A final da Taça de Portugal de 1990 ficou como uma das mais marcantes da história da competição, até por ter sido a única a par do Beira-Mar-Campomaiorense que não envolveu nenhum dos “grandes” nos últimos 40 anos. Aí, o primeiro jogo terminou com empate a um, seguindo-se a finalíssima no Jamor que deu a vitória por 2-0 ao Estrela da Amadora frente ao Farense. No lado do conjunto da Reboleira, orientado por João Alves, destacavam-se Paulo Bento, Duílio, Barny, Bobó, Baroti, Rebelo ou Rui Neves. Entre os algarvios do espanhol Paco Fortes estavam Zoran Lemajic, Ademar, Pitico, Nelo, Pereirinha ou Eugénio. Bons tempos, para vencedores e vencidos.

O conjunto de Faro, que na década de 90 lutava pelos lugares europeus, desceu ao escalão inferior e começou nas últimas épocas de novo a ressurgir, tendo regressado esta temporada ao principal escalão. Já o Estrela, o Clube de Futebol do Estrela, foi extinto em 2011 já depois de ter andado também pelas competições da UEFA, ressurgindo em força na presente época com a promoção ao Campeonato de Portugal através de uma SAD liderada por André Geraldes, antigo team manager do Sporting e CEO do Farense. Agora, duas décadas depois do triunfo da equipa de Reboleira na quinta eliminatória da prova, num encontro disputado no Estádio de São Luís que acabou com um 3-2 para o conjunto amadorense, as equipas voltavam a encontrar-se para a Taça de Portugal.

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Em condições normais, os algarvios partiam como naturais favoritos ao triunfo mas a trajetória dos lisboetas esta época, com sete vitórias e um empate entre Campeonato e Taça e sem golos consentidos no renovado José Gomes, abria uma janela de oportunidade para a surpresa. Que aconteceu, de forma convincente e com o mesmo resultado que se tinha registado na finalíssima de 1990: 2-0, com golos de Hélder Latón e Horácio Jau.

Após um período inicial sem grandes oportunidades mas com o Estrela a ter maior objetividade do meio-campo para a frente, Hélder Latón inaugurou o marcador na sequência de um canto em que Hugo Marques facilitou na saída entre os postes e o médio aproveitou para encostar para a baliza deserta (15′). Pouco depois, Filipe Leão impediu o empate de Stojiljkovic, em mais uma jogada a passar pelos pés de Ryan Gauld, mas o encontro iria continuar com as melhores oportunidades a pertencerem ao conjunto da casa, com Paollo Madeira a não desviar na pequena área após cruzamento de Sérgio Conceição (filho do treinador do FC Porto) e Diogo Leitão a ganhar a bola por dentro numa zona prometedora mas a deslumbrar-se e a rematar ao lado (45′).

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Sérgio Vieira, que já tinha sido obrigado a trocar o lesionado Alex Pinto por Fabrício Isidoro, quis arriscar tudo ao intervalo com as entradas de Madi Queta, Licá e Patrick mas acabou por sofrer o 2-0 ainda no minuto inicial da segunda parte, com Horácio Jau a aproveitar dois remates prensados na defesa dos algarvios para rematar forte e colocado de pé esquerdo sem hipóteses para Hugo Marques. O encontro mudou então as suas principais características, com o Farense a ter mais bola do que até esse momento e a acercar-se mais da baliza dos amadorenses, mas a formação de Rui Santos aguentou essa pressão (ainda que com chances flagrantes de Patrick e Mansilla) para carimbar a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal, onde terá pela frente o Anadia.