Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A McLaren está cada vez mais a assumir-se como um construtor muito respeitável de superdesportivos. Se bem que mais jovem, é cada vez mais difícil a marcas como a Ferrari e a Lamborghini, tradicionalmente os líderes deste segmento do mercado, não terem em conta o que a marca que nasceu de uma equipa de F1 está a fazer. A sua última criação foi o Elva, um superdesportivo que promete ser leve e ousado esteticamente, mas cuja principal característica consistia em abdicar do pára-brisas.

Conceber um carro sem pára-brisas não é novidade, nem é prático, a menos que os seus ocupantes optem por usar capacete. De contrário, é bom que gostem de “comer” mosquitos e tenham desenvolvido alguma insensibilidade às pedrinhas projectadas pelos veículos que vão à frente, na esperança que não tenham dimensões para provocar ferimentos graves. É certo que o Elva recorria a soluções aerodinâmicas para afastar o ar que fluía sobre a carroçaria da cabeça de quem se senta lá dentro. Mas isso só desvia o ar, nada fazendo contra pedras ou animais mais pesados. Se não acredita, pergunte aos motards qual é a sensação de levar com um pássaro no capacete.

A McLaren concebeu o Elva como um roadster na sua gama de modelos de reduzida produção, a Ultimate Series, produzida pela MSO (McLaren Special Operations), um argumento comercial para elevar ainda mais o preço do produto. Inicialmente, o Elva foi pensado para gerar 399 unidades, valor que foi depois reduzido para 249, devido a complicações por causa da pandemia. Por fim, foi decidido que apenas 149 veículos veriam a luz do dia. Não há forma de ver esta redução de unidades fabricadas como um passo na boa direcção, sobretudo rumo à rentabilidade.

8 fotos

Quando foi apresentado, o Elva surpreendeu ao não ter pára-brisas. Mas, para os potenciais clientes, foi algo mais do que uma surpresa. Muitos fizeram saber que não achavam piada à solução, por muito que o superdesportivo fosse leve e ágil, equipado com um 4.0 V8 biturbo que é capaz de entregar 815 cv. Como o construtor está bem consciente de que os clientes é que mandam, rapidamente o Elva “sem pára-brisas” passou a ter uma versão “com pára-brisas”, para aqueles que acham as libelinhas indigestas.

O Elva com pára-brisas herda igualmente limpa-vidros, como seria de esperar, o que faz elevar em 20 kg o peso total do McLaren, que assim passa a atingir 1300 kg, um valor notável para um modelo equipado com um 4.0 V8 biturbo. Como seria de esperar, o Active Air Management System, que prometia afastar o ar da cabeça dos ocupantes, desapareceu, embora esta decisão não se faça notar no peso final. Mas se o Elva pode agora oferecer pára-brisas, o dono continua a não poder contar com tejadilho ou janelas laterais, pelo que o contacto com a natureza, em forma da ventania, não vai ser uma opção, mas sim uma garantia. Tal como a ausência de mosquitos e pedrinhas…

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR