Em 2003, Joan Laporta, de 41 anos, assumia a liderança do Barcelona, tornando-se de forma surpreendente tendo em conta o passado e as sondagens o quarto presidente mais novo de sempre do clube. O futebol do clube viveu os seus tempos áureos, conseguiu pela primeira vez ganhar seis troféus numa só temporada com o Dream Team 2.0 de Pep Guardiola, mas os problemas internos e constantes convulsões fizeram com que deixasse a liderança e fosse até processado por um grupo de sócios, onde se incluía o sucessor no cargo, por irregularidades nas contas. Sandro Rosell, antigo vice com o pelouro desportivo que saiu logo em 2005 em rotura com o número 1, foi presidente entre 2010 e 2014; Josep Maria Bartomeu, ex-vogal com a pasta das modalidades de pavilhão que também saiu em 2005 em solidariedade com os companheiros demissionários, chefiou os blaugrana entre 2014 e outubro de 2020. Agora, o ciclo deu a volta e regressou ao mesmo: Laporta volta ao comando do Barça.

Num sufrágio que contou com um total de 55.611 associados, entre votos por correspondência e presenciais este domingo (em seis locais diferentes: Camp Nou/Palau Blaugrana, Lleida, Tortosa, Tarragona, Girona e Andorra), Joan Laporta, advogado e empresário agora com 58 anos, ganhou com 30.184 votos, correspondentes a 54,28%. Víctor Font ficou com 29,79%, ao passo que Toni Freixa teve 8,58%. Houve ainda 3.628 votos nulos e 351 em branco, numa eleição que contou com a participação de 50,42% do universo eleitoral que podia exercer o seu direito. O vencedor teve uma votação ainda maior do que na primeira eleição, em 2003, quando reuniu um total de 27.138 contra Lluís Bassat, Jordi Majó, Josep Martínez-Rovira, Josep Maria Minguella e Jaume Llauradó.

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“Estas eleições fazem de nós mais do que um clube. São as eleições mais importantes da história do clube e que se realizaram em condições com as máximas dificuldades devido à pandemia. Estamos muito agradecidos aos sócios, à Comissão de Gestão e à organização das eleições, a todos aqueles que permitiram esta festa da democracia, esta festa barcelonista. Permitam-me também agradecer a todos os que nos ajudaram, à equipa da campanha, a todos os voluntários. Foi talvez a maior campanha na história do nosso clube. Todos têm uma máscara com o 14 e é laranja. Com isso, está tudo dito. Um aplauso para o Johan [Cruyff], que nos ajudou onde estiver. Ele inspira-nos em todas as grandes decisões. Esta é uma candidatura cruyffista e barcelonista“, começou por dizer Joan Laporta no discurso de vitória, após ser saudado pelos dois outros candidatos derrotados.

“Fazem hoje 20 anos que um miúdo chamado Leo Messi fez a estreia como infantil B do Barça. Ver que se tornou o melhor do mundo, o melhor da história e que veio aqui votar hoje com o seu filho é mais uma mostra daquilo que sempre dissemos: o Leo ama o Barça. Essa é a reflexão, o melhor do mundo ama o Barça. Oxalá isso sirva para que possa continuar no Barça, é isso que queremos. A nossa grande família culé vai superar as dificuldades e vamos conseguir os nossos objetivos. Que ninguém esteja a sofrer, os sócios continuarão a ser os proprietários do clube. Uma última reflexão: quando digo que temos de estar todos juntos, falo dos candidatos e dos adversários que tive. Peço a todos os que sejam do Barcelona que não pensem só no que o clube pode fazer por vocês mas também o que vocês podem fazer pelo clube. O melhor que podemos fazer é querer”, concluiu na intervenção.

Joan Laporta volta agora a um clube diferente daquele que encontrou em 2003, não tanto pela questão da falta de títulos no futebol (que na era de Joan Gaspart não existiram, sendo por isso apelidado de um dos melhores vices que o clube já teve e um dos piores presidentes que passaram pela sua liderança) mas sobretudo pela turbulência num balneário que aguarda um sinal sobre o futuro de Messi, pela complicada situação financeira com a dívida a curto prazo a ser superior ao total de receitas geradas em 2019/20 e pelos estilhaços mais “políticos” que ainda se fazem sentir na sequência da absolvição de Sandro Rosell depois de mais de dois anos de prisão preventiva e do “Barçagate”, que levou a detenção do anterior presidente Josep Maria Bartomeu e mais três antigos dirigentes.

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