O Centro de Portugal está repleto de uma beleza única, de Aldeias que convidam a passeios onde o contacto com a Natureza é constante; a caminhadas onde a simbiose entre o Homem e a Natureza é imediata; a piqueniques que pedem tardes solarengas, a passeios por mais Aldeias com o chapéu de chuva aberto enquanto se admira a beleza que o tempo mais nublado traz a muitos locais, entre outras atividades que nos enchem a alma. É também no Centro de Portugal que encontramos as 12 magníficas Aldeias Históricas de Portugal, que são dotadas de uma beleza incomparável e que merecem, cada uma delas, uma visita. Nós fomos conhecê-las – às 12:

Castelo Novo

Começamos a nossa roadtrip bem cedinho, viajando com os primeiros raios de sol até Castelo Novo, perto do Fundão. Em plena Serra da Gardunha, a principal atração desta aldeia é o Castelo situado a 650m de altitude, por baixo da qual cresceu a vila ao abrigo da fortificação templária.

Aqui, percorra as ruas empedradas e conheça os locais que formaram o centro da vila: o pelourinho e a antiga Casa da Câmara, um edifício com propósitos administrativos, mas construído com arquitetura românica no tempo de D. Dinis.

Existem muitas igrejas e capelas históricas em Castelo Novo – nós optámos por visitar a Igreja de Nossa Sra da Graça, construída em 1732 sobre as ruínas de um antigo templo.

A não perder é a Galeria de Arte Manuela Justino, uma pintora e escultora natural de Castelo Novo e que foi considerada uma das artistas mais originais da 2ª metade do séc.XX. No piso inferior é possível ver uma seleção de obras da artista. Já no piso superior, vai encontrar o espaço certo para uma atividade em família: numa sala encantada com fantoches animados, e espaço para a criatividade. O Atelier de Histórias Criativas, um projeto das Aldeias Históricas de Portugal, é um espaço de workshops de construção de bonecos e “Horas do Conto”, onde se ouvem as lendas da região, contadas pelas próprias crianças.

Idanha-a-Velha

De seguida, partimos para Este para voltarmos a Idanha-a-Velha, um dos mais famosos locais da Beira Baixa, pelas inúmeras ruínas ali conservadas, resistentes a várias épocas diferentes.

Espreitámos tanto a Igreja Matriz, que contém um importante conjunto de arte sacra e fica bem no centro da vila, onde há que parar para comprar um petisco local, como a Sé Catedral – uma notável peça arquitetónica de arte moçarabe que atesta a vitalidade da cidade também na época em que foi ocupada por muçulmanos.

Interessante também é ver os vestígios da vida diária que ainda perduram: o forno comunitário revestido a granito, e o lagar de varas, onde se produzia azeite. Mas para ficar com a verdadeira noção de como esta aldeia foi viva em várias épocas e com vários povos, é visitar o Arquivo Epigráfico, onde várias peças recuperadas ao longo de vários projetos arqueológicos estão expostas e são contextualizadas através de tecnologia multimédia.

À saída, não resistimos em atravessar a Ponte Velha, que data do tempo dos romanos, e cujas várias reformas feitas, durante os tempos medievais e modernos, a mantêm um ícone da aldeia.

Monsanto

Bem perto de Idanha-a-Velha, encontramos Monsanto – uma aldeia construída e aninhada nas rochas. O primeiro ponto de interesse é assim que estacionamos o carro: o Baluarte, um espaço dedicado a defender uma fortificação com artilharia. É assim chamado devido à sua inspiração militar na arquitetura, que puxa a imaginação para cenas de combate, apesar de não haver registos históricos que o confirmem.

Não obstante a beleza encantadora das ruelas da aldeia, o verdadeiro desafio de Monsanto está na subida até ao Castelo. Pelo caminho irá encontrar as várias capelas que ornam o castelo: a capela de S. Pedro de Vir-a-Corça e a Capela de S. Miguel, uns dos últimos vestígios do estilo românico nacional.

Da Capela de S. João, restam apenas vestígios, é agora um miradouro para contemplação da paisagem por baixo do seu arco triunfal – um dos momentos com mais potencial de instagram da viagem – antes de chegar ao castelo, onde terá uma vista desimpedida sobre a região e satisfação de saber que superou o desafio da subida.

Outro ponto de interesse que a muita gente poderá agradar em Monsanto é a Torre de Relógio, que traz uma vista estonteante desta Aldeia Histórica.

Sortelha

Aproximamo-nos da “sombra” da Serra da Estrela para conhecer Sortelha. Entrar na porta da vila é um pouco como passar nas portas do tempo: Sortelha é uma das Aldeias Históricas mais antigas e mais bem preservadas pelo tempo. Percorra as ruelas e depare-se com todos os elementos característicos: as casas, igrejas, o pelourinho e o Hospital da Misericórdia, um dos poucos locais em ruínas, e as lojas de artesãos onde ainda pode comprar recordações ou objetos feitos à mão. Suba à torre do castelo e percorra a muralhas livremente, como se o castelo fosse seu, e visite a torre sineira. Se for como nós, e encontrar o campanário errado primeiro, não se preocupe! Há aí um pequeno bar e esplanada onde pode recuperar energia com uma vista fantástica.

E até na paisagem, a Aldeia de Sortelha surpreende: há várias esculturas naturais nas pedras, causadas pelo vento e a erosão, como a “Cabeça de Velha”, que lembra um rosto envelhecido pelo tempo, e o “Beijo Eterno”, duas rochas que se tocam recortando a paisagem, e que evocam a representação de um beijo de amantes apaixonados – e que têm uma lenda para o provar.

Belmonte

De seguida, seguimos para Belmonte que, como o próprio nome indica, foi construída num monte de beleza irrefutável. Um dos pontos inegáveis da vila é, sem dúvida, o castelo de Belmonte. Extremamente bem conservado, devido a vários restauros depois de incêndios, é também um local de cultura: em 1992, foi integrado no seu anterior um anfiteatro destinado à apresentação de espetáculos.

No centro da vila, vai encontrar os antigos paços de concelho e pelourinho, existentes desde o séc. XV. Também no centro, a Igreja Matriz tem um chamariz irresistível: num retábulo lateral encontra-se uma imagem de Nossa Senhora da Esperança que dizem ter acompanhado Pedro Álvares Cabral na sua descoberta do Brasil.

Pedro Álvares Cabral é o mais famoso nativo de Belmonte – podemos encontrar a sua estátua numa das artérias principais da vila, e visitar a Igreja de Santiago, erguida pelos seus antepassados, e o Panteão dos Cabrais – o local onde se encontram depositadas as cinzas do descobridor português e alguns membros da sua família.

Também a antiga casa dos Cabrais foi tornada num espaço cultural: atualmente alberga a Biblioteca e o Arquivo Municipal, e no seu logradouro foi construído o Museu dos Descobrimentos, um museu interativo dedicado aos Descobrimentos e, em particular, a Descoberta do Brasil.

Não podíamos deixar Belmonte sem visitar um dos seus monumentos mais enigmáticos: Centum Cellas, uma torre de dois andares que se sabe agora ter sido uma vila romana, mas que, durante anos, a sua funcionalidade foi interpretada de formas diferentes por vários investigadores – templo ou prisão? – e objeto de curiosidade de muitos.

Castelo Mendo

Continuamos a nossa viagem, subindo pelas zonas mais próximas à fronteira, até chegarmos a Castelo Mendo. Apesar de haverem sinais de ocupação anterior, Castelo Mendo é uma aldeia de origem e construção predominantemente medieval, como notamos imediatamente ao entrarmos na porta da vila, ladeada por dois torreões.

Na praceta principal encontramos o pelourinho e a igreja matriz – um edifício cuja existência está documentada desde 1320, e que ao longo dos tempos foi sendo renovada – acrescentaram, por exemplo, a torre sineira – e que ainda hoje é local de culto.

Mas uma das maiores atrações da aldeia são as Ruínas da Igreja de Santa Maria do Castelo – suba até ao topo da aldeia, e caminhe pelas paredes ainda existentes de uma capela românica datada do século XIII.

Almeida

Rumamos de seguida a Almeida, umas das mais impressionantes fortalezas portuguesas. Visto de cima, a sua forma de estrela de doze pontas constitui um dos mais espetaculares exemplares europeus dos sistemas defensivos abaluartados do século XVII.

Entramos pelas portas duplas de São Francisco da Cruz – a porta exterior é do séc. XIX, mas a Interior contém o portal monumental do séc. XVII -, e deixamo-nos levar pelas ruas desta fortificação. Visitamos o Centro de Estudos de Arquitetura Militar, que visa estudar a construção da fortaleza e do encontro entre a vida militar e civil nas suas ruas, bem como o Baluarte de S. João de Deus. Também é conhecido por “Casamatas” devido a ser constituído por 20 compartimentos abobadados, onde a população se escondia quando havia um ataque à praça. Hoje, foi convertido em museu – em cada compartimento vai encontrar a história de Almeida nas diferentes batalhas e guerras que a marcaram.

Mas estes espaços não foram os únicos que se converteram ao longo do tempo e valem a pena visitar: a Igreja da Misericórdia foi um hospital militar no séc. XVIII, e o Picadeiro D’El Rey era originalmente um trem de artilharia e arsenal, destruído em bombardeamentos no séc. XIX, sendo-lhe atribuída a função de picadeiro no séc. XX.

Castelo Rodrigo

Chegamos a Castelo Rodrigo pela porta nascente, onde se pode ter uma espetacular vista sobre a fronteira com Espanha e sobre o nosso próximo local de visita. Se quer pernoitar durante esta roadtrip pelas Aldeias Históricas, nada melhor do que fazê-lo num dos locais de visita obrigatória: o Mosteiro e Convento de Santa Maria de Aguiar, em Castelo Rodrigo. Originalmente um mosteiro masculino cisterciense, foi recentemente remodelado e disponibiliza 10 confortáveis quartos aos seus visitantes.

Passamos de seguida pela Igreja Matriz para explorar o seu interior. Lá dentro, podemos apreciar vários altares decorados: na capela-mor com azulejos do século XVIII, azuis e brancos, e no altar-mor azulejos hispano-árabes.

Terminamos a nossa visita no mais famoso local de Castelo Rodrigo: o Palácio de Cristóvão Moura, uma fidalgo proeminente na administração durante o domínio da Dinastia Filipina em Portugal. Após restauração da independência, o palácio foi incendiado pelos populares que o viam como símbolo da opressão espanhola – e permanece em ruínas até hoje.

Marialva

Afastamo-nos da fronteira espanhola em direção a Marialva. Esta aldeia é caracterizada pela cidadela rodeada de muralhas, e os edifícios resistentes ao tempo que se construíram ao seu redor.

Começamos por visitar o castelo. Entre estas muralhas, encontram-se vários monumentos religiosos. Entre os mais famosos, encontra-se a Igreja de Santiago, que é ainda um local de culto, onde o seu altar profundamente decorado ao estilo barroco joanino é uma atração.

Já a capela de Nossa Sra de Lourdes conta com decoração a talha dourada, adicionada um século depois da sua construção no séc. XVII.

O nosso conselho é que fique em Marialva até ao fecho do castelo – nessa altura contorne a muralha e siga um curto caminho a pé até à Capela de Santa Bárbara e delicie-se com a paisagem do Castelo e do redor, num dos pôr-do-sol mais encantadores que vimos.

Trancoso

Seguimos até à Aldeia Histórica mais próxima – Trancoso, famosa pelo seu castelo milenar e palco de diversas lutas e batalhas marcantes para a formação e independência do reino. As muralhas e portas da vila remontam pelo menos até ao séc. XIII, com várias adições a serem feitas em reinados subsequentes. As portas mais emblemáticas são as Portas d’El Rei e as Portas do Prado são enquadradas por robustas torres que relembram o histórico de lutas do local.

Outros pontos de interesse incluem o pelourinho, erigido aquando da atribuição do Foral Novo por D. Manuel I, em 1510, a igreja de S. Pedro de arquitetura barroca, e uma impressionante tília-prateada, plantada no largo da igreja e que mede cerca de vinte e dois metros e meio de altura.

Não deixe também de explorar a Casa do Bandarra – um pequeno museu dedicado à vida e obra de Gonçalo Anes, o Bandarro, um poeta e sapateiro que nasceu e viveu em Trancoso no séc. XVI. O espaço inclui vídeos com as histórias do poeta contadas e passadas de geração em geração, e um poço exterior que declama alguns versos do poeta aos seus visitantes.

Linhares da Beira

De seguida, descemos até ao coração da Serra da Estrela para visitar a emblemática aldeia de Linhares da Beira. O castelo, construído a 800m de altitude, é um dos seus ex-libris, cujas muralhas podem ser caminhadas na envolvência da paisagem da serra. Em frente à entrada do Castelo, uma mimosa praça com espaços comerciais e de lazer fazem as delícias dos visitantes. Também lá, encontramos a Igreja da Misericórdia, cujas renovações setecentistas conferiram uma traça barroca.

Uma das coisas mais interessantes na aldeia é a sua diversidade arquitetónica, que prova o seu legado de várias épocas. O Solar Corte Real é um dos seus exemplos, uma construção do séc. XVIII que foi restaurada recentemente e convertida num alojamento, bem como o Solar Pina Aragão, um solar setecentista cuja fachada singular apresenta um brasão em pedra da família de renome que ali viveu.

Piódão

Terminamos a nossa viagem numa das famosas aldeias portuguesas e, também, numa das mais famosas Aldeias Históricas de Portugal: Piódão. Antes de entrarmos na aldeia, estacione o carro e desça a pé até à praia fluvial. Um local renovado, fresco e com sombra, com águas límpidas que convidam a um mergulho.

Quando o sol se estiver a pôr, suba as escadinhas até ao centro da vila. Vai encontrar a Igreja Matriz, uma construção de estilo único que se destaca pela sua fachada branca no das casas de xisto.

Se for curioso, ou tiver crianças consigo, dirija-se ao Posto de Turismo, onde encontrará uma exposição permanente sobre Piódão, com artefactos e obras de arte que explicam as origens e o modo de vida da aldeia, para quem a visita pela primeira vez.

De seguida, faça aquilo que uma Aldeia como Piódão pede: perca-se pelas ruelas, entre os edifícios históricos, caminhando pelas ruas de xisto e descobrindo os seus segredos: recantos encantadores, artesanato local e gastronomia deliciosa.

Já estamos de partida, mas não sem parar num ponto alto de miradouro para ver o pôr-do-sol iluminar a aldeia com a sua luz dourada. É com certeza uma imagem que não vamos esquecer – e que nos vai fazer voltar.

Fique com este guia pelas Aldeias Históricas de Portugal e visite-as em qualquer altura do ano – têm uma beleza única no inverno e no verão, nós garantimos.

Saiba mais sobre este projeto
em https://observador.pt/seccao/centro-de-portugal/