Oitenta e cinco dias e 14 jogos depois, tudo igual. Era neste contexto que o Atl. Madrid recebia o Real num dérbi de importância capital para o título da Liga, mantendo cinco pontos de avanço tendo um encontro ainda a menos que será cumprido a meio da semana frente ao Athl. Bilbao. No entanto, um outro fenómeno mudara: o Barcelona foi somando vitórias entre constantes abalos internos até ao ato eleitoral deste domingo, incluindo não só a revelação pública do contrato de Messi mas também buscas ao clube num caso que levou à detenção do antigo presidente Josep Maria Bartomeu, chegando a uma distância de apenas dois pontos do topo com mais duas partidas. E o momento dos dois rivais, que tiveram muitas ausências à mistura, não permitia atribuir favoritismos.

Depois das oito vitórias consecutivas na reação à derrota em Valdebebas frente ao Real, o Atl. Madrid entrou no pior período da época, tendo apenas dois triunfos nos últimos cinco encontros na Liga. As ausências por lesão, por Covid-19 ou por castigo que fustigaram sobretudo a defesa deixaram mossa mas Diego Simeone desvalorizou esse registo recente falando numa equipa que atravessava “um momento extraordinário”. “Vão defrontar-se duas equipas que estão a lutar por algo em comum no topo da classificação. São três pontos, é óbvio, mas ainda há muito Campeonato, não é decisivo. João Félix ou Correa? Cada um dá-nos coisas diferentes. O Correa participa mais no trabalho de equipa, o João tem coisas que nenhum dos que vão jogar têm. Ele está muito bem, como todo o grupo. Estamos a disputar jogos importantes, é para isto que os futebolistas se preparam”, comentara na véspera.

Já o Real Madrid voltou a ter uma série de cinco vitórias consecutivas entre Liga e Champions, onde ganhou à Atalanta em Itália não contando com nove jogadores entre os quais Benzema, Sergio Ramos e Carvajal, mas não foi além de um empate na última receção à Real Sociedad, o que motivou um novo atraso em relação aos colchoneros. “Não há favoritos num dérbi, trata-se de um jogo bonito de se jogar, um grande desafio de futebol que os adeptos querem ver. O que aconteceu no passado não conta para nada. Temos de fazer um bom jogo, contra um rival que está acima de nós na classificação, e precisamos começar bem porque o rival é muito bom”, lançara Zidane, que destacou a importância de Benzema no sistema de jogo dos merengues sem confirmar a sua utilização.

O francês jogou mesmo, foi capitão e vestiu-se de Ronaldo numa altura em que a imprensa espanhola faz as contas à parca produção ofensiva do Real Madrid na Liga, empatando a dois minutos do final um encontro que parecia controlado pelo Atl. Madrid depois da vantagem inicial dada por Suárez e a enxurrada de oportunidades não transformadas no início da segunda parte, ainda antes da entrada de João Félix em campo. E o dérbi da capital acabou por ter o Barcelona como grande vencedor, que ultrapassou no final da jornada o Real na segunda posição e reduziu a desvantagem para o Atl. Madrid para apenas três pontos tendo ainda assim mais um jogo.

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O encontro começou com um Atl. Madrid a entrar melhor mas com as duas equipas a mostrarem sempre uma preocupação maior em não desfazer as organizações defensivas do que propriamente em estender muito as linhas à procura do golo. Aos 14 minutos, percebeu-se porquê: antevendo alguma atrapalhação na saída dos colchoneros a construir a partir da sua área, o Real quis pressionar alto, Marcos Llorente (que não tinha espaço no Bernabéu mas agora seria titular indiscutível…) conseguiu passar por Nacho para criar igualdade numérica e assistiu Luis Suárez para um grande golo de trivela que inaugurou o marcador. A partir daí, foram os visitantes a forçarem mais no ataque, com Casemiro a ter um remate perigoso para defesa de Oblak antes de um lance com Felipe onde se pediu penálti, e o Atl. Madrid a apostar mais nas transições tendo como primeira referência Marcos Llorente e foco na frente Luis Suárez, que teve mais um remate para defesa atenta de Courtois antes do intervalo.

No segundo tempo, e quando se esperava um Real ainda mais dominador em busca do empate que pelo menos mantivesse as contas pelo título mais equilibradas, só deu Atl. Madrid: Courtois evitou o golo a Carrasco sozinho na área antes da recarga de Marcos Llorente que saiu a rasar a trave (53′), travou depois mais uma grande jogada de ataque dos visitados com Carrasco a ganhar nas costas de Lucas Vázquez antes do cruzamento para desvio de Luis Suárez (55′) e viu ainda Correa falhar sozinho na área ao segundo poste mais uma oportunidade que mostrava bem as dificuldades defensivas que a equipa de Zidane sentia (60′). Só mesmo final o Real conseguiu reagir, com duas oportunidades flagrantes de Benzema no mesmo lance após assistência de Vinícius que foram travadas por Oblak (80′) antes do empate a dois minutos do final pelo inevitável Benzema a passe de Casemiro.