Dois doentes com Covid-19, internados no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, foram este sábado transferidos para o polo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas (HFAR-PL).

“Este apoio surge na sequência de um pedido do Hospital de Loures, no âmbito do protocolo de colaboração entre o HFAR-PL e a Administração Regional de Saúde – Lisboa e Vale do Tejo, tendo o transporte sido realizado por uma ambulância de Loures”, explicou o Estado-Maior-General das Forças Armadas, em comunicado.​

Não foram divulgadas quaisquer informações adicionais sobre o estado dos doentes, que foram recebidos por uma equipa médica e entretanto encaminhados para as enfermarias de isolamento.

Esta quinta-feira tinha sido noticiado que o Beatriz Ângelo, que serve os concelhos de Loures, Odivelas, Mafra e Sobral de Monte Agraço, tinha atingido a capacidade máxima nos cuidados intensivos. Há dois dias, as 22 camas do serviço estavam todas ocupadas, mas apenas seis por doentes infetados com o novo coronavírus.

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Desde quarta-feira à noite que o hospital de Loures já não estava a receber doentes urgentes em ambulância, depois de um pedido feito ao CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) nesse sentido.

Na semana passada, em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), alertou para a falta de recursos humanos nos centros de saúde e no Hospital Beatriz Ângelo, apontando para alguns constrangimentos no acesso aos cuidados de saúde.

Bernardino Soares alertou para o congestionamento daquele hospital e defendeu a necessidade de existir uma maior articulação regional: “O Hospital Beatriz Ângelo tem muito mais internamentos do que os outros hospitais da região e isso significa que torna mais difícil o tratamento dos doentes Covid aqui da zona e também tira recursos ao resto da atividade do hospital, penalizando a população”.

Na sexta-feira, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) garantiu que os 13 hospitais da região com capacidade para acolher doentes Covid-19 estavam “distantes de esgotar” as camas disponíveis.

Na conferência de imprensa de atualização de informação relativa à infeção pelo novo coronavírus, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, explicou que esta região, que abrange 3,6 milhões de pessoas, tem 13 hospitais com capacidade para tratar doentes com covid-19, existindo 6.339 camas que podem ser alocadas para situações Covid ou outras.

Segundo o responsável, os 13 hospitais desta região têm 503 camas dedicadas a doentes covid-19 e, naquela altura, estavam internadas 383 pessoas.

Em relação às unidades de cuidados intensivos, na região da capital há 98 camas para doentes covid-19, 74 das quais estão atualmente ocupadas.

Luís Pisco avançou que existe nos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo um plano com três níveis de contingência conforme a situação epidemiológica se agravar e for necessário abrir mais camas, podendo chegar a um total de 917 camas e, no caso das unidades de cuidados intensivos, pode chegar-se às 185.

O presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo já tinha sublinhado igualmente que há outras estruturas hospitalares que podem dar apoio, designadamente o Hospital das Forças Armadas, que pode ceder camas para doentes covid mais graves e Cuidados intensivos, o Centro de Atendimento Militar de Belém, para casos menos graves e pode chegar até às 90, e a base do Alfeite, para pessoas que precisam de estar em quarentena e não têm condições em casa.

Luís Pisco disse ainda que, nos últimos tempos, os hospitais que têm “estado debaixo de maior pressão” são o Beatriz Ângelo, em Loures, e o Fernando Fonseca, na Amadora, porque são os locais com mais casos de Covid-19.

“Estamos a trabalhar com eles para procurar que sempre que estejam prestes a atingir o seu máximo se consiga transferir doentes para outros hospitais”, precisou.