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Foram revelados os primeiros detalhes daquele que será o primeiro Rolls-Royce movido exclusivamente a bateria. De acordo com informações avançadas pela Autocar, a marca de luxo britânica, que pertence ao Grupo BMW, chegou a conceber e a construir uma versão electrificada do Phantom. Mas os testes ao sedan eléctrico não terão produzido os resultados desejados, levando os responsáveis da Rolls-Royce a preferir voltar à estaca zero.

De recordar que algumas insígnias de luxo, como a Bentley e a Lamborghini, têm justificado o adiamento da sua entrada na plena electrificação por entenderem que as baterias, no actual estádio de desenvolvimento, ainda não se perfilam como uma alternativa que lhes permita continuar a satisfazer os seus (exigentes) clientes. Às vantagens da mobilidade zero emissões contrapõem com as desvantagens da autonomia, tempos de recarga e, claro, o peso acrescido nos acumuladores. O mais provável é que esta última característica tenha interferido no resultado dos testes realizados ao Phantom eléctrico em Munique, na Alemanha, agravando perniciosamente o já de si generoso peso do sedan britânico (2635 kg), para uma fasquia facilmente acima das três toneladas.

Mas o Reino Unido decidiu banir a comercialização de veículos novos exclusivamente impulsionados por motores a combustão a partir de 2030 e isso, naturalmente, leva a Rolls-Royce a preparar-se para um futuro sem gasolina. O fabricante de luxo do Grupo BMW já fez saber que não pretende fazer uma transição “suave”, preferindo concentrar-se imediatamente no desenvolvimento de um modelo 100% eléctrico, ao invés de abraçar alternativas intermédias, como os híbridos plug-in.

Surge agora a indicação que a Rolls-Royce terá uma arquitectura própria para acomodar as baterias e retirar delas a máxima eficiência. Essa plataforma será uma adaptação da base do Phantom, em alumínio, para poupar no peso. Trata-se de uma opção mais cara que o aço, mas com evidentes ganhos em matéria de quilos a menos. A confirmar-se esta decisão, isso significa que a capacidade industrial também não precisará de ser alterada para produzir o novo modelo, que pode perfeitamente ser fabricado em Goodwood, West Sussex, lado a lado com os actuais Phantom, Ghost e Cullinan.

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Correm rumores de que o Rolls-Royce EV poderá chamar-se Silent Shadow e, ao que parece, será oficialmente revelado antes do final do ano. Contudo, a sua chegada ao mercado não deverá ocorrer antes de 2022. Isto porque o seu desenvolvimento “cruza-se” com o futuro i7, a resposta da BMW ao Mercedes EQS.

A impulsionar o Rolls eléctrico não será de esperar menos do que o melhor que o banco de órgãos da BMW tem para oferecer e daí os testes em Munique, para “refinar” a mecânica, sendo certo que o Silent Shadow herdará componentes e soluções do iX e do futuro i7, embora este seja montado sobre outra plataforma, a CLAR – também ela adaptada para receber acumuladores.

Determinante, sobretudo por se tratar de um Rolls-Royce, será a rapidez no tempo de recarga e a autonomia, necessariamente superior a 500 km, pelo que a capacidade das baterias deve ficar acima de 100 kWh. De realçar que, para o EQS, a Mercedes promete um alcance de 700 km entre carregamentos. Os acumuladores continuarão a ser assegurados por fornecedores externos, a CATL ou a Samsung, duas empresas com que a BMW já trabalha.