A Associação Académica de Lisboa exigiu esta segunda-feira respostas ao Ministério do Ensino Superior e à Universidade de Lisboa para as situações de estudantes infetados com Covid-19 que vivem em residências universitárias, repudiando a alegada falta de condições.

A organização enviou uma “nota de repúdio ao Serviço de Ação Social da Universidade de Lisboa, fruto das situações que vieram a público, nos últimos dias”, lê-se num comunicado enviado às redações. “Alguns estudantes que vivem em residências universitárias deram positivo à Covid-19 e foi-lhes dito que seriam transferidos para pousadas da juventude, com a devida segurança, o que não foi cumprido”, afirmam os estudantes. A posição da associação surgiu depois de os estudantes divulgarem várias fotografias que demonstram “desrespeito pelo distanciamento social e pela dignidade humana, da parte dos Serviços de Ação Social Escolar”. Para a Associação Académica, está em causa “uma completa irresponsabilidade” da instituição”. O órgão representativo dos estudantes pediu, desta forma, justificações, mas também soluções para que o problema não se repita ao longo da crise pandémica provocada pelo novo coronavírus.

A Brigada Estudantil denunciou esta segunda-feira a falta de condições nas residências do Serviço de Ação Social da Universidade de Lisboa onde vivem estudantes infetados com o vírus SARS-COV 2 e exigiu uma resposta que salvaguarde a saúde. Para denunciar a situação, a Brigada Estudantil, “um grupo de coletivos de estudantes que procura trazer para as ruas, para os movimentos e para as lutas uma visão coesa e determinada do movimento estudantil”, decidiu dirigir-se hoje às 17h à Cantina Velha, aos serviços de Ação Social da Universidade de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa Andreia Galvão, membro da Brigada Estudantil, contou que o grupo tem recebido vários testemunhos de alunos que estão em residências e que alertaram para a forma como estão a ser tratados pela administração dos Serviços de Ação Social da Universidade de Lisboa (SAS-UL), especialmente de alunos infetados.

Os estudantes relatam-nos que quando começaram o seu confinamento foram encaminhados para Pousadas da Juventude e que estas não têm condições para os albergar. Muitos dizem que os quartos são partilhados com outros estudantes infetados, que são muito pequenos e sem condições para poderem prosseguir os seus estudos com normalidade, disse.

Os estudantes, segundo Andreia Galvão, têm também denunciado, além das fracas condições de habitabilidade, que não lhes são disponibilizadas condições materiais para assistirem às aulas “com a maior normalidade possível”. De acordo com Andreia Galvão, os estudantes queixam-se que não lhes é fornecida ligação à internet estável e com abertura de banda suficiente “Quando estes alunos se queixaram desta situação foi-lhes dito que poderiam assistir às aulas à distância no chão do corredor”, disse. Segundo a Brigada Estudantil, não estarão também a ser respeitadas as restrições alimentares de alguns alunos com intolerâncias à lactose e glúten – o que pode seriamente condicionar a sua saúde – e a comida vem sempre fria, não havendo forma de a aquecer no local.