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Nos ensaios clínicos feitos nos EUA à vacina da Pfizer, quatro participantes (entre quase 22 mil) sofreram episódio da chamada “Paralisia de Bell”, um síndrome que afeta os músculos do rosto e que nos casos mais graves pode demorar meses a recuperar. Reguladores de saúde afastam, porém, uma ligação entre os dois factos, alegando que a taxa de incidência desse síndrome entre os vacinados não é diferente das taxas de incidência na população em geral.

Essa foi a conclusão da norte-americana FDA (Food & Drug Administration) e, também, da britânica Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) – que dá deu luz verde à vacinação. Quatro episódios entre 21.720 participantes não é razão para alarme, disseram os dois reguladores, embora entre os 21.728 que participaram no estudo mas que não receberam a vacina (apenas um placebo) não tenha havido um único caso de Paralisia de Bell.

A Paralisia de Bell define-se como uma paralisia do nervo facial ou paralisia facial periférica que, na prática, leva a uma incapacidade temporária de mover de um dos lados da face. Isto porque o lado do nervo afetado “descai” dando origem a um sorriso unilateral, assimétrico, em que as pessoas têm dificuldade em fechar o olho desse lado do rosto. Nos casos mais graves pode afetar os dois lados da cara e demorar vários meses até regressar ao normal – ou nunca ser solucionado totalmente.

O regulador britânico considerou que quatro episódios em quase 22 mil pessoas não é relevante, já que naquele país existem entre 20 e 30 casos, em média, deste tipo de paralisia facial por cada 100 mil habitantes, em cada ano. Ainda assim, segundo os dados obtidos no ensaio clínico norte-americano, está indicado que num dos casos o surto de Paralisia de Bell surgiu apenas três dias depois da toma da vacina e num outro caso os sintomas apareceram ao cabo de nove dias. Os outros dois casos surgiram mais de um mês depois de os voluntários terem recebido a vacina que a Pfizer desenvolveu em cooperação com a alemã BioNTech.

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Na quarta-feira, as autoridades reguladoras britânicas emitiram uma indicação aos hospitais para que pessoas com alergias severas não tomem a vacina da Pfizer/BioNTech contra a Covid-19. O alerta surgiu depois de dois funcionários do Serviço Nacional de Saúde britânico terem tido reações alérgicas depois da toma da vacina.

O Reino Unido foi o primeiro país a começar a administrar a vacina da Pfizer/BioNTech, esta terça-feira, tendo iniciado o processo com os idosos e os profissionais de saúde que estão entre os grupos prioritários. Foi em dois profissionais de saúde que se verificou que desencadearam sintomas de “reação anafilática” pouco depois de terem tomado a vacina.

Segundo a Sky News, ambos estão já a recuperar e ambos têm historial de alergias graves, ao ponto de terem de andar com a “caneta” de adrenalina para situações de SOS. Perante estes dois casos, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) emitiu um alerta preventivo para que a vacina não seja administrada a quem tem historial de alergias severas, quer seja alergia a medicamentos, quer a produtos alimentares.