Apito final de Hugo Miguel, festa do lado portista, resignação do lado benfiquista. Resignação e algo mais: Jorge Jesus, olhando apenas em frente como se ali ao lado não estivessem várias camisolas azuis e brancas aos saltos, seguiu a passar a mão pela cabeça para uma zona onde se foram concentrando os jogadores encarnados antes de um momento de maior exaltação protagonizado por Luisão, visivelmente irritado não tanto com o resultado mas pela forma como o mesmo chegou. O treinador ainda trocou algumas palavras com o brasileiro, que ocupou o lugar de Tiago Pinto no banco, mas o ambiente era pesado e Grimaldo reconheceu o jogo falhado.

É por causa dos Pepes que ganham mais (a crónica do FC Porto-Benfica)

“Agora vamos para o Campeonato, vamos tentar agora também na Liga Europa. Viu-se no campo, faltou-nos personalidade. Eles foram mais agressivos. Não tiveram muitas ocasiões, assim como nós. Não foi um jogo muito bem jogado pelas duas equipas. Agora temos de corrigir os erros e tentar jogar o nosso jogo, somos capazes de melhor”, resumiu o espanhol, que teve os três remates de perigo dos encarnados, na flash interview da RTP.

“Uma final é um único jogo, uma decisão, e perdemos. As duas partes foram equilibradas, a diferença foi nos golos. A grande penalidade fez com que o FC Porto tivesse mais calma e pudesse fazer jogo direto no Marega para depois tentar ganhar as segundas bolas. Na segunda parte, o Benfica esteve muito melhor, criou oportunidades mas o FC Porto foi melhor nas decisões, fez as oportunidades que teve. Não soubemos fazer a diferença até nas saídas 2×1 e o FC Porto geriu bem o 1-0. Tentámos tudo, nos últimos cinco minutos tirei os laterais, pus homens para levar a bola aos avançados mas no contra golpe o FC Porto fez o segundo”, começou por referir Jorge Jesus nas entrevistas rápidas da RTP, antes de colocar a tónica na eficácia de aproveitar os melhores momentos no jogo.

“O melhor foi quem ganha mas durante a final o Benfica teve momentos em que foi melhor e não soube aproveitar enquanto o FC Porto quando foi melhor soube aproveitar. Nas vantagens não conseguimos fazer a diferença, para caracterizar esta final essa é a melhor forma”, salientou, recusando ainda assim qualquer influência da derrota nesta final da Supertaça no futuro para a carreira da equipa: “É um troféu, é sempre importante para o historial mas só tem a importância do momento porque queríamos ganhar. Fomos muito confiantes para o jogo mas a diferença esteve na eficácia e no facto de terem sido mais competitivos na primeira parte”.

“Era o primeiro título da época, era importante ganhar mas face aos objetivos principais que as equipas têm não ser uma prioridade, por aí. O FC Porto foi mais consistente, tem mais experiência a jogarem juntos de três ou quatro anos. Tem corrido mal? Correu mal hoje, também não somos líderes do Campeonato… A final é uma final, é um jogo. Senti que o FC Porto foi mais realista e tem um conteúdo de jogo mais consolidado, foi eficaz”, disse depois o técnico na conferência de imprensa no Municipal de Aveiro, antes de explicar o que se passou com Luisão no final do jogo com os jogadores: “Não deu reprimenda nenhuma, não gosta de perder e como capitão há vários anos estava triste como estou eu ou o Rui [Costa]. Teve uma opinião naquele momento mas não deu reprimenda, Disse que foi a primeira final que perdemos, para aprendermos, que Benfica é Benfica mas foi isso”.

“Estamos à procura de ser uma equipa com hegemonia em relação aos nossos rivais, tínhamos a oportunidade de mostrar e não conseguimos. Estamos à procura do melhor caminho para uma equipa que se está a tentar identificar com as ideias do treinador. Os jogadores que temos são jogadores em quem acreditamos, não tem nada a ver com o mercado de janeiro”, concluiu Jorge Jesus, não querendo especificar se precisa ou não de reforços.