Foram jogos e jogos seguidos sem perder, com várias boas exibições pelo meio, um terceiro lugar que permitiu a entrada direta na Champions e a presença nas meias da Taça de Inglaterra e da Liga Europa. Ao longo dos últimos meses da temporada de 2019/20, o Manchester United não jogava propriamente com um objetivo concreto que pudesse balizar mas começava a criar expetativas para outros objetivos na nova época – também por influência do impacto de Bruno Fernandes na equipa desde que chegou a Inglaterra, no final de janeiro. Mesmo sabendo que o fosso com Liverpool e Manchester City, a ideia passava por ir mais longe mas começou da pior maneira.

O árbitro acabou com o jogo e o Manchester United ia empatar: mas Bruno fez o tempo andar para trás e voltou a apaixonar-se pelos penáltis

Depois de uma surpreendente derrota a abrir a Premier League com o Crystal Palace em Old Trafford, a equipa de Solskjaer ganhou no décimo minuto de descontos com uma grande penalidade assinalada pelo VAR e convertida pelo português frente ao Brighton mas acabou por ser goleada logo na jornada seguinte de novo em casa, neste caso com o Tottenham, num 6-1 que não se pode explicar apenas pela expulsão de Martial aos 28′. A bonança deu lugar à tempestade, as previsões de esperança começaram a ser ensombradas pelo receio de nova temporada falhada e falou-se muito de alegados problemas internos surgidos depois do pesado desaire frente aos londrinos.

“Ultimamente tem-se especulado muita coisa em relação ao que se passa no Manchester United. Primeiro foi uma discussão com os companheiros de equipa, como isso não colou foi com um companheiro só [Lindelöf], como isso também não colou agora é com o Solskjaer. Acredito que é uma forma de desestabilizar um bocadinho o grupo”, referiu o internacional português à SportTV após o jogo com a Suécia, esclarecendo de forma mais pormenorizada o que aconteceu no jogo com o Tottenham onde foi substituído ao intervalo com o jogo em 4-1.

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“Aquilo que foi dito em nada é verdade, até porque fui substituído ao intervalo por opção técnica. É verdade. O treinador disse-me que o jogo estava acabado e que teríamos muitos mais pela frente. Compreendi, claro que não fiquei satisfeito em sair, mas em nada naquele momento falei ou disse qualquer coisa que pudesse prejudicar o grupo. Até depois do jogo o treinador mandou-me uma mensagem a desejar boa sorte para a Seleção. Perguntou-me [no balneário], a mim e a mais dois ou três jogadores, se achávamos que tínhamos necessidade de dar uma palavra à equipa, de apoio, de suporte, ninguém quis falar porque o momento não era o melhor”, disse.

“Bruno Fernandes falou muito bem no outro dia, ao dizer que estamos juntos. Quem está de fora, aproveita qualquer oportunidade para criar divisão. Não podemos dar ouvidos a opiniões externas, temos de seguir unidos. O Bruno perdeu dois jogos do Campeonato desde que chegou ao clube e só chegou em fevereiro. Mas bem-vindo ao Manchester United, Bruno, é isto que acontece quando perdemos alguns jogos. Estão a tentar criar uma divisão entre nós mas isso não vai acontecer porque este grupo quer trabalhar no duro e manter-se unido”, referiu Solskjaer a esse propósito na antevisão do encontro fora diante do Newcastle, equipa que começou com sete pontos nos quatro primeiros encontros da Premier League e constitui sempre uma deslocação complicada.

O que era difícil não demorou ainda tornar-se ainda pior logo aos dois minutos, num lance que mostrou bem as insuficiências defensivas que continuam a marcar a campanha do Manchester United: no seguimento de um alívio no meio-campo contrário, Lindelöf falhou o corte na antecipação, o Newcastle desenvolveu a transição e Luke Shaw, que ainda foi titular mesmo com Alex Telles no banco, desviou para a própria baliza (2′). Aos poucos, e sobretudo a partir do momento em que Bruno Fernandes começou a ligar mais com Mata, os red devils foram montando o cerco em torno da área contrária, chegaram mesmo ao golo pelo português que seria anulado por posição irregular do espanhol, e empataram por Maguire, no seguimento de uma bola parada (23′).

No segundo tempo, já com Pogba e Van de Beek em campo, Bruno Fernandes falhou pela primeira vez um penálti à 11.ª tentativa desde que chegou ao Manchester United (boa defesa de Karl Darlow) mas redimiu-se desse lance a quatro minutos do final, com um remate ao ângulo após assistência de Rashford que fez a reviravolta antes de Wan-Bissaka (90′) e Rashford (90+6′), após assistência do português, levaram o triunfo para uma goleada com números excessivos para o que se passou em campo mas que voltou a ter o número 18 como MVP.