A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) diz que há escolas com casos positivos de Covid-19 em que os alunos entram em quarentena, enquanto que os professores, “sem realizarem qualquer teste, mantêm a atividade presencial com outras turmas”. Num levantamento próprio, a federação representativa dos docentes contabiliza que 332 escolas têm ou já tiveram casos positivos. Ao Observador, o Ministério da Educação remete para os números divulgados pela DGS (28 escolas, com 175 casos confirmados) e diz que são as autoridades de saúde que “definem as medidas a aplicar” quando é detetado um caso de infeção.

A Fenprof atualizou a lista de escolas em que diz ter confirmado casos de Covid-19: são agora 332. Em comunicado, a federação acusa o Ministério da Educação de “esconder a informação solicitada” e critica que os procedimentos continuem “a variar muito de escola para escola” e que os “testes continuem a não ser opção generalizada“.

Na contabilização da federação, “em pouco mais de uma semana”, o número de escolas com casos positivos, identificados “quase triplicou, ultrapassando já as 320”. “Há, ainda, um número significativo em fase de confirmação, na sequência de informações que, constantemente, estão a chegar.” A 9 de outubro tinham sido contabilizadas pela Fenprof 140 escolas com casos positivos, valor que subiu para os 272 na última quinta-feira. Estes valores referem-se às escolas que têm ou já tiveram casos de infeção na contabilização da Fenprof (não se referem aos casos ativos).

Mais de uma centena de escolas com casos de Covid. Veja aqui a lista da Fenprof

Ao Observador, o Ministério da Educação remeteu para a contabilização já feita pela DGS, que, a 9 de outubro, disse existirem 28 escolas com surtos e 175 casos confirmados. Já na conferência de imprensa desta segunda-feira, a diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, disse que “não se encontrou nenhuma relação entre essa abertura das escolas e o aumento do número de casos”: “Primeiro, porque o número de casos nas escolas é relativamente limitado — muitas vezes são casos isolados, pensa-se que a maior parte das vezes foram contraídos na comunidade e não ao contrário, não são os alunos que levam [depois] para a comunidade”. À Rádio Observador, Mário Nogueira, líder da Fenprof, considera “anedótico” o número de casos divulgados pela DGS.

“Dizer que há 28 surtos nas escolas é anedótico. Há aqui uma prática de encobrimento”

Mas a Fenprof considera que para o “aumento de casos nas escolas” contribui “a não realização de testes na maior parte das escolas em que são detetados casos positivos”. E aponta que estão a ser adotados procedimentos “contrários às recomendações da Direção-Geral da Saúde” que “fazem aumentar, ainda mais, o risco”. “Há escolas (EB 2.3 e secundárias) em que as turmas entram em período de quarentena, mas os seus professores, sem realizarem qualquer teste, mantêm atividade presencial com outras turmas“. Ao Observador, o Ministério da Educação remete para o referencial feito pela DGS para as escolas, com os procedimentos a adotar nestes casos, e diz que são “as autoridades de saúde que definem as medidas a aplicar” quando é detetado um caso positivo.

Além disso, a Fenprof critica que o processo de avaliação de desempenho implique a deslocação de “milhares de professores” às escolas para observarem as aulas de outros docentes para efeitos de avaliação e pede que seja criado um procedimento “excecional”. O procedimento atual, considera, “obriga a deslocações, entrada de estranhos ao espaço escolar e multiplicação de contactos em salas de aula, a maior parte já sem respeitar o distanciamento necessário, devendo, neste período em que se impõem fortes restrições, ser definido um procedimento de caráter excecional que garanta, ao docente em avaliação, que não será penalizado”.

Nem “relação entre abertura de escolas e aumento de casos” nem necessidade de teste negativo para voltar à escola ou ao trabalho

A Fenprof já pediu ao Ministério da Educação a lista atualizada de escolas com casos positivos, mas não obteve resposta. Por isso, garante que “recorrerá aos tribunais para, através dos meios legais existentes, obrigar o Ministério da Educação a disponibilizar aquela informação”.

Sobre o regresso às escolas após 10 dias de isolamento, sem qualquer teste, apenas com uma declaração médica, a Fenprof diz que tem “confiança nos médicos, que, certamente, serão rigorosos na apreciação que farão e recusarão ser elementos facilitadores da propagação da Covid-19″.

Veja aqui a lista da Fenprof.