Os donos da Herdade da Torre Bela, onde uma montaria resultou na morte de 540 animais, apresentaram uma queixa-crime ao Ministério Público contra a entidade promotora da caçada, a Monteros de la Cabra, o responsável da empresa espanhola, Mariano Morales, e também contra “desconhecidos” (ou seja, todos aqueles que podem ter tido intervenção na morte dos animais).

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a Herdade garante que tem “colaborado de forma estreita e permanente com todas as autoridades”, tendo apresentado ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), na semana passada, “um conjunto de informações entretanto obtidas que permite melhor avaliar os factos que estiveram na origem das referidas violações e da forma irregular com que decorreu a montaria”, na qual terão participado 16 caçadores.

Com base nas “provas recolhidas”, a Torre Bela apresentou uma queixa-crime ao Ministério Público “contra a entidade promotora da referida caçada (a empresa Monteros de la Cabra e o seu responsável Mariano Morales) e contra desconhecidos, através do seu advogado Dr. Alexandre Mota Pinto, do escritório Uría Menéndez Proença de Carvalho”, lê-se no comunicado.

Ministério Público abre inquérito à montaria na Herdade da Torre Bela

Os responsáveis pela Herdade consideram que a Torre Bela “foi a única entidade fortemente lesada, no seu património e reputação, pela realização de uma montaria ilegítima e abusiva na sua propriedade, no passado dia 17 de Dezembro”. E adiantam que “é hoje absolutamente evidente” que a caçada ocorreu “em inequívoca violação dos direitos de caça adquiridos e ultrapassando os limites acordados por contrato com a entidade exploradora da caçada, limites fixados pela Zona de Caça Turística em conformidade com o permitido pela licença e pelo plano de gestão por si aprovado e que se encontrava à data, em vigor”.

A Herdade da Torre Bela reitera que a caçada em causa, “que repudia vivamente, não tem qualquer relação com nenhuma outra eventual atividade da Herdade ou dos seus proprietários“. Algumas entidades relacionaram a caçada com a construção de uma central fotovoltaica na Herdade. A primeira foi a Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA), que repudiou a montaria realizada. Já o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, embora tenha descartado a relação inicialmente, acabou por anunciar a suspensão do estudo de impacte ambiental que pretende viabilizar a instalação de um parque de 755 hectares de painéis fotovoltaicos.

540 animais mortos na Azambuja. Estas caçadas são ilegais? Quanto custam e quem as organiza? E que penas estão previstas?

Esta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República confirmou a abertura de um inquérito à montaria na Herdade da Torre Bela pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa Norte.

Os proprietários da Herdade da Torre Bela já tinham reagido, em comunicado, na passada quinta-feira, garantindo que só souberam dos acontecimentos “a posteriori e apenas através da comunicação social”, repudiando a “forma errada, ilegítima e abusiva” como decorreu a montaria. “A Herdade da Torre Bela não era a entidade exploradora da referida caçada nem organizou ou nela participou, direta ou indiretamente, e, por isso, não tem quaisquer responsabilidades no sucedido”, defenderam na quinta-feira.

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