Eduardo Ferro Rodrigues propôs ao Parlamento a criação de um grupo de trabalho para “acompanhar o processo [de vacinação] que agora se inicia e que continuará, de forma programada, até atingir todos os Deputados que pretendam ser vacinados, bem como os Funcionários considerados indispensáveis para garantir o funcionamento efetivo deste órgão de soberania”.

Numa nota enviada às redações, o Presidente da Assembleia da República lembra que “todos os procedimentos administrativos e sanitários para que o processo de vacinação se inicie estão a decorrer em articulação entre o secretário-geral da Assembleia da República e o Ministério da Saúde, num processo que decorrerá de acordo com os critérios e prioridades estipulados e ao ritmo que as Autoridades de Saúde definirem”.

Recorde-se que esta decisão de Ferro Rodrigues surge depois dos avanços e recuos em torno de quem devia ou não ser vacinado entre os deputados. Inicialmente, tinha sido publicada um primeira lista de 50 parlamentares que, em virtude das funções que desempenham, deviam constar da lista de prioritários.

As 72 horas em que a lista encolheu. Restam 35 deputados a querer a vacina (e pode não parar por aqui)

No entanto, foram vários os deputados do PSD que manifestaram o desagradado por terem sido incluídos numa lista de que não queriam fazer parte. O caso motivou uma troca de acusações pública entre Eduardo Ferro Rodrigues e Adão Silva, líder da bancada parlamentar do PSD, com o primeiro a acusar o social-democrata de não ter feito o que lhe competia, e o segundo a responsabilizar o socialista por ter enviado uma lista sem consultar o Parlamento.

Entretanto, também Ana Catarina Mendes, líder da bancada socialista, veio publicamente pedir a Ferro Rodrigues que retificasse a lista e que estabelecesse como prioritários o Presidente e os vice-Presidentes da Assembleia da República. Os socialistas Sérgio Sousa Pinto, Marcos Perestrello e Maria Begonha já pediram, inclusive, para só serem vacinados noutra fase.

No comunicado agora enviado às redações, Ferro Rodrigues não esquece a forma como todo o processo foi conduzido pelos grupos parlamentares e aponta o dedo aos deputados.

“Depois da reunião da Conferência de Líderes de quinta-feira, 28 de janeiro, à tarde, em que ficaram definidos critérios da carta a enviar – precedências do Protocolo do Estado e membros da Comissão Permanente, e com posterior sugestão aos líderes parlamentares de indicação de nomes tendo por base a idade ou o estado de saúde –, os quais não mereceram contributos de qualquer grupo parlamentar”, sublinha.

Para superar esses constrangimentos e outros que venham a existir, Ferro Rodrigues espera agora que o grupo de trabalho venha a garantir perfeita articulação entre grupos parlamentares, Assembleia da República e Ministério da Saúde.