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O Presidente da República reuniu-se esta tarde por videoconferência com Daniela Braga, a fundadora e líder da empresa de análise de dados com recurso a inteligência artificial DefinedCrowd. Neste encontro digital, a empreendedora partilhou as suas preocupações sobre o futuro económico do país e o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Sobre este último tema, afirma: “Distribuir o dinheiro por 31 iniciativas é impossível fazê-las todas bem, é preciso investir mais dinheiro em menos coisas“, afirma.

Para Daniela Braga, “a tecnologia não é vulnerável a pandemias nem crises económicas” e, por isso, tem de ser a chave para o futuro de Portugal “na próxima década”. “A Marcelo Rebelo de Sousa, disse que gostaria que Portugal não fosse só conhecido como o destino de férias do mundo, mas que fosse a capital da inteligência artificial (IA) para a Europa e para o mundo ocidental”, contou ao Observador.

A empreendedora diz que relembrou o Presidente de “que só há quatro unicórnios [empresas com uma valorização de mil milhões de dólares] portuguesas”. Além disso, referiu que a empresa que fundou vai “ser o quinto” e que destas quatro empresas apenas uma, a Feedzai, que é o mais recente, é que tem sede em Portugal. Braga, que tem a sua startup sediada nos EUA, afirma: “A verdade é que são todos baseados na América por que não há condições fiscais para reter“. “Expliquei que questão fiscal é um problema para reter os investidores estrangeiros”, adiantou.

Já quanto ao PRR, referiu: “Não é a ajudar a cauda dos 50% do país que estão a ficar para trás que nos transformamos numa capital tecnológica”. E continuou: “Sim, temos de dar o mínimo de condições, mas é ajudar os 50% que estão a levar o país para a frente [que se melhora o país]”. “Este espírito de estar sempre a carregar os que estão para traz não ajuda as pessoas que estão a fazer o força para a frente”, conclui.

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A transição digital tem de se focar numa ou duas áreas, não é em 500 áreas. Tem de ser em uma ou duas”, argumenta Daniela Braga.

Para melhorar o futuro económico do país, Daniela Braga deixou soluções tecnológicas a Marcelo Rebelo de Sousa: o 5G; o cloud computing [computação na nuvem]; e a inteligência artificial. Estes temas vão afetar áreas cruciais para a empreendedora. “A digitalização da administração pública começa por pôr os assistentes virtuais a responder aos cidadãos 24 horas por dia, sete dias por semana”, argumenta.

Além disso, diz que é preciso “criar infraestrutura financeira que ajudem as empresas a subir [de nível]”. E deixou uma nota quanto à escola digital. “A disrupção que aconteceu não foi só ao nível da Europa, é uma das áreas mais obsoletas”, refere. “A educação tem de começar a ser híbrida, tem de simular as condições que vivemos no mundo real. Na América tenho a mesma guerra: acham que é a dar um computador obsoleto que as crianças ficam todas ligadas? Não é verdade. É a terem serviços bem feitos na cloud“.

Em 2015, oito anos depois de ter começado a trabalhar na Microsoft, nos Estados Unidos, a empreendedora, que já foi destacada em meios como Forbes ou revista a Wired britânica, foi a primeira vencedora do prémio João Vasconcelos “Empreendedor do ano” em 2019. Ao todo, a Defined Crowd já recebeu 52,5 milhões de euros de investimento.