercado – não necessariamente pela indecisão sobre um destino mas pelo facto de ser pretendido por meia Europa. Apesar disso, o Chelsea não precisou de grandes novelas para garantir a contratação ao Bayer Leverkusen, a troco de 80 milhões mais 20 em variáveis, tornando o médio alemão o jogador mais valioso a chegar ao clube. Responsável por 38 golos no clube alemão nas duas últimas épocas, Havertz é uma das grandes promessas do futebol europeu e tem sido também uma opção frequente de Lampard no onze inicial neste início de temporada. Estreou-se a marcar logo com um hat-trick, contra o Barnsley, na Taça da Liga.

Chelsea v Crystal Palace - Premier League

Thiago Silva chegou a Londres a custo zero e já se estreou pela equipa de Lampard

Silva, que disputou a final da Liga dos Campeões pelo PSG em Lisboa no passado mês de agosto, já tinha o destino traçado. Já se sabia, antes ainda do final da época, que o jogador brasileiro não ficaria em Paris mais tempo – a indecisão pairava entre terminar a carreira ou aceitar um novo desafio. A segunda opção, muito engrossada pela oportunidade de jogar pela primeira vez na Premier League, foi a escolhida. O central de 36 anos, um dos jogadores mais titulados ainda no ativo, mudou-se a custo zero para Londres e até já protagonizou o primeiro erro, sendo responsável por um dos golos do West Bromwich no empate do Chelsea contra a equipa de Matheus Pereira. Este sábado, porém, redimiu-se com uma exibição certeira na goleada contra o Crystal Palace, deixando acreditar que a dupla que forma com Zouma será a eleita de Lampard para o eixo da defesa.

Por fim, Édouard Mendy, guarda-redes de 28 anos que estava no Rennes, chega para corresponder à pouca confiança que Lampard parece ter em Kepa, enquanto que o lateral Ben Chilwell é um bom reforço para o setor mais recuado – e até já se estreou a marcar e a assistir, este sábado, na goleada ao Crystal Palace em que foi titular.

A substituição direta: Pjanic trocou Ronaldo por Messi, Arthur trocou Messi por Ronaldo

O Barcelona é um dos maiores clubes do mundo e fazer parte dele é o momento mais alto de qualquer jogador. Para mim, é um sonho que se torna realidade. Estou feliz e orgulhoso. Não só por mim, mas pelos meus pais, pela minha família e por toda a Bósnia-Herzegovina”, Miralem Pjanic

Uma troca já há muito confirmada, já há muito anunciada mas que não deixa de ser uma das mais relevantes deste mercado. Juventus e Barcelona uniram esforços para trocar de médios: o bósnio rumou à Catalunha por 60 milhões, o brasileiro custou 72 aos italianos. Valores que não deixam de causar estranheza pela experiência de um e de outro e pela importância que cada um tinha nas equipas que deixaram.

Antes de chegar à Juventus, em 2016, Pjanic já tinha na bagagem uma temporada no Metz, três no Lyon e cinco na Roma. Em quatro anos em Turim, fez sempre mais de 40 jogos por época, marcou 22 golos e conquistou quatro vezes a Serie A, duas vezes a Taça de Itália e uma vez a Supertaça Italiana. Mesmo tendo perdido alguma influência no ataque com a chegada de Cristiano Ronaldo, recuando alguns metros no relvado, o bósnio foi sempre opção primordial de Allegri e Sarri e um dos elementos mais importantes dos bianconeri. O mesmo não se pode dizer de Arthur no Barcelona.

FC Barcelona v Sevilla FC - La Liga

Pjanic deixou a Juventus, onde jogava com Ronaldo, e mudou-se para o Barcelona, onde joga agora com Messi

Com 24 anos atualmente, o médio chegou à Europa há dois, vindo do Grémio e logo para jogar no Barcelona. Participou em 44 jogos na época de estreia, não marcou qualquer golo e no ano passado esteve apenas em 28 partidas, assinando quatro golos. Sofreu sempre com o overbooking do meio-campo catalão e até com a mudança de treinador a meio da época – Ernesto Valverde saiu, chegou Quique Setién –, acabando perdido no meio de um ano em que pouco ou nada correu bem ao Barcelona. Internacional e tido como um dos grandes talentos da mais recente geração sul-americana, Arthur pode explodir na Juventus e mostrar que a diferença do valor pago por Pjanic tinha, afinal, uma explicação: mas, por agora, não deixa de parecer que o bósnio vai fazer mais falta em Itália do que o brasileiro em Espanha.

As movimentações de quem não se mexia há algum tempo: e o salto de Diogo Jota

É um momento realmente entusiasmante para mim e para a minha família. Com todo o meu percurso desde miúdo e agora, juntar-me a um clube como o Liverpool, os campeões do mundo, é só inacreditável. Só quero começar. É uma das melhores equipas do mundo — a melhor, neste momento, porque são campeões mundiais (…) Era impossível dizer que não. Só quero vir para aqui, dar o meu melhor e tornar-me uma boa opção para o Liverpool no futuro”, Diogo Jota

Klopp acusou o Chelsea, queixou-se das limitações financeiras impostas pela pandemia mas acabou por deixar entre linhas que tudo não passava de um recado para a direção do Liverpool. Depois de, no verão passado, não ter visto nenhum reforço chegar ao plantel, o treinador alemão contentou-se com Minamino, que veio do RB Salzburgo em janeiro, e existia a ideia subliminar de que os reds voltariam a não ser protagonistas de grandes movimentações este ano. Quem apostou nesta tese, porém, acabou por perder dinheiro.

Thiago Alcântara, tal como Thiago Silva, jogou a final da Liga dos Campeões em Lisboa numa altura em que já se sabia que dificilmente ficaria no Bayern Munique. Ao contrário de Thiago Silva, conquistou a Liga dos Campeões e tirou uma fotografia já icónica que vai constar em todos os álbuns da competição europeia no futuro. Pouco depois, escolheu o destino, acertou pormenores com o Liverpool, viu os alemães aceitarem 22 milhões de euros pela transferência e rumou à primeira aventura na Premier League. Aos 29 anos, tem toda a capacidade para se tornar um elemento fulcral no meio-campo da equipa de Klopp e logo na estreia, contra o Chelsea, mostrou que dificilmente não terá lugar cativo no onze inicial: entrou ao intervalo, fez 75 passes certos e tornou-se o jogador com maior eficácia de passe numa parte na Premier League desde que a plataforma Opta começou a produzir estatísticas, em 2003.

Diogo Jota deixa o Wolverhampton e reforça o Liverpool por 50 milhões: mas outro português pode estar a caminho da equipa de Nuno

Com Thiago já assegurado, parecia que a incursão do Liverpool neste mercado estava fechada. Mas a maior surpresa ainda estava para chegar. Diogo Jota, que compreensivelmente já nem foi opção de Nuno Espírito Santo no Wolves neste início de temporada, mudou-se para Anfield a troco de quase 50 milhões de euros e tornou-se a nova opção de Klopp para o ataque e a mais recente alternativa ao trio Mané-Salah-Firmino. O avançado internacional português estreou-se a marcar pelo novo clube contra o Arsenal e tem até sido o eleito para o onze inicial, já que Mané testou positivo para a Covid-19 e tem estado indisponível.

Os 400 milhões que Guardiola já gastou em defesas: e mais um português a vestir de azul em Manchester

Ele fez a estreia depois de apenas dois treinos e diante desta equipa, o Leeds, não é nada fácil para começar pela dificuldade que apresenta. Mas ele foi fantástico. Deu-nos sensações de maturidade e liderança na linha defensiva, sabendo aquilo que temos de fazer”, Pep Guardiola

Que Guardiola gosta muito de defesas, já todos sabiam. Que Rúben Dias seria o jogador em que Guardiola iria gastar outras dezenas de milhões, acabou por ser o PAOK a decidir. Depois da surpreendente eliminação precoce da Liga dos Campeões, os encarnados viram-se obrigados a ceder um dos jogadores mais importantes da equipa para encaixar um valor substancial e viram o central português sair para o Manchester City por 68 milhões de euros (num negócio em que Otamendi acabou por rumar à Luz por 15 milhões).

Rúben Dias estreou-se logo como titular, num jogo contra o Leeds que acabou em empate, e mereceu muitos elogios do treinador espanhol: que na época passada acabou por adaptar frequentemente Fernandinho, médio de raiz, por não poder contar com Laporte e ter apenas John Stones e o jovem Eric García para atuar no eixo defensivo. O internacional português não foi, contudo, o único investimento que o Manchester City fez para o centro da defesa.

Rúben Dias sai para o Manchester City, Benfica encaixa 60 milhões e recebe Otamendi, que regressa a Portugal

Nathan Aké, central holandês de 25 anos, chegou do Bournemouth por um valor a rondar os 40 milhões de euros e parece ser uma grande aposta de Guardiola para o setor mais recuado do City, até pela experiência de Premier League que já traz das últimas dez temporadas. E em resumo, o treinador espanhol já gastou 400 milhões em nove defesas desde que aterrou em Manchester: Aké, Rúben Dias, Danilo, Laporte, Stones, Mendy, Angeliño, Walker e Cancelo.

O regresso de Bale, a surpresa Vinícius, o confiável Doherty: os passos certos de Mourinho

Era altura de uma mudança. Queria mudar há algum tempo, mas não se tinha materializado. Este clube significa muito para mim, deu-me as oportunidades e senti que era uma boa altura para voltar. Sinto que o clube está numa boa direção e queria fazer parte disso. Quero apenas desfrutar do meu futebol”, Gareth Bale

Há muito que o Tottenham não tinha tanta presença no mercado de transferências. José Mourinho termina a janela com um balanço de cinco contratações relevantes – e três, pelo menos, entraram diretamente para o onze inicial. Matt Doherty, que chegou do Wolves, chegou por quase 17 milhões de euros e já é titular na direita da defesa, onde Aurier foi responsabilizado por muitos erros na época passada; Reguilón, que conquistou a Liga Europa com o Sevilha e saiu depois por 30 milhões, também já parece ser a opção primordial para a esquerda da defesa, onde Ben Davies perde espaço; e o dinamarquês Højbjerg deixou o Southampton por cerca de 17 milhões e entrou de estaca para o meio-campo dos spurs.

No ataque, Carlos Vinícius vai juntar-se a Son, Moura e Kane por empréstimo do Benfica mas a estreia mais antecipada deve acontecer depois da pausa para os compromissos internacionais, segundo Mourinho: sete anos depois de rumar a Madrid, Gareth Bale regressou ao Tottenham por empréstimo e fechou finalmente uma das grandes novelas no futebol europeu nos últimos anos.

“Bale is back”: Tottenham confirma regresso de Bale e contratação de Reguilón e Mourinho tem dois reforços num dia

A grande saída era para ser outra mas foi Suárez a deixar um vazio em Camp Nou

Vai ser estranho ver-te com outra camisola e muito mais jogar contra ti. Merecias ter tido uma despedida pelo que és: um dos jogadores mais importantes da história do clube, conquistando coisas importantes tanto em grupo quanto individualmente. E não teres sido expulso como fizeram. Mas a verdade é que nesta altura nada me surpreende. Desejo-te tudo de bom neste novo desafio. Até breve, amigo”, Leo Messi

Terceiro melhor marcador da história do Barcelona, internacional uruguaio, dono de um lugar cativo no ataque catalão nos últimos anos. Luis Suárez soube que não era opção para Ronald Koeman assim que o holandês chegou a Camp Nou e acabou por tornar-se a grande saída do clube este verão depois de semanas em que estava praticamente certo que esse protagonismo pertenceria a Messi.

Teve tudo praticamente acertado com a Juventus, as negociações congelaram devido aos timings para a obtenção do passaporte italiano – devido à ausência de vagas para estrangeiros na equipa de Cristiano Ronaldo – e foi necessário encontrar uma solução a nível interno. O destino foi o Atl. Madrid, de onde saiu Morata precisamente para regressar à Juventus, e Suárez juntou-se a Diego Costa e João Félix no ataque dos colchoneros por seis milhões de euros. A estreia não podia ter sido melhor: o uruguaio entrou já na segunda parte do jogo contra o Granada, fez uma assistência, marcou dois golos e deixou uma marca clara na goleada da equipa de Simeone. A partir daí, agarrou um lugar no onze, ao lado de Félix, e é a grande contratação do ano por parte do Atl. Madrid.

Dois golos, uma assistência: a estreia impressionante de Suárez numa goleada do Atlético em que João Félix também marcou

50 milhões para levar um “patinho feio”: e o início da revolução Arteta

Eles têm um novo projeto com o Mikel Arteta. Acho que este clube merece brilhar novamente e quero fazer parte desse projeto. Fazer parte da família do Arsenal é incrível”, Willian

Estava em Madrid desde 2015 mas foi sempre visto como o patinho feio do meio-campo da equipa. Só na última temporada, e mesmo num ano em que o Atl. Madrid ficou algo aquém de tudo aquilo a que se tinha proposto, é que Thomas Partey acabou por ser visto como um dos elementos fulcrais no coração do conjunto de Simeone, a par de Koke e Saúl. Não foi uma surpresa, portanto, que o internacional ganês tenha surgido como a opção preferencial do Arsenal na hora de reforçar o setor intermédio dos gunners.

Atletico de Madrid v Villarreal CF - La Liga Santander

Partey é reforço do Arsenal depois de cinco anos em Madrid, Torreira faz o percurso inverso

Esta segunda-feira, o último dia do mercado tanto em Inglaterra como em Espanha, o Arsenal bateu os 50 milhões de euros da cláusula de Partey e assegurou a contratação do médio – com Lucas Torreira a realizar o percurso inverso para reforçar o setor intermédio dos espanhóis. Além de Partey, o Arsenal assegurou ainda o central Gabriel Magalhães, o médio ex-Chelsea Willian e o defesa Saliba, para além da renovação de Aubameyang, e foi um dos clubes mais pragmáticos deste verão.

O adeus do último símbolo da época quase perfeita do Ajax

Não há palavras para descrever esta oportunidade de me mudar para um clube desta magnitude. Resta-me agradecer ao Ajax, clube com o qual vou ter sempre uma relação especial, e dar um passo em frente na minha carreira”, Donny Van de Beek

De Jong saiu para o Barcelona, De Ligt rumou à Juventus, Ziyech assinou pelo Chelsea ainda em fevereiro. Van de Beek, médio de 23 anos, tornou-se um dos poucos símbolos do Ajax que em 2019 chegou às meias-finais da Liga dos Campeões que permaneceu em Amesterdão. Ao fim de uma época – em que acabou por confirmar os bons indicadores da temporada de explosão –, escapou aos rumores de uma eventual viagem para o Real Madrid e acabou por assinar pelo Manchester United.

Os red devils pagaram 39 milhões de euros pelo médio holandês mas a verdade é que Van de Beek vai precisar de espaço e tempo para se afirmar em Old Trafford: com Bruno Fernandes naturalmente titular, Pogba e Matic têm sido os eleitos de Solskjaer para o onze e Fred e McTominay continuam a contar com a confiança do norueguês enquanto alternativas. O holandês ainda não foi titular e só tem usufruído de alguns minutos já na segunda parte das partidas e vai precisar de ritmo para se ambientar à intensidade da Premier League.

Koeman tentou levar Van de Beek para o Barcelona mas o médio holandês é o primeiro reforço do Manchester United

Já nas últimas horas do mercado, esta segunda-feira, o Manchester United encontrou um companheiro para Van de Beek e assegurou a contratação de Alex Telles, que chega do FC Porto a troco de cerca de 15 milhões de euros para ocupar uma posição onde Luke Shaw é normalmente alvo de muitas críticas. Por fechar ficou Jadon Sancho, que era um dos alvos dos ingleses desde o início do mercado mas fica mesmo no Borussia Dortmund, e também Jack Grealish, alternativa ao médio dos alemães que acabou por renovar com o Aston Villa.

As menções honrosas, entre novas vidas, novos desafios e até novas nacionalidades:

  • James Rodríguez: Depois de alguns anos de indefinição entre Real Madrid e Bayern Munique, reencontrou Carlo Ancelotti no Everton e é titular indiscutível da equipa que atualmente lidera a Premier League, levando já três golos esta época;
  • Danilo: O mercado em Portugal só fecha esta terça-feira mas a ida de Danilo para Paris ficou encerrada ainda no fim de semana. Médio de 29 anos reforça o PSG e tem o primeiro desafio internacional, representando um encaixe de 20 milhões de euros aos dragões mas deixando Sérgio Conceição com poucas opções para o meio-campo;
  • Darwin e Todibo: Tido como o herdeiro de Suárez e Cavani no Uruguai, Darwin chegou ao Benfica vindo do Almería por 24 milhões de euros e tornou-se não só a contratação mais cara da história dos encarnados como também da Primeira Liga. Tem sido opção inicial por parte de Jorge Jesus mas ainda não se estreou a marcar, fazendo a diferença com várias assistências para golos; já Todibo, acabou por ser a alternativa que o Benfica encontrou na impossibilidade de contar com Rúben Semedo. O central francês chega do Barcelona por empréstimo de uma temporada e os encarnados venceram a corrida com o Fulham e o Bolonha;
  • Sergiño Dest: Nélson Semedo saiu para o Wolverhampton e o Barcelona apostou no lateral de 19 anos para ocupar a vaga que o jogador português deixou na defesa. O jovem ex-Ajax é o mais recente nome do american dream que invadiu o futebol europeu e estreou-se este domingo pelos catalães, no empate frente ao Sevilha, tornando-se o primeiro norte-americano de sempre a representar o Barcelona.