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Os primeiros foram logo na estreia como selecionador nacional, a 11 de outubro de 2014 e num particular contra França: Cédric e João Mário. Os últimos tinham sido no passado mês de março, contra o Azerbaijão e a contar para o apuramento para o Mundial 2022: Nuno Mendes e João Palhinha. Pelo meio, contaram-se nomes mais e menos conhecidos: João Cancelo, Adrien e Bernardo Silva mas também Tiago Gomes, André Pinto ou Ukra. Esta sexta-feira, com a estreia de Pedro Gonçalves pela Seleção Nacional, Fernando Santos chegou aos 50 jogadores que já lançou desde que assumiu a principal equipa portuguesa, há mais de seis anos.

A Fonte tem água mas precisa de pressão, bola e golo (a crónica do Espanha-Portugal)

O atacante do Sporting, que foi o melhor marcador da Primeira Liga, entrou ao intervalo para substituir João Félix e fez os primeiros 45 minutos ao serviço da Seleção depois de ter sido convocado também pela primeira vez. Na flash interview e logo depois do apito final, Pedro Gonçalves reconheceu que foi “um orgulho” fazer a estreia por Portugal. “É um sonho e vou continuar a trabalhar para conquistar ainda mais. A exibição foi boa, contra uma das melhores seleções do mundo. É um orgulho para mim disputar este jogo. Tento sempre fazer o meu trabalho ao máximo e não pensar no nervosismo”, referiu, revelando depois que acredita que agradou a Cristiano Ronaldo. “Penso que gostou de mim. É um grande profissional, um grande amigo e acolhe bem as pessoas. É o melhor jogador do mundo”, acrescentou o jogador, que surgiu na equipa A depois de 12 internacionalizações pelas seleções jovens entre Sub-18, Sub-20 e Sub-21.

Portugal e Espanha voltaram a empatar sem golos, tal como tinha acontecido em outubro em Lisboa e tal como aconteceu em três dos últimos encontros entre as duas seleções. A Seleção Nacional continua sem qualquer vitória em território espanhol, com 10 derrotas e cinco empates em 15 jogos, mas ao fim de cinco partidas continua invicto frente à La Roja não perde desde a eliminação no Mundial 2010, nos oitavos de final, com um golo solitário de David Villa. De uma forma mais alargada, desde que Fernando Santos assumiu o comando da equipa que a Seleção não sofreu golos em mais de metade dos encontros realizados: 52%, 43 jogos sem sofrer qualquer golo num total de 83 em que participou.

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Na zona de entrevistas rápidas, o selecionador nacional reconheceu que Espanha “dominou o jogo nos primeiros 15 minutos”. “Nessa fase não conseguimos circular e ter a bola, acabámos por perdê-la com facilidade e isso acentuou o domínio deles. Nós não encurtámos espaços e tivemos muita dificuldade, apesar de Espanha também não ter criado nada de transcendente. Depois disso, a equipa começou a evoluir. Espanha teve mais bola na primeira parte mas Portugal, depois desses 15 minutos, já teve mais situações na área. Tal como Espanha, mas sem grande perigo. Na segunda parte entrámos melhor, mais saltos, a retirar espaços, a ter mais bola. Houve mais equilíbrio nesse aspeto. Criámos ocasiões, Espanha teve uma boa e esta agora no final [de Morata], num erro no último minuto, desnecessário, que podia ter dado golo. A equipa foi melhorando sempre, foi tendo bola, a ser capaz de fazer o que não fez na primeira parte. Era importante para ver como está a equipa”, disse Fernando Santos, defendendo que os espanhóis tiveram sorte no resultado apenas “pelo último lance”, com Morata a acertar na trave.

“Por essa jogada, este resultado é feliz para Portugal. Mas isso conta pouco. Antes tiveram uma boa oportunidade mas aí foi por mérito da defesa portuguesa. Espanha foi forte como é, uma equipa de posse, que nos obrigou a correr. Este jogo serviu para o que queria”, acrescentou, dando desde logo a ideia de que testou algumas soluções que poderão ser colocadas em prática no Campeonato da Europa, como o facto de Danilo ter recuado para central. Por fim, o selecionador não partilhou o que ainda quer ver melhorado na equipa. “Guardo isso para os meus jogadores. Acho que houve coisas bem feitas e outras não tão bem feitas. Mas mais dentro do coletivo, não tanto no individual. Todos deram o máximo e procuraram fazer bem as coisas. Temos de corrigir algumas coisas, ainda assim”, terminou.

Já na conferência na sala de imprensa do Wanda Metropolitano, Fernando Santos falou sobre a evolução do estado clínico de Gonçalo Guedes, que testou positivo à Covid-19 e não trabalhou com a equipa ao longo da semana. “Treinou de manhã na Cidade do Futebol. O teste que fez ontem deu inconclusivo. Hoje ia fazer outro, até que as coisas possam chegar lá. Acreditamos que sim. Já tinha feito dois testes antigénio que deram negativo mas o teste PCR deu inconclusivo. Vamos esperar. Era bom que amanhã já pudesse estar connosco”, explicou o selecionador.