Já restavam poucas dúvidas: depois de os especialistas terem dado luz verde à vacina da Pfizer na quinta-feira e de a própria FDA ter anunciado que iria aprová-la para uso de emergência nos Estados Unidos, a autorização formal surgiu durante esta madrugada.

A decisão foi anunciada pela FDA (Food and Drugs Administration, o regulador norte-americano dos medicamentos) através de um comunicado em que dá conta de que não se trata de uma aprovação definitiva do medicamento para uso nos EUA, mas de uma autorização de emergência — um processo mais rápido que permite o uso da vacina já nos próximos dias.

Painel de especialistas dos EUA aprova vacina da Pfizer. Autorização formal está por dias

O comissário da FDA, Stephen Hahn, classificou a autorização como “um marco significativo na luta contra esta pandemia devastadora” e sublinha que ela surge depois de “um processo de revisão aberto e transparente”. O painel de especialistas que votou a aprovação científica da vacina tomou a decisão numa votação transmitida pela internet e não foi unânime: 17 votaram a favor, quatro contra e um absteve-se.

Embora a FDA fale num processo completamente aberto e transparente, começam a surgir relatos de que poderá ter havido uma forte pressão da administração de Donald Trump no sentido de apressar a autorização.

De acordo com uma notícia publicada hoje pelo The New York Times, a autorização terá surgido precisamente no dia em que o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse ao comissário da FDA que deveria começar a procurar um novo emprego se a autorização não estivesse publicada na sexta-feira. O The New York Times atribui a informação a um elemento de topo da Casa Branca que falou sob condição de anonimato.

O próprio Presidente Trump já publicou no Twitter uma mensagem em vídeo na qual elogia os cientistas que conseguiram “um dos grandes feitos científicos da história” e classificou a aprovação de uma vacina em apenas nove meses como um “milagre médico”.

Donald Trump garantiu também a segurança e eficácia da vacina e assinalou que, graças aos esforços da sua administração, cerca de dois mil milhões de dólares foram injetados na farmacêutica Pfizer para antecipar os esforços de desenvolvimento e produção de 100 milhões de doses da vacina.

A vacina será gratuita para todos os americanos e através de parcerias do estado com a Fedex e a UPS já está a ser distribuída em todo o país — e garantiu que a primeira vacina vai ser aplicada “em 24 horas”. Caberá aos governadores estaduais a definição de programas de vacinação, mas Trump defende que idosos e profissionais de saúde devem ser prioritários.