A secretária de Estado dos Assuntos Europeus “gostaria muito” de ter durante a presidência portuguesa da União Europeia (UE) um primeiro encontro com o novo presidente norte-americano, Joe Biden, para debater a nova agenda transatlântica.

“Gostaríamos muito de ter durante a presidência portuguesa um primeiro encontro, uma primeira reunião, com o presidente Biden, se possível, porque virá a Bruxelas também para uma reunião na NATO ou uma outra reunião…”, disse Ana Paula Zacarias numa apresentação por videoconferência das prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE.

No debate organizado pela Embaixada de Portugal em Espanha e pelo Real Instituto Elcano, a secretária de Estado sublinhou que seria “muito importante e muito interessante” que nesse encontro as duas partes começassem a falar da “nova agenda transatlântica” proposta pelos líderes europeus em dezembro último.

Depois de quatro anos da presidência de Donald Trump, os 27 pretendem discutir com o novo Governo dos Estados Unidos da América temas como a defesa e a política externa, uma nova agenda tecnológica e também uma nova agenda comercial, entre outras matérias.

“Há muita matéria para trabalhar e há a vontade unânime de todos os membros da União [Europeia] para continuar com esta agenda que esperamos poder já iniciar durante a presidência portuguesa”, disse Ana Paula Zacarias.

A responsável portuguesa alertou que “ainda não é claro” que as discussões sobre a nova agenda transatlântica possam ser iniciadas durante o primeiro semestre do ano, pela presidência portuguesa, porque a “agenda interna” de Biden e do seu Governo “lhes vai ocupar muito tempo”.

No início da apresentação, Ana Paula Zacarias realçou a “feliz coincidência” de a atual quarta presidência portuguesa da União Europeia acontecer 35 anos depois da adesão de Portugal e Espanha, e apesar do atual momento “complexo e difícil”, caracterizado pela maior crise económica e sanitária desde a Segunda Grande Guerra (1945).

Lisboa definiu “três grandes prioridades” para desenvolver durante os seis meses à frente do destino da União Europeia que começaram no início do ano.

Em primeiro lugar, trata-se de promover uma recuperação europeia alavancada pelas transições climática e digital, que inclui matérias como a atual vacinação contra a Covid-19 em todos os Estados-membros, a recuperação económica depois da crise provocada pela pandemia e “trabalhar na aprovação” da Lei do Clima.

Em seguida, Lisboa vai concretizar o “Pilar Social da União Europeia”, um elemento essencial para assegurar uma transição climática e digital “justa e inclusiva”.

Finalmente, “reforçar a autonomia estratégica de uma Europa aberta ao mundo”, que inclui temas como a aprovação de um acordo comercial com os países da América Latina ou a organização de uma cimeira com os países africanos, que ainda não está confirmada.

“Parece muito e é muito, mas é o que é necessário para trabalhar agora na recuperação” económica e social, disse a responsável portuguesa pelos Assuntos Europeus.

Para Ana Paula Zacarias, “o objetivo é simples” e passa por “empreender em conjunto” um caminho que situe a Europa na “senda do crescimento económico” de uma forma em que este “seja inclusivo, justo, sustentável e inovador”.

A presidência do Conselho da UE é feita num sistema rotativo pelos Estados-Membros por períodos de seis meses em que o país responsável dirige as reuniões a todos os níveis desta instituição comunitária.