Os responsáveis japoneses pela Nissan estão, alegadamente, a analisar a possibilidade de se desfazerem dos 34% que adquiriram na Mitsubishi, uma decisão que foi realizada ainda no tempo em que o CEO da Renault era não só o chairman da Nissan, como o verdadeiro “chefe da banda”, Carlos Ghosn.

A Nissan e a Mitsubishi não confirmaram a notícia à Reuters. Mas nestes assuntos, onde há fumo costuma haver fogo e depois de ter anunciado o corte no número de modelos da gama, de deslocar para a Renault a fabricação de alguns dos seus modelos na Europa e o desejo de encerrar algumas das suas fábricas no Velho Continente, não espanta que a Nissan queira fazer marcha-atrás na fatia que adquiriu na sua conterrânea Mitsubishi.

Apesar de exigir investimentos avultados em breve, para alargar a gama de veículos que actualmente oferece, a Mitsubishi é um construtor muito respeitado nos sectores em que se movimenta, dos modelos todo-o-terreno, sejam eles SUV, jipes ou pick-up, aos híbridos plug-in, tecnologia que também domina na perfeição. Mas grandes investimentos é coisa que não passa pela cabeça dos dirigentes da Nissan, preocupados com a sua própria sobrevivência.

Após a notícia ser tornada pública, os investidores reagiram aparentemente com agrado, com as acções da Nissan a subirem 5%, enquanto as da Mitsubishi melhoravam 3%. A avançar, a venda da Mitsubishi vai diminuir consideravelmente a dimensão da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, em que os franceses detêm 43% da Nissan. Simultaneamente, todo o grupo está entretido a acompanhar a novela Nissan versus Carlos Ghosn, em que o fabricante nipónico avançou com um processo contra o seu antigo chairman e salvador – foi Ghosn que convenceu a marca francesa a salvar a Nissan quando esta estava à beira da falência, adquirindo uma quota –, em que exige ser compensada em 10 mil milhões de ienes, cerca de 80 milhões de euros.