Há mais um estado mexicano a legalizar o casamento homossexual. O Congresso do Estado de Puebla aprovou a medida, na terça-feira, com 31 votos a favor, cinco contra e três abstenções.

A LX Legislatura aprova, por maioria de votos, diversas formas do Código Civil do Estado de Puebla, com as quais se reconhece o casamento igualitário”, informou o Congresso citado pela Agência EFE.

No passado dia 30 de outubro, o governador, Miguel Barbosa, disse que o Congresso tinha a obrigação de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo por ser uma ordem do Supremo Tribunal de Justiça da Nação que, em 2017, votou a favor da legalização no estado de Puebla, explica o jornal Animal Politico.

Estamos aqui hoje [terça-feira] a legislar para não discriminar ninguém novamente. Será cumprido o mandato do Supremo Tribunal de Justiça da Nação, mas acima de tudo, porque milhões [de pessoas] nos gritaram”, declarou a deputada Vianey García.

Com Puebla, 20 dos 32 estados mexicanos adaptaram as suas leis ou implementaram ações para permitir o casamento homossexual. Alguns deles são: Ciudad de México, Baja California Sur, Campeche, Quintana Roo, San Luis Potosí, Coahuila, Colima, Hidalgo, Morelos e Michoacán.

O estado de Puebla, com cerca de seis milhões de habitantes, foi governado durante muito tempo por administrações conservadoras, mas é agora liderado pelo partido de esquerda Movimento de Regeneração Nacional (MORENA).

A luta pelo casamento legal de pessoas do mesmo sexo e pelos direitos LGBT tem vindo a crescer no México nas últimas duas décadas, sendo proibida a discriminação com base na orientação sexual escreve a Reuters. No entanto, este ano tem havido denúncias sobre o aumento da violência contra pessoas LGBT.

Casamento tradicional “é a única união reconhecida pela fé católica”

Dias antes da aprovação do Congresso, o arcebispo de Puebla, Víctor Sánchez Espinosa, defendeu o casamento entre homem e mulher na missa dominical e questionou a importância dada ao casamento homossexual quando há problemas sociais mais graves a serem enfrentados.

Hoje preocupamo-nos mais se um homem pode casar com um homem, ou uma mulher com uma mulher, quando há questões delicadas, quando há questões urgentes: saúde, economia, desemprego. Tantas pessoas sofrem porque não têm como trabalhar, porque não têm o que levar para alimentar a família”, disse citado pelo jornal El Sol de Puebla.

Apesar de defender que a vida humana deve ser protegida desde a sua conceção até à sua morte natural, o arcebispo sustentou que o casamento tradicional é a “única união reconhecida pela fé católica”.