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O golo de Zicky Té a reduzir a desvantagem no sexto minuto da segunda parte após assistência de Tomás Paçó foi marcante não só por ter sido o gatilho para a reviravolta mas também por ter colocado como protagonistas dois jovens que há pouco tempo eram ainda opções na equipa de juniores. O golo de Erick Mendonça a fazer o empate pouco mais de um minuto depois teve o condão de reforçar ainda mais o peso da formação do clube na equipa principal. O golo de João Matos, esse, foi muito mais do que um carimbar de uma reviravolta épica – foi a coroação do capitão do clube com mais encontros oficiais pelos leões, num total de mais de 609 entre Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, Supertaça, Taça de Honra e Liga dos Campeões. No final, foi o internacional português de 34 anos que levantou o segundo título europeu do Sporting em três anos.

A sorte protege os audazes: Sporting vence Barcelona com reviravolta épica na segunda parte e é de novo campeão europeu de futsal

“É indescritível, um momento único. Numa final perante uma equipa poderosa, estar a perder por 2-0… Superámo-nos de uma forma tremenda na segunda parte. Passámos para a frente, demos as mãos e estivemos unidos, que é o que caracteriza este Sporting. Foi uma prova de superação e o Sporting é realmente a melhor equipa da Europa. O espírito, a alma, a crença, a ambição e a fome e irreverência destes jovens ajuda muito. Foi o que disse, uma prova de superação. Fomos gigantes, soubemos sofrer, defender. Tivemos a sorte mas a sorte procura-se e trabalha-se. Fomos uma verdadeira equipa e quando o somos o talento não chega para nos ganhar. Só o talento não supera a união de 16 bravos leões”, comentou após o encontro João Matos, que se tornou também figura de destaque no discurso antes do início da final que passou depois na Sporting TV.

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“Junta, junta, junta, junta bem”, começou a pedir João Matos, com uma bola na mão direita. “Onde não chegam as pernas, chega o coração”, dizia Taynan enquanto todos os jogadores se iam agrupando no canto do balneário antes do início do jogo. A final estava a poucos momentos do início e o capitão tomou a palavra, colocando-se depois em cima de um dos bancos para fazer o último discurso antes da final da Champions com o Barcelona.

“Quero saber uma coisa. Por quem é que vocês querem ganhar? Pelos nossos filhos, pelas famílias, pelos amigos, pelo Sporting, pelos adeptos, por vocês mesmos. Onde vai um, vão todos. Hoje é para ir todos juntos. Porque nós todos precisamos de ti, precisamos de ti, precisamos de ti”, foi repetindo, enquanto ia agarrando no ombro de vários companheiros de equipa, dos mais novos como Zicky a mais experientes como Merlim. “Todos juntos porque a resposta é simples: é sim ou não”, prosseguiu, antes do grito de guerra.

– Querem ser lembrados como heróis?
– Sim!
– Como heróis?
– Sim!
– Vamos ser heróis?
– Sim!
– Vamos todos juntos! Um, dois, três…
– Sporting, Sporting, Sporting!

Depois, todos os jogadores foram-se cumprimentando um a um, sendo possível no balneário alguns papéis A4 com aparentes disposições táticas numa das paredes. No final, e antes da entrada para o recinto, Nuno Dias foi também cumprimentando individualmente um a um todos os seus jogadores, dando apenas um abraço mais apertado a um elemento, João Matos. O capitão. O resto, sobretudo na grande reviravolta com quatro golos em menos de dez minutos ao campeão europeu, foi história. É história. E ficará na história.